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Polícia

Caso Dhandara: delegada aponta estupro e morte da jovem por dois adolescentes

Crime completa um ano em setembro e o processo está em fase de alegações finais 

Por Lucas Maciel · Redação· 4 min de leitura
Caso Dhandara: delegada aponta estupro e morte da jovem por dois adolescentes

O caso da jovem Dhandara Kellen Ferreira Jerônimo, de 18 anos, encontrada morta em uma área de mata no bairro Primavera, em Divinópolis, ganhou novos detalhes nesta semana. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 19, a deputada estadual Delegada Sheila Mello afirmou que a investigação apontou que Dhandara foi vítima de violência sexual antes de ser morta e que dois adolescentes, ambos com 17 anos à época, participaram da ação.

Segundo a parlamentar, a investigação reuniu provas periciais, depoimentos, registros de comunicação e material genético. Sheila afirmou ainda que a Justiça reconheceu atos infracionais correspondentes a feminicídio, estupro, vilipêndio de cadáver e tráfico de drogas.

Por se tratar de adolescentes, eles não respondem criminalmente como adultos e estão sujeitos às medidas previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A internação é a medida mais severa, mas precisa ser reavaliada periodicamente e não pode ultrapassar três anos.

A declaração ocorre quase um ano depois do desaparecimento de Dhandara e enquanto a família aguarda o desfecho judicial do caso.

Desaparecimento

Dhandara desapareceu em 10 de setembro de 2025. Segundo a mãe, Janes Kellen Campos Ferreira, o último contato com a filha ocorreu naquela tarde. A jovem havia saído de casa por volta das 15h30 e conversava normalmente pelo WhatsApp.

A família descobriu posteriormente que ela havia solicitado um mototáxi para o bairro Primavera. O motorista se apresentou à polícia e indicou o local onde deixou a jovem.

Três dias depois, em 13 de setembro, o corpo foi encontrado em uma área de mata às margens de uma lagoa. O cadáver foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para os procedimentos periciais.

O sepultamento ocorreu na manhã seguinte, no Cemitério Parque do Divino Espírito Santo. Segundo familiares, não houve velório.

Investigação

Nos primeiros dias, um adolescente que mantinha relação com Dhandara passou a ser apontado como possível suspeito. Ele compareceu espontaneamente à Polícia Civil acompanhado de advogado e negou participação no crime.

Na época, o advogado Nabil Hoblos afirmou ao Agora que o adolescente havia sido apontado antes de uma conclusão da investigação e teve a imagem divulgada nas redes sociais, sofrendo ameaças e exposição. A defesa também destacou que o procedimento corria em segredo de Justiça.

Os dois adolescentes chegaram a ser apreendidos e permaneceram internados por 45 dias. Eles foram liberados na semana do Natal de 2025, o que provocou revolta entre familiares da vítima.

Na semana passada, o Agora voltou ao local onde Dhandara foi encontrada e atualizou a situação do processo. Quase um ano depois da morte, o procedimento avançou para a fase de alegações finais, etapa que antecede a decisão judicial.

Novos detalhes

Na publicação desta quarta-feira, Sheila afirmou que Dhandara teria sido atraída para uma área isolada, onde sofreu violência sexual. Depois, segundo a parlamentar, teria sido morta por asfixia.

A deputada também afirmou que o corpo sofreu atos de extrema crueldade após a morte e foi abandonado no matagal.

Sheila destacou que a investigação contou com diferentes elementos para esclarecer a dinâmica do caso, entre eles exames periciais, depoimentos, registros de comunicação e material genético.

— Eles tinham só 17 anos e, por isso, não respondem como adulto — afirmou.

A parlamentar disse que a internação pode durar menos de três anos, já que a medida é reavaliada periodicamente.

Debate sobre maioridade penal

A declaração também reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal. Sheila defendeu que o país discuta mudanças para situações excepcionais envolvendo adolescentes próximos dos 18 anos e atos de extrema violência.

— Eu defendo a proteção de crianças e adolescentes. Eu defendo a recuperação. Eu defendo oportunidade, mas também defendo responsabilidade — declarou.

Segundo a deputada, eventual mudança deveria ter critérios e caráter excepcional, sem aplicar automaticamente a legislação penal de adultos a todos os adolescentes.

A manifestação, porém, não altera o andamento do processo de Dhandara. A definição sobre a responsabilização dos adolescentes e a medida socioeducativa cabível compete à Justiça.

Família aguarda desfecho

Dhandara havia retomado os estudos pelo EJA pouco antes de morrer e, segundo a mãe, sonhava em concluir o ensino médio e construir um futuro melhor. Ela deixou dois irmãos, de 1 e 11 anos.

Desde a localização do corpo, a família passou pelas buscas, identificação no IML, sepultamento sem velório, apreensão dos adolescentes e posterior liberação.

Agora, com o processo na fase de alegações finais, a expectativa é pela decisão judicial.

O que diz a defesa

Em manifestação anterior ao Agora, o advogado Nabil Hoblos afirmou que um dos adolescentes negava participação na morte de Dhandara. Segundo ele, o jovem foi acusado antes da conclusão da investigação e sofreu exposição e ameaças após a circulação de sua imagem.

A defesa pediu cautela na análise das informações e destacou que o processo tramita sob segredo de Justiça. Como o procedimento envolve adolescentes, detalhes dos autos não podem ser divulgados integralmente.


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