Câncer hereditário: entenda quando o histórico familiar exige atenção
Enfermeira oncológica explica como a investigação genética contribui para o diagnóstico precoce da doença

Ter casos de câncer na família pode acender um alerta para a possibilidade de uma predisposição hereditária, mas não significa necessariamente que a doença seja hereditária. Da mesma forma, identificar uma alteração genética não representa uma sentença de câncer. A informação e o acompanhamento especializado ajudam a identificar riscos e orientar medidas preventivas.
O Agora conversou com a enfermeira oncológica da Associação de Combate ao Câncer do Centro-Oeste de Minas (Acom), Fabiana Castro, que explicou como funciona a investigação do câncer hereditário e quais fatores devem ser considerados na avaliação.
Risco hereditário
Segundo Fabiana, entre 10% e 15% dos casos de câncer em geral são hereditários. Nessas situações, alterações genéticas transmitidas dos pais para os filhos podem aumentar a predisposição para determinados tumores.
Entre as mais conhecidas estão as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas ao aumento do risco de câncer de mama, ovário e próstata.
A suspeita de uma predisposição hereditária considera fatores como a idade ao diagnóstico, a quantidade de familiares acometidos e os tipos de tumores registrados na família.
— São dados importantes que a gente tem que sempre conhecer da nossa família e essa avaliação, pode abranger três gerações — orienta.
Investigação genética
Quando uma mutação hereditária é identificada, outros familiares podem ser avaliados para verificar se herdaram a alteração e se precisam de acompanhamento diferenciado.
Fabiana explicou que a Acom mantém um projeto voltado ao câncer familial, que já acompanhou quase 600 famílias. A instituição também participa do programa Genoma SUS, em parceria com instituições de ensino e pesquisa.
Geralmente, o processo começa com o teste genético da pessoa que teve câncer. Se uma mutação relevante for identificada, a investigação pode se estender a filhos, pais e irmãos, conforme os critérios da equipe especializada.
Rastreamento
A identificação de uma mutação pode modificar a estratégia de acompanhamento. Pessoas com risco hereditário elevado podem precisar iniciar os exames mais cedo do que a população em geral.
Fabiana citou o exemplo de uma família com diagnóstico de câncer de mama aos 30 anos. Dependendo da avaliação individual, o rastreamento de familiares com a mesma predisposição pode começar por volta dos 20 anos, sob orientação especializada.
Em situações específicas, também podem ser discutidas medidas preventivas, inclusive cirurgias profiláticas.
Detecção Precoce
O medo de descobrir uma predisposição ainda afasta algumas pessoas do acompanhamento.
A informação permite avaliar os riscos e definir estratégias para favorecer a detecção precoce. Segundo a enfermeira, a equipe da Acom monitora pacientes e realiza busca ativa para evitar que consultas e exames importantes sejam esquecidos ou adiados.
— Qualquer tipo de câncer, o diagnóstico precoce é o que vai salvar a vida das pessoas — alerta.
Hábitos saudáveis
Além da predisposição genética, os hábitos de vida merecem atenção. Fabiana destaca a prática de atividade física, a alimentação adequada e a importância de evitar o tabagismo e o consumo de álcool.
A ausência de histórico familiar não elimina o risco de câncer de mama. Por isso, toda mulher deve conhecer o próprio corpo, observar possíveis alterações e procurar atendimento diante de sinais suspeitos.
A enfermeira reforça a importância da mamografia e do acompanhamento médico. Identificar tumores em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e favorecer resultados positivos
— É importante que toda mulher esteja atenta ao seu corpo — orienta.
Conhecer o histórico familiar, investigar riscos quando indicado e manter os cuidados com a saúde são atitudes fundamentais. A predisposição genética não determina o futuro de uma pessoa, mas exige atenção e acompanhamento adequados.
Campanha
O Agora realiza uma campanha especial durante todo o mês de Outubro, com entrevistas com pacientes e especialistas para compartilhar experiências, esclarecer dúvidas e levar informação sobre o câncer de mama, incluindo formas de prevenção, sinais de alerta, diagnóstico e tratamento. A entrevista completa está disponível no Instagram do jornal, pelo perfil @jornal_agora.
A campanha conta com o apoio da Acom, do São João de Deus Complexo de Saúde, da Med Prev, da Botanicals e da Cred+.
Leia também
Mais recentes
‘Câncer não é uma sentença de morte, é um alerta para a vida’, diz paciente em tratamento
Acom leva o Outubro Rosa às ruas de Divinópolis e Nova Serrana com duas caminhadas
Livro de médico pioneiro resgata maior epidemia renal do mundo no São João de Deus
Semana de Segurança Alimentar reúne oficinas, hortas e debates sobre agricultura familiar
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em outubro de 2026
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…







