Setor de serviços sustenta reação do emprego formal em Divinópolis

Jorge Guimarães
Após iniciar 2026 com um desempenho positivo na geração de empregos formais, Divinópolis enfrentou uma desaceleração no mercado de trabalho em abril, quando registrou um saldo negativo de 133 vagas com carteira assinada. Entretanto, os levantamentos mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam uma retomada da geração de postos de trabalho, no mês de maio, devolvendo um cenário mais otimista ao município.
Cautela
Apesar da recuperação, os números ainda exigem cautela. Isso porque o crescimento do emprego formal tem sido sustentado, principalmente, pelo setor de prestação de serviços, enquanto segmentos importantes da economia, como comércio, indústria, construção e o agor, ainda demonstram dificuldades para ampliar o quadro de funcionários ou apresentam desempenho abaixo do esperado.
Especialistas avaliam que a recuperação do mercado de trabalho precisa ocorrer de forma mais equilibrada entre os diversos setores para garantir maior estabilidade econômica.
— A concentração da criação de vagas em apenas um segmento torna o cenário mais vulnerável a oscilações, especialmente diante das incertezas econômicas nacionais e da redução do ritmo de investimentos — avaliou o economista, Lázaro Ribeiro.
Números
Os números mais recentes mostram que Divinópolis voltou a registrar saldo positivo durante o mês de maio. Ao longo do período, foram contabilizadas 3.097 admissões e 2.920 desligamentos, resultando na criação de 177 novas vagas com carteira assinada.
O setor de serviços registrou 1.534 contratações e 1.248 desligamentos, alcançando um saldo de 286 novas vagas formais. O desempenho reforça a força das empresas ligadas às áreas de saúde, educação, tecnologia, alimentação, transporte e demais atividades de atendimento à população, que seguem impulsionando a empregabilidade em Divinópolis.
Em contrapartida, os demais setores fecharam o mês com saldo negativo. A indústria apresentou o pior desempenho, com 517 admissões e 575 desligamentos, encerrando maio com menos 58 postos de trabalho.
A construção civil também registrou retração, contabilizando 213 admissões contra 254 demissões, o que resultou em um saldo negativo de 41 vagas. O comércio, mesmo com a retomada gradual da atividade econômica, encerrou o período com saldo de menos cinco empregos, mesmo resultado observado no agronegócio.
Segundo Lázaro Ribeiro, o desempenho da prestação de serviços foi suficiente para compensar as perdas registradas pelos demais segmento.
— A expectativa é de que, com o fortalecimento da atividade econômica e a continuidade dos investimentos, os diferentes setores possam contribuir de forma mais equilibrada para a criação de vagas, consolidando um mercado de trabalho mais sólido e sustentável nos próximos meses — pontuou o economista.
Centro-Oeste
Os dados mais recentes do Caged mostram que o mercado de trabalho na região Centro-Oeste de Minas Gerais apresenta comportamentos distintos entre os principais municípios, reforçando a necessidade de atenção quanto às perspectivas para os próximos meses. Enquanto algumas cidades conseguiram ampliar a oferta de empregos formais, outras registraram saldo negativo.
O resultado que mais chama a atenção é o de Itaúna. O município contabilizou 1.336 admissões e 1.454 desligamentos, encerrando o mês com saldo negativo de 118 vagas de emprego com carteira assinada. O maior impacto foi sentido na construção civil, segmento que liderou o fechamento de postos de trabalho ao registrar um saldo negativo de 172 vagas.
Outro município que acende um sinal de alerta é Nova Serrana, conhecida como a "Capital do Calçado" de Minas Gerais. A cidade registrou 1.731 admissões e 1.749 desligamentos, encerrando o período com saldo negativo de 18 vagas formais. O destaque negativo ficou por conta da indústria, principal base da economia local, que fechou 171 postos de trabalho. O resultado preocupa por envolver justamente o segmento que movimenta a maior parte da atividade econômica do município e emprega milhares de trabalhadores.
Em contrapartida, Pará de Minas apresentou desempenho positivo. A cidade registrou 1.454 contratações e 1.397 desligamentos, alcançando saldo de 57 novas vagas com carteira assinada. O principal responsável pelo resultado foi a indústria, que respondeu pela criação de 117 empregos formais.
Os números revelam que a recuperação do mercado de trabalho na região ainda ocorre de maneira desigual. Enquanto alguns municípios conseguem manter o ritmo de contratações, outros enfrentam dificuldades em setores estratégicos, especialmente na indústria e na construção civil.
— O cenário reforça a importância de políticas de incentivo aos investimentos, fortalecimento da atividade produtiva e estímulo à geração de empregos, contribuindo para um crescimento mais equilibrado e sustentável em toda a região Centro-Oeste de Minas Gerais — finalizou Ribeiro.
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