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Economia

Alimentos e energia elétrica puxam inflação de junho

Por Bruno
Alimentos e energia elétrica puxam inflação de junho

Jorge Guimarães 

A inflação continua sendo um dos principais indicadores acompanhados por economistas, empresários e consumidores em todo o país. Apesar da preocupação com a evolução dos preços, os índices registrados ao longo do ano ainda permanecem dentro dos parâmetros estabelecidos pelas autoridades econômicas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, iniciou o ano com alta de 0,33% em janeiro e, desde então, vem apresentando um comportamento compatível com a meta perseguida pela política monetária. A expectativa do mercado e das autoridades é de que o índice encerre o ano em torno de 3,95%, percentual que permanece dentro da faixa definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e monitorada pelo Banco Central.

Números 

Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a inflação continua exigindo atenção, apesar de apresentar uma desaceleração em junho. O IPCA, considerado a prévia da inflação oficial do país, registrou alta de 0,41% no mês.

O resultado representa uma redução de 0,21 ponto percentual em relação a maio, quando o indicador havia avançado 0,62%. O índice também ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava uma elevação de 0,44% para o período.

Mesmo com a desaceleração mensal, a inflação acumulada nos últimos 12 meses voltou a subir, passando de 4,64% para 4,80%. O percentual permanece acima do centro da meta estabelecida para o ano.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o avanço também foi maior. Em junho de 2025, o IPCA havia registrado alta de 0,26%, mostrando que, embora o ritmo de crescimento dos preços tenha perdido força em relação ao mês anterior, a inflação ainda se mantém em um patamar elevado.

— Os números reforçam a necessidade de acompanhamento constante da evolução dos preços por parte das autoridades econômicas, do setor produtivo e dos consumidores. O comportamento da inflação seguirá sendo um dos principais fatores considerados pelo mercado na avaliação dos próximos passos da política monetária e da trajetória da taxa básica de juros — avaliou o economista Leandro Maia.

Grupos 

A alta da inflação em junho foi puxada, principalmente, pelo aumento dos preços dos alimentos e dos gastos com habitação e energia elétrica. De acordo com o instituto, o grupo alimentação e bebidas registrou elevação de 0,74% no mês, enquanto habitação avançou 0,72%. Juntos, esses dois segmentos responderam por cerca de dois terços da inflação apurada no período, refletindo diretamente no orçamento das famílias brasileiras.

Os demais grupos apresentaram comportamento mais moderado. O setor de saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,47%, seguido por vestuário, com aumento de 0,45%. Já artigos de residência e comunicação registraram variação de 0,36%, enquanto despesas pessoais avançaram 0,34%.

Na contramão, o grupo transportes apresentou leve recuo de 0,03%, contribuindo para amenizar o resultado geral da inflação no mês. A área de educação também registrou pequena queda, de 0,02%, mantendo relativa estabilidade em relação aos meses anteriores.

— O desempenho dos grupos reforça que alimentação e habitação continuam sendo os principais fatores de pressão sobre o custo de vida da população. Como esses itens representam uma parcela significativa do orçamento das famílias, especialmente das de menor renda, qualquer aumento tende a produzir impacto imediato no poder de compra e no planejamento financeiro dos consumidores — pontuou o economista.

Alimentação no lar

Os alimentos consumidos dentro de casa continuam pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Embora a inflação da alimentação no domicílio tenha desacelerado de 1,73% em maio para 0,87% em junho, alguns produtos essenciais registraram aumentos expressivos, obrigando os consumidores a reorganizar a lista de compras.

De acordo com os dados, a batata-inglesa voltou a liderar as altas do mês, com aumento de 29,42%. Também ficaram mais caros o tomate em 17,27%, o feijão-carioca com alta de 14,29% e a cebola registrando mais 9,54%. Em contrapartida, a queda nos preços do café moído em menos 3,69% e das frutas em menos 0,96% ajudou a amenizar o impacto sobre a inflação dos alimentos.

Para a aposentada Ana Lúcia Silva, cada ida ao supermercado exige mais planejamento. 

— A gente já entra no mercado sabendo que vai precisar abrir mão de alguma coisa. A batata e o tomate estão muito caros, então acabamos substituindo por outros alimentos que cabem no orçamento — relatou.

O motorista Pedro Paulo de Souza afirmou que a estratégia da família passou a ser pesquisar preços antes de fazer as compras. 

— Hoje não dá mais para comprar tudo no mesmo lugar. A diferença de preço entre um supermercado e outro faz muita diferença no fim do mês. Qualquer economia ajuda — comentou.

Já a auxiliar de serviços gerais Fernanda Oliveira disse que os aumentos dos alimentos básicos afetam diretamente o orçamento doméstico. 

— Quando o feijão, a cebola e o tomate sobem ao mesmo tempo, não tem muito para onde correr. São produtos que fazem parte da alimentação do dia a dia. A gente tenta aproveitar as promoções e substituir alguns itens, mas nem sempre é possível — destacou. 

Apesar da desaceleração observada em junho, Maia destacou que os consumidores seguem atentos aos preços e adaptando seus hábitos de consumo para equilibrar as despesas da casa, enquanto aguardam uma redução mais consistente no custo dos alimentos essenciais.

Energia elétrica 

Mesmo com a desaceleração do grupo Habitação, que passou de 1,03% em maio para 0,72% em junho, a energia elétrica residencial segue como o principal impacto sobre a inflação. As contas de luz subiram, em média, 2,04% no mês.

— A energia é uma despesa essencial e seu aumento pesa diretamente no orçamento das famílias, além de elevar os custos de empresas e do comércio, pressionando os preços de produtos e serviços — finalizou o economista.

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