Supermercados movimentam R$ 135,2 bilhões em Minas em 2025

Jorge Guimarães
Responsável por uma parcela significativa da atividade econômica, o setor supermercadista se consolida, mais uma vez, como um dos pilares da economia, ao combinar geração de empregos, arrecadação de impostos e estímulo à cadeia produtiva. Presente no cotidiano da população, o segmento vai além do abastecimento, impulsionando o consumo, fortalecendo fornecedores e contribuindo diretamente para o crescimento econômico.
Inaugurações
Assim, mantendo-se como um dos pilares da economia mineira, o setor supermercadista de Minas Gerais manteve forte ritmo de expansão em 2025, com a inauguração de 102 novas lojas em todo o estado, segundo levantamento da Associação Mineira de Supermercados (Amis). Apenas esses empreendimentos geraram 8.785 empregos diretos e receberam investimentos de cerca de R$ 1,43 bilhão, reforçando a importância do segmento para a economia mineira e para o cotidiano das famílias, cada vez mais dependentes dos serviços, da praticidade e da oferta ampliada oferecida pelos supermercados.
Novos investimentos
O presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala, atribui o avanço do setor em Minas Gerais às características próprias do varejo supermercadista no estado, que ainda oferece amplo espaço para novos investimentos. Segundo ele, a expansão do número de lojas, cada vez mais modernas, com uso de tecnologia e ampliação de serviços, acompanha o crescimento da demanda e reflete um mercado menos concentrado, o que facilita a entrada de novos empreendedores.
Claret destaca que esse cenário favorece a ampliação e a diversificação da oferta em diferentes municípios, fortalecendo a presença do setor em todo o estado. Outro ponto relevante, de acordo com o dirigente, é o protagonismo dos pequenos negócios.
— Muitas das novas unidades foram abertas por empresas de menor porte, espalhadas por diversas regiões, evidenciando a força e a capilaridade do pequeno varejo supermercadista mineiro — destacou o executivo.
Faturamento
O setor supermercadista de Minas Gerais alcançou, em 2025, um faturamento bruto de R$ 135,2 bilhões, consolidando sua relevância para a economia estadual. O montante corresponde a 11,68% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, estimado em R$ 1,157 trilhão.
Os números reforçam o papel estratégico dos supermercados não apenas no abastecimento da população, mas também como um dos principais motores de geração de renda, emprego e arrecadação.
Expectativa
Para o decorrer de 2026, segundo projeções da entidade, a expectativa é de manutenção do crescimento do consumo e dos investimentos em novas lojas, reformas e tecnologias. No entanto, os volumes de aportes não deverão superar os registrados em 2025, em função da elevada base de comparação.
— O histórico das nossas pesquisas mostra que a inauguração de 102 lojas no ano é bastante atípica. A única vez que tivemos a abertura de mais de 100 lojas foi em 2021, exatamente porque muitos empreendimentos não puderam ser concluídos em 2020, paralisados pela pandemia — ponderou Claret.
As projeções indicam a abertura de 78 novas lojas no ano, com a geração de 8.580 postos de trabalho. Os investimentos nos novos pontos devem ser da ordem de R$ 1,3 bilhão. Mesmo com menor número de lojas, o valor investido é próximo do realizado no ano passado, já que é esperado um perfil de empreendimentos de maior porte em 2026, com expansão mais forte das principais redes. O mesmo ocorre com as projeções de novos empregos.
Incertezas
Por outro lado, as incertezas de um ano eleitoral e a alta taxa de juros, embora seja esperado o início da trajetória de queda da Selic, tendem a induzir uma postura mais cautelosa do empresário. Além disso, muitos preferem esperar o desempenho das lojas recém-abertas para fazer novos aportes.
Segundo Claret, é esperada a manutenção dos índices de consumo, já que, além da baixa taxa de desemprego em Minas Gerais, o consumidor deverá ter um orçamento menos pressionado, com incentivos como o aumento do salário mínimo acima da inflação, a isenção ou redução das alíquotas do Imposto de Renda em determinadas faixas salariais e a estabilidade dos preços da cesta básica.
— Diante desse cenário, a expectativa é de crescimento real do consumo no setor de 3,45% em 2026 — afirmou.
Regiões
A região Central, que inclui a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), liderou novamente a abertura de lojas em 2025, com 31 novos empreendimentos. Desse total, 24 foram inaugurados nas cidades da RMBH e sete em outros municípios. O Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba recebeu 20 novos supermercados no ano passado. Já a região Centro-Oeste recebeu um total de 13 novos empreendimentos, o que significa um aumento de 44%, em relação a 2024, quando foram abertas 9 novas unidades.
Formatos
Na classificação por formatos, o supermercado tradicional, também conhecido como loja de vizinhança, concentrou o maior número de inaugurações, com 83 novas unidades. O atacarejo abriu 13 lojas, enquanto o modelo gourmet registrou seis inaugurações.
IA
Todos os anos, a entidade elege o tema central para debater um assunto da atualidade e relevante para o setor. Em 2026, será “IA e o novo jeito de fazer”. O objetivo é mostrar que a Inteligência Artificial não é um modismo corporativo, nem tampouco uma promessa para o futuro. Ela já está fazendo a diferença positivamente nas empresas que decidiram usá-la.
No setor supermercadista, a IA impacta diretamente a operação de loja, o marketing, a prevenção de perdas e a gestão de pessoas, trazendo mais eficiência, agilidade e assertividade nas decisões.
— A IA deixa de ser apenas inovação e passa a ser uma ferramenta indispensável. Foi um dos assuntos muito debatidos na NRF Retail Show, em Nova Iorque, em janeiro. Há um consenso de que ela já deve fazer parte da planilha de investimentos das empresas — concluiu Claret.
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