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Aumento de 16% no orçamento para 2027 derruba argumentos contra aumento real para servidores

Sintram aponta que a folha de pagamento terá alta de apenas 4,27%, enquanto a defasagem salarial acumulada na última década ultrapassa 20%

Por Redação Jornal Agora · Redação· 4 min de leitura
Aumento de 16% no orçamento para 2027 derruba argumentos contra aumento real para servidores

O orçamento do município de Divinópolis para o ano que vem é o maior da história e se aproxima de R$ 1,9 bilhão. O aumento em relação a este ano é de mais de 16%. Já os gastos com pessoal, considerados pelo governo como o vilão dos gastos públicos, vão crescer pouco mais de 4%, mesmo com o grande contingente de novos servidores nomeados a partir do concurso público. O presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, diz que não há desculpa para a concessão de aumento real para os servidores municipais em 2027.

A prefeita Janete Aparecida Silva (Avante) terá nas mãos quase R$ 1,9 bilhão para administrar o município de Divinópolis em 2027. O Projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) já está em tramitação na Câmara e chama a atenção pela maior variação para cima já registrada na história da cidade. O projeto da LOA prevê receita e despesa para 2027 de R$ 1,892 bilhão (R$ 1.892.230.528,98), o que representa um aumento de 16,66% em relação a 2026, estimado em pouco mais de R$ 1,6 bilhão.

Essa elevação orçamentária é a maior da história do município e, na prática, representa um acréscimo nominal de R$ 270,2 milhões (R$ 270.262.617,52) nos cofres públicos da cidade de um ano para o outro. Entendimentos de economistas indicam que esse acréscimo significa que o município terá R$ 270 milhões a mais para custear serviços essenciais, cobrir a inflação do período ou destinar a novos investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Significa também que há um avanço considerável nas receitas públicas, o que possibilita a discussão da melhoria salarial para os servidores municipais com aumento acima da inflação.

Enquanto o orçamento total da Prefeitura de Divinópolis avança mais de 16% para o próximo exercício, a projeção de gastos com pessoal — que passará de R$ 800,7 milhões em 2026 para R$ 834,9 milhões em 2027 — terá um acréscimo modesto de apenas 4,27%. O indicador mostra que o impacto nos gastos públicos será mantido e que o peso do funcionalismo está perfeitamente acomodado dentro das previsões. Os gastos analisados pela reportagem incluem salários, benefícios, vantagens e obrigações sociais.

Para os mais de 5,7 mil servidores municipais que deverão estar na folha de pagamento no início de 2027, a matemática indicada nos números orçamentários contrasta com uma década de perdas acumuladas superiores a 20%. “Estamos observando nos últimos anos o avanço do orçamento do município e a estagnação da folha de pagamento, que está abaixo dos índices previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Tivemos perdas consideráveis nos últimos anos que não puderam nem ser discutidas. Foi muito difícil o diálogo durante o governo Gleidson Azevedo e não mudou muito com a administração da prefeita Janete, pelo menos nesse primeiro ano. A gente espera que em 2027 tenhamos um diálogo respeitoso, porém a valorização dos servidores terá que sair do discurso para a recuperação real dos salários, pois está muito claro que dinheiro tem, falta boa vontade”, destaca o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram), Marco Aurélio Gomes.

Aumento real

O orçamento total somente da Prefeitura para o próximo ano, que vai saltar de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,6 bilhão, projeta um salto histórico de 19,10%. Os números oficiais comprovam que o impacto do funcionalismo está perfeitamente acomodado à realidade financeira do município e desarmam qualquer argumento para negar uma revisão salarial acima da inflação em 2027. Diante de uma defasagem salarial que já ultrapassa os 20% nos últimos 10 anos, o sindicato reforça que a revisão acima da inflação não é apenas viável, mas uma obrigação urgente para fazer justiça a quem carrega os serviços públicos da cidade nas costas.

— O que a gente sempre reivindicou é que o servidor seja visto como investimento e não como despesa. Isso é repetir o óbvio, já que não há serviço público qualificado sem mão de obra capaz de atender à demanda com a qualidade que o cidadão merece. Para a administração, oferecer serviço público de qualidade é garantir avaliação positiva da população e, sem o servidor, isso não é possível — destaca Marco Aurélio Gomes. 

— Esse ano tivemos, mais uma vez, que aceitar a revisão salarial conforme o desejo do Executivo. Com números tão bons, conforme a previsão orçamentária mostra para 2027, esperamos que a prefeita saia do discurso para a prática e inicie a recuperação dos salários dos servidores municipais com aumento real no ano que vem —  concluiu.


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