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Economia

Carne bovina deve ter elevação de preços ao decorrer do ano

Carne bovina deve ter elevação de preços ao decorrer do ano

Jorge Guimarães 

Se está alto, vai aumentar ainda mais. Essa é a preocupação de analistas do setor agropecuário diante da tendência de elevação dos preços da carne bovina ao longo do ano. De acordo com avaliações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e de outras fontes do mercado, o cenário aponta para novas altas, impulsionadas principalmente por fatores estruturais da pecuária.

Fatores

O principal motivo é o ajuste na oferta, consequência direta do ciclo pecuário. Após um período de maior abate, especialmente de fêmeas, entre os anos de 2024 e 2025, o setor entra agora em uma fase de retenção desses animais para recomposição do rebanho. Com a redução no abate de vacas e novilhas, diminui a disponibilidade de animais para o corte, pressionando os preços no mercado interno.

Esse movimento, embora necessário para garantir a sustentabilidade da produção no médio e longo prazo, tende a impactar o bolso do consumidor. A expectativa é de que os valores da carne bovina continuem em patamares elevados, refletindo não apenas o ciclo produtivo, mas também os custos crescentes ao longo da cadeia.

— Recomenda-se atenção redobrada por parte do setor produtivo e dos consumidores, já que a tendência de alta pode se estender ao longo de todo o ano, sem sinais imediatos de alívio nos preços — avalia o economista, Lazaro Ribeiro.

Alta

A expectativa de novos reajustes no preço da carne bovina já começa a preocupar consumidores e o setor varejista. Estima-se que o valor ao consumidor final possa subir entre 10% e 15% nos próximos meses, refletindo o cenário de restrição na oferta de animais. Em Minas Gerais, a arroba do boi gordo, hoje cotada em média a R$ 311, pode se aproximar de R$ 400 até o fim do ano, segundo projeções do mercado.

— A carne já pesa bastante no orçamento da família. Se aumentar mais ainda vai ficar difícil manter o consumo como antes — comenta a consumidora Maria Aparecida Leite. 

No varejo, a preocupação é equilibrar preços e consumo. O gerente de loja de rede de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira, explica que o setor acompanha o movimento com cautela. 

— Qualquer aumento no preço da arroba reflete diretamente no balcão. A gente tenta segurar o repasse o máximo possível, mas chega um momento em que não há como absorver. Isso acaba impactando as vendas e muda o comportamento do consumidor — destaca.

Do ponto de vista econômico, o cenário é resultado de fatores estruturais da pecuária. O economista Lazaro Ribeiro avalia que a tendência de alta é consistente. 

— Estamos vivendo um ciclo de ajuste na oferta, com redução no abate de fêmeas, o que diminui a disponibilidade de animais para o corte. Com isso, a arroba sobe e esse custo é repassado ao longo da cadeia até chegar ao consumidor final — explica.

Segundo Ribeiro, mesmo que o aumento seja gradual, o efeito acumulado ao longo do ano tende a ser significativo. 

— Se a arroba realmente se aproximar dos R$ 400, como indicam algumas projeções, o consumidor sentirá no bolso, e a carne bovina pode se tornar ainda mais seletiva na mesa dos brasileiros — conclui.

Alternativas

Diante da possível alta contínua nos preços da carne bovina, muitos consumidores já demonstram resistência a novos reajustes e afirmam que devem buscar alternativas mais acessíveis para manter o orçamento doméstico equilibrado. A percepção geral é de que o aumento dos custos começa a ultrapassar o limite do que é possível absorver no dia a dia.

— A gente entende que tudo está mais caro, mas chega uma hora que não dá. Se a carne subir mais, vou optar por frango ou ovos, que ainda cabem no bolso — afirma a dona de casa, Ana Lúcia, que diz já ter reduzido a compra de cortes bovinos. 

Para o consumidor João Carlos Alves, a substituição é quase obrigatória. 

— Carne vermelha está virando artigo de luxo. Aqui em casa, a gente já troca por carne suína ou até proteína vegetal — comenta.

Mudança de hábitos 

Outros consumidores relatam mudanças claras nos hábitos de compra. Segundo Maria Helena Dias, o aumento constante faz com que o consumidor repense prioridades. 

— Antes eu comprava carne bovina toda semana. Agora, só em ocasiões especiais. Quando pesa no bolso, a gente procura alternativas mais baratas e tem muitas por ai — conta 

A sensação compartilhada é de que, caso os preços continuem subindo, a tendência será uma migração cada vez maior para outras fontes de proteína. 

— O consumidor não para de comer, ele apenas muda o que compra — resume o consumidor Carlos Eduardo.

Estratégias 

Caso a carne bovina mantenha a trajetória de alta ao longo do ano, empresários do setor de alimentação já se mostram atentos ao cenário e têm se resguardado com a adoção de estratégias criativas e responsáveis para evitar o repasse imediato dos aumentos aos consumidores. A preocupação é preservar a clientela, manter a competitividade e garantir a sustentabilidade dos negócios.

Segundo o empresário João Batista Fonseca, proprietário de um restaurante, o planejamento tem sido a principal ferramenta. 

— Estamos trabalhando com compras mais bem programadas e analisando o mercado com antecedência. Isso nos permite segurar preços por mais tempo, sem comprometer a qualidade do que servimos — afirma.

Diversificar

A revisão do cardápio também aparece como alternativa recorrente. Para Luciana Ferreira, empresária do ramo de alimentação fora do lar, pequenas adaptações fazem diferença. 

— Reorganizamos alguns pratos, ajustando porções e explorando melhor os acompanhamentos. O cliente continua satisfeito e não sente impacto no bolso — destaca.

Outra medida adotada é a diversificação das opções oferecidas. Marcos Vinícius, dono de um bar e restaurante, explica que ampliar o leque de proteínas tem ajudado a equilibrar custos. 

— Incluímos mais pratos com frango, suíno e receitas que não levam carne bovina. Além de reduzir custos, isso amplia as escolhas do consumidor — comenta.

Há também quem tenha apostado na diversificação de proteínas. 

— Incluímos mais opções com frango, suínos e até pratos vegetarianos, que têm tido boa aceitação. Assim, diminuímos a dependência da carne bovina sem perder faturamento — comenta Rogério Almeida, empresário do ramo, que passou a oferecer combos e pratos alternativos durante a semana.

Negociar 

Outra estratégia adotada é a negociação direta com fornecedores. Rolando Meneses, empresário do ramo, destaca que o diálogo tem sido essencial. Mesmo diante de um cenário desafiador, o consenso entre os empresários é de cautela e planejamento. 

— O consumidor já sente o impacto da inflação no dia a dia. Nosso esforço é absorver o máximo possível desse aumento, mantendo preços acessíveis e fidelizando o cliente — conclui o empresário.

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