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Economia

Após a elevação do ICMS, preços dos combustíveis é estável em Divinópolis

Por Portal Agora
Após a elevação do ICMS, preços dos combustíveis é estável em Divinópolis

Jorge Guimarães

O ano começou com apreensão para os consumidores após a divulgação do aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre os combustíveis. A expectativa era de um impacto imediato no bolso, com elevação significativa dos preços nas bombas. No entanto, na prática, esse efeito não foi sentido de forma expressiva pela população.

É o que aponta a pesquisa realizada na última semana pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que avaliou os preços praticados em 14 postos de gasolina no município. 

Pesquisa

O levantamento realizado mostra que, mesmo com a mudança tributária em vigor, os preços dos combustíveis praticados em Divinópolis ficaram levemente acima dos limites autorizados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Ainda assim, a variação observada entre os valores cobrados nos postos foi pequena, restrita a diferenças de poucos centavos.

— Na prática, os consumidores não se depararam com altas abruptas, mas sim com ajustes pontuais que mantiveram os preços relativamente próximos dos patamares de referência — analisa o gerente de um ponto de venda, Roberto Assis Ferreira.

Estratégias

Segundo a análise, fatores como a concorrência entre os postos, estratégias comerciais para manter a clientela e até mesmo oscilações no mercado de distribuição ajudaram a absorver parte do impacto do reajuste do imposto. Com isso, o consumidor final não percebeu, até o momento, um aumento significativo nos preços.

Especialistas avaliam que, embora o reflexo do novo ICMS possa ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos meses, o cenário atual indica um alívio temporário para os motoristas. 

— A recomendação é que os consumidores continuem realizando pesquisas próprias, que servem como importante instrumento de transparência e comparação de preços, permitindo escolhas mais conscientes na hora de abastecer — avalia o economista Lazaro Ribeiro.

Preços

Os dados da ANP mostram que, mesmo após o aumento do ICMS aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), o impacto nos preços dos combustíveis em Divinópolis foi moderado nas primeiras semanas do ano.

De acordo com a pesquisa realizada pela ANP na primeira semana de janeiro, período em que o reajuste da alíquota foi aprovado, o preço médio da gasolina era de R$ 5,96. Na ocasião, o menor valor encontrado foi de R$ 5,89, enquanto o maior chegou a R$ 6,19. Já em relação ao diesel, o levantamento apontou preço médio de R$ 5,93, com valores variando entre R$ 5,77 e R$ 6,19.

Passados mais de 20 dias, um novo levantamento feito na última semana indica que o aumento nas bombas foi gradual. O preço médio da gasolina passou para R$ 6,09, com o menor valor registrado em R$ 6,00 e o maior permanecendo em R$ 6,19. No caso do diesel S15, o preço médio ficou em R$ 6,00, sendo encontrado o menor valor de R$ 5,80 e o maior também na casa dos R$ 6,19.

— A estabilidade relativa é atribuída, principalmente, à concorrência entre os estabelecimentos e às estratégias adotadas para evitar a perda de consumidores, mantendo os reajustes em patamares considerados moderados — define Ribeiro.

Nas bombas 

Mesmo com um reajuste considerado pequeno em valores absolutos, o aumento da alíquota dos combustíveis já começou a pesar no dia a dia de quem depende do carro. 

Para a consumidora Maria Aparecida Alves, que utiliza o carro diariamente para trabalhar, qualquer variação no preço faz diferença no fim do mês. 

— Pode até parecer pouco, mas quando a gente abastece toda semana, esses centavos viram reais. No meu orçamento, já senti a diferença — relata.

A percepção é semelhante entre motoristas profissionais. O motorista de aplicativo José Ricardo Oliveira afirma que o reajuste afeta diretamente a renda. 

— A gente roda o dia inteiro. Um aumento pequeno na bomba acaba tirando uma parte do ganho no final do dia, porque nem sempre dá para repassar esse custo para o passageiro — explica.

Do lado dos empresários, o reflexo também é imediato. Para Carlos Henrique Teixeira, dono de uma pequena empresa de entregas, o combustível é um dos principais custos operacionais. 

— Mesmo sendo centavos, no volume que a gente consome por mês, o impacto é grande. Isso acaba pressionando o preço dos serviços e reduzindo a margem de lucro — pontua.

Já o gerente de posto Roberto Assis Ferreira destaca que os estabelecimentos também sentem os efeitos do reajuste. 

— Assim que a nova alíquota entra em vigor, o preço muda quase automaticamente, porque seguimos a cadeia de repasses. Muitas vezes o cliente reclama, mas o posto também trabalha com margens apertadas — esclarece.

Entre consumidores em geral, a sensação é de apreensão com novos aumentos. 

— A gente já está acostumado a apertar o cinto. Quando sobe combustível, tudo sobe junto — resume o aposentado José Roberto Nogueira, que vê no reajuste um efeito em cadeia sobre outros preços.

Engrenagem

Para muitos consumidores, qualquer centavo a mais no preço da gasolina ou do diesel gera um efeito imediato no orçamento familiar e reforça a percepção de que os impactos vão muito além do abastecimento dos veículos.

A auxiliar administrativa Adélia Aparecida Silva relata que o reajuste, por menor que seja, pesa no fim do mês. 

— Às vezes a gente olha e pensa que são só alguns centavos, mas quando soma abastecimento, mercado e outras despesas, tudo aumenta. No final, sobra menos dinheiro para as contas básicas — afirma.

O motorista Henrique Souza destaca que o reflexo não fica restrito aos postos de combustíveis. 

— O combustível influencia tudo. O frete fica mais caro, o alimento chega mais caro no supermercado e a gente sente isso direto na mesa de casa — comenta.

Já a dona de casa Luciana Fernandes chama atenção para os impactos indiretos, especialmente no transporte escolar. 

— Tenho dois filhos que usam transporte de alunos. Quando o combustível sobe, logo vem o aviso de reajuste na mensalidade. Isso pesa muito para quem já tem um orçamento apertado — observa.

Para o aposentado José Roberto Lima, a sensação é de que os aumentos se acumulam ao longo do tempo. 

— Pode até parecer pouco, mas todo mês tem alguma coisa subindo. O combustível acaba puxando outros preços, como alimentação e educação, e quem paga a conta é sempre o consumidor — conclui.

Pesquisa

Diante das constantes variações de preços, a pesquisa segue sendo a principal aliada do consumidor. Para o consumidor Pedro Henrique Martins, pesquisar antes de comprar faz toda a diferença. 

— Hoje não dá para sair comprando ou abastecendo no primeiro lugar que aparece. A pesquisa ainda é a maior arma do consumidor, porque ajuda a economizar não só no combustível, mas também no supermercado, na farmácia e em vários serviços do cotidiano — afirma.

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