Alta do cacau pressiona indústria do chocolate e eleva preços na Páscoa

Da Redação
A Páscoa de 2026 chega com preços mais altos para produtos à base de chocolate, reflexo direto da crise global do cacau registrada nos últimos anos. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chocolates em barra e bombons acumulam alta de 24,77% em 12 meses, reforçando o encarecimento do produto para o consumidor.
Redução da oferta
A pressão nos preços está relacionada à redução da oferta global da matéria-prima. Problemas climáticos associados ao fenômeno El Niño, além de doenças nas lavouras em países como Gana e Costa do Marfim, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau, reduziram a produtividade e elevaram os custos da commodity no mercado internacional.
Segundo o presidente do Conselho de Tecnologia e Inovação da Fiemg e CEO da Fralía, referência nacional no segmento de semi-processados de cacau, Matheus Pedrosa, a alta histórica registrada a partir de 2024 impactou toda a cadeia produtiva do chocolate e ainda influencia os preços praticados no mercado.
— O cacau teve uma alta histórica registrada a partir de novembro de 2024 que impactou toda a cadeia. Os altos preços permaneceram ao longo de 2025, gerando uma grande destruição da demanda — afirmou Pedrosa.
Queda
Apesar da recente queda nas cotações internacionais da commodity, o consumidor ainda não percebe esse movimento no preço final. Parte disso ocorre porque grande parte dos insumos utilizados pela indústria foi adquirida durante o período de maior valorização do cacau, ainda em 2025. No início de 2026, a cotação da matéria-prima chegou a registrar queda superior a 60%, após a recomposição gradual da oferta global.
— Mesmo com os desafios, a Páscoa continua sendo o período mais importante para o setor. A data concentra uma forte campanha de produção e distribuição de produtos sazonais, como os ovos de chocolate, o que pode gerar aumento da capacidade produtiva e contratações temporárias em algumas indústrias — destacou.
Composição
Além da pressão nos custos, o cenário também tem levado a ajustes na formulação e no portfólio de produtos. No Brasil, para que um produto seja considerado chocolate, é necessário que possua mínimo de 25% de sólidos de cacau em sua composição, fator que influencia diretamente a estrutura de custos da indústria.
Divinópolis
Com a chegada da Páscoa, muitos consumidores de Divinópolis já começaram a sentir no bolso o impacto do aumento nos preços dos ovos de chocolate. Com uma alta média de 15% em 2026, bem acima da inflação acumulada de 3,81%, as decisões de compra estão sendo repensadas.
— Esse ano eu levei um susto quando fui ao supermercado. Os ovos estão muito caros. Estou pensando em comprar barras de chocolate e montar algo em casa para meus netos — contou a dona de casa Lenita Abreu Santos.
Já o auxiliar administrativo João Paulo diz que a estratégia é pesquisar bastante antes de decidir.
— Eu não compro no primeiro lugar que vejo. Ando em vários mercados, comparo preços e, dependendo, até deixo para comprar mais perto da data pra ver se aparece promoção — disse.
Para a vendedora Camila Fernandes, evitar levar os filhos às compras tem sido essencial.
— Se eu levo minhas crianças, elas sempre querem os ovos mais caros por causa dos brinquedos. Então prefiro ir sozinha e escolher algo que caiba no orçamento — explicou.
Estratégias
Há também quem prefira esperar. O aposentado José Carlos Gomes afirma que não se preocupa em comprar antes da Páscoa.
— Depois da data, os preços caem muito. Aí eu aproveito as liquidações e compro mais barato, mesmo que seja para consumir depois — argumentou.
Opções
Enquanto isso, alguns consumidores estão abrindo mão dos ovos tradicionais.
— Esse ano vou comprar só caixas de bombom mesmo. Sai mais em conta e dá pra dividir com a família toda — disse a estudante Larissa Souza.
Mudança de comportamento
Diante do aumento expressivo nos preços dos ovos de Páscoa, o comportamento do consumidor em Divinópolis tem passado por mudanças significativas. A alta, que supera com folga a inflação do período, tem levado muitas famílias a repensarem hábitos tradicionais e adotarem estratégias mais econômicas na hora de celebrar a data.
Segundo o gerente de supermercado Sérgio Antônio de Oliveira, esse movimento é cada vez mais perceptível no dia a dia das lojas.
— Os clientes estão mais cautelosos, pesquisando mais e, principalmente, comparando alternativas antes de decidir pela compra — explicou.
Ele destaca que muitos consumidores têm optado por substituir os ovos industrializados por barras de chocolate ou até mesmo pela produção caseira, o que pode representar uma economia considerável. Além disso, há quem prefira produtos mais simples ou aguarde promoções para garantir preços mais acessíveis.
Forma de consumo
Outro comportamento observado é a mudança na forma de consumo. Em vez de presentear com ovos individuais, algumas famílias têm escolhido itens que possam ser compartilhados, como caixas de bombons, equilibrando o custo sem abrir mão da comemoração.
— Diante desse cenário, fica claro que, com o aumento dos preços, os consumidores estão cada vez mais atentos, buscando alternativas e adaptando suas escolhas para manter a tradição da Páscoa sem comprometer o orçamento — concluiu o gerente.
Assim, mesmo diante das dificuldades, a criatividade e o planejamento têm sido aliados importantes para garantir uma Páscoa mais consciente e acessível.
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