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Economia

Queda no preço do diesel chega aos consumidores de Minas 

Por Bruno
Queda no preço do diesel chega aos consumidores de Minas 

Jorge Guimarães

Os últimos meses foram marcados por um cenário de constantes oscilações nos preços dos combustíveis no Brasil. Em meio a um mercado atípico, influenciado por fatores como a cotação internacional do petróleo, a variação do dólar e as políticas de preços adotadas pelas distribuidoras, consumidores e transportadores enfrentaram sucessivas altas e baixas, dificultando o planejamento dos custos.

Na última semana, porém, uma notícia trouxe um alívio especialmente para o setor de transporte de cargas. A redução no preço do diesel, anunciada pela Petrobras, representa um importante fôlego para caminhoneiros, empresas de logística e demais segmentos que dependem diretamente do combustível para manter suas operações. A expectativa é de que a queda contribua para amenizar os custos do frete e, gradativamente, reduza a pressão sobre a cadeia produtiva.

Percentuais 

A redução de R$ 0,35 foi anunciada no último dia 30, após o governo federal decretar o fim da subvenção concedida ao diesel. 

Com isso, o corte promovido pela Petrobras anulou, na prática, o efeito da retirada do subsídio federal, que também correspondia a R$ 0,35 por litro. Dessa forma, a expectativa de aumento nos preços acabou sendo neutralizada, oferecendo um alívio para transportadores, empresas de logística e setores que dependem diretamente do diesel para suas atividades.

As duas medidas passaram a valer em 1º de julho e foram recebidas com expectativa pelo mercado. Embora o preço final ao consumidor também dependa de fatores como impostos, margens de distribuição e revenda, além da concorrência regional, a redução anunciada pela Petrobras contribui para preservar a estabilidade dos custos em um momento de atenção para a economia e para o setor de transportes.

Preços

A redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras pela Petrobras já começou a ser percebida em Divinópolis. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado na última semana em 14 postos de combustíveis do município, mostra que o preço médio do diesel S10 passou de R$ 7,06 para R$ 6,94 por litro, uma redução de 1,69%.

De acordo com a pesquisa, o menor preço encontrado foi de R$ 6,59, enquanto o maior permaneceu em R$ 7,19. Na semana anterior, o combustível era comercializado entre R$ 6,99 e R$ 7,19. Embora a queda seja positiva, ela ainda está abaixo da redução anunciada pela estatal, demonstrando que o repasse ao consumidor ocorre de forma gradual e varia conforme a política comercial de cada estabelecimento.

Consumidores 

Para muitos consumidores, qualquer redução é bem-vinda, principalmente para quem utiliza o veículo diariamente para trabalhar. O motorista João Carlos de Assis, por exemplo, afirmou que acompanha os preços com frequência.

— Toda queda ajuda. Quem roda muito sente qualquer diferença no fim do mês. Ainda não é uma redução tão grande quanto a gente esperava, mas já representa um alívio para quem depende do diesel para trabalhar — avaliou.

A empresária Maria Helena Teixeira que possui veículos utilizados em entregas, também acredita que a redução pode aliviar parte dos custos operacionais.

— O diesel pesa bastante nas despesas da empresa. Quando o combustível baixa, mesmo que seja alguns centavos, conseguimos respirar um pouco e isso ajuda no planejamento financeiro — pontuou a empresária.

Segundo o gerente de um posto de combustíveis em Divinópolis, que preferiu não se identificar, o repasse da redução costuma ocorrer gradativamente, à medida que novos carregamentos são adquiridos junto às distribuidoras.

— Os postos ainda trabalham com estoques comprados em datas diferentes. À medida que recebemos novos volumes com preços menores, conseguimos repassar essa redução ao consumidor. Além disso, existem diferenças entre distribuidoras, custos operacionais e estratégias comerciais de cada empresa — definiu o profissional.

Mercado

Na avaliação do economista Lázaro Ribeiro, a redução observada no município confirma que os reajustes nem sempre chegam integralmente e de forma imediata às bombas.

— O mercado de combustíveis possui uma cadeia de comercialização que envolve refinaria, distribuidoras e postos revendedores. Por isso, o percentual anunciado pela Petrobras não necessariamente corresponde à mesma redução para o consumidor final. Ainda assim, a queda registrada pela ANP em Divinópolis é um indicativo positivo, especialmente para o setor de transportes e para as empresas que utilizam o diesel como principal insumo — analisou.

O economista ressaltou ainda que a redução do diesel pode produzir efeitos indiretos na economia.

— O diesel é um dos principais componentes do custo do transporte de cargas. Quando seu preço diminui, existe a possibilidade de aliviar despesas logísticas e reduzir parte da pressão sobre os preços de mercadorias. Entretanto, esses efeitos costumam ocorrer de forma gradual e dependem de diversos fatores econômicos — argumentou. 

Pesquisa

Mesmo com a redução no preço médio do diesel em Divinópolis, especialistas alertam que pesquisar antes de abastecer continua sendo a melhor alternativa para economizar. Pois segundo o levantamento da ANP existe uma diferença de até R$ 0,60 por litro entre os postos da cidade.

Para Ribeiro, o consumidor não deve considerar apenas os reajustes anunciados pelas refinarias, mas observar o comportamento do mercado local.

— Os preços dos combustíveis são influenciados por diversos fatores, como custos de aquisição, logística, estoques e a política comercial de cada revendedor. Por isso, o valor pago pelo consumidor pode variar significativamente entre estabelecimentos da mesma cidade. A pesquisa continua sendo a forma mais eficiente de economizar — analisou.

Segundo ele, essa diferença de preços pode representar uma economia relevante ao longo do mês, principalmente para motoristas que abastecem com frequência ou utilizam o veículo como ferramenta de trabalho.

— Quando o motorista abastece um tanque de 60 litros, uma diferença de R$ 0,60 por litro representa uma economia de R$ 36 em um único abastecimento. Ao longo do mês, esse valor pode fazer diferença no orçamento das famílias e das empresas — detalhou. 

Quem está na rotina das bombas confirma essa preocupação. O motorista Carlos Henrique de Mendonça afirmou que já criou o hábito de pesquisar antes de abastecer.

— Hoje não dá para abastecer no primeiro posto que aparece. Sempre comparo os preços pelo caminho ou em aplicativos. No fim do mês, essa economia pesa bastante no bolso — comentou. 

A representante comercial Juliana Martins da Silva também faz questão de escolher onde abastecer.

— Como viajo bastante a trabalho, qualquer centavo faz diferença. Quando encontro um posto confiável com preço menor, aproveito para completar o tanque. É uma economia que acaba compensando — observou. 

Para Lázaro Ribeiro, a concorrência entre os postos beneficia diretamente o consumidor e estimula os estabelecimentos a manterem preços mais competitivos.

— A livre concorrência é um importante mecanismo de equilíbrio do mercado. Quando o consumidor pesquisa e prestigia os postos que oferecem melhores condições, ele incentiva um ambiente mais competitivo, o que tende a favorecer preços mais justos para toda a população — concluiu. 

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