Carregando clima…
Augusto Ambrosio Fidelis

Dai-lhes vós mesmos de comer

Por Portal Agora
Dai-lhes vós mesmos de comer

Augusto Fidelis

Depois de um carnaval cheio de tragédias por todo o Brasil, coletivas e individuais, inicia-se mais uma quaresma, período em que devemos fazer a correção de conduta,  pensarmos  nos inúmeros defeitos dos quais todos os seres humanos são vítimas, a inveja principalmente. Assim, impostas as Cinzas, vem a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com mais uma Campanha da Fraternidade, neste ano com o tema: “Dai-lhe vós mesmo de comer”, tendo como base a multiplicação dos pães e dos peixes, milagre narrado pelos quatro evangelistas canônicos.

Há quem se movimente no sentido de angariar cestas básicas para distribuir aos pobres, em atendimento a este chamado. Não podemos nos esquecer das palavras de Jesus noutro contexto: “Pobres sempre os tereis convosco”. Então, além da cesta básica, seria muito útil auxiliar o desempregado a conseguir uma ocupação, ganhar por si o próprio sustento, sem necessitar desse adjutório tão efémero. A cesta precisa ser algo emergencial, não algo como o Bolsa Família, tão apreciado na atualidade.

Há séculos existem aqueles que, preferencialmente, vivem a custas alheias. Na 2ª Carta aos Tessalonicenses, São Paulo apóstolo adverte: “Quem não quer trabalhar, também não há de comer. Ora, ouvimos dizer que alguns dentre vós levam vida preguiçosa, muitos atarefados em nada fazer. A estas pessoas ordenamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem na tranquilidade, para ganhar o pão com o próprio esforço. Quanto a vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” 

Independentemente da Campanha da Fraternidade, cujo início se deu em 1962, às vezes usada politicamente em favor de certos interesses, não muito religiosos, o católico precisa entender este período, carregado de simbologia, pois lembra as seguintes efemérides bíblicas: a aliança de Deus com Noé, no dilúvio de 40 dias; a convocação de Moisés, aos 40 anos; a permanência de Moisés por 40 dias no Monte Sinai; os 40 meses de pregação de Jesus; sua permanência no deserto por 40 dias, e a volta Pai 40 dias depois da ressurreição.

Além disso, o católico também precisa saber que a data do carnaval, e consequentemente o início da Quaresma, depende de quando vai acontecer a Páscoa, cuja data foi fixada no ano de 325, durante o primeiro Concílio de Nicéia, para o domingo que segue à lua cheia do equinócio da primavera no hemisfério Norte. O equinócio é quando o dia e a noite têm a mesma duração, o que ocorre em 21 de março e 21 de setembro, ou em data próxima disso. Diz um ditado popular que não há cinzas sem nova e nem Páscoa sem cheia. A propósito, a lua foi nova na última segunda feira, 20, e será cheia no dia 6 de abril, três dias antes da Páscoa. 

 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…