Caso Isabel Veloso: especialista detalha como funcionam cuidados paliativos

Da Redação
A influenciadora digital Isabel Veloso, que ficou conhecida por compartilhar nas redes sociais sua rotina de tratamento contra o câncer, morreu aos 19 anos na madrugada do último sábado, 10. Ela estava internada desde o dia 26 de novembro na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, capital do Paraná.
Isabel ficou conhecida por adotar um tratamento paliativo para sua doença. O Agora conversou com um especialista para falar sobre esse tema.
Críticas equivocadas
Em meio à comoção, o Agora procurou o professor de enfermagem e doutor Alexandre Silva, da UFSJ, que esclareceu a interpretação equivocada de muitos seguidores. A confusão reside no entendimento dos termos "cuidados paliativos" e "estado terminal".
De acordo com ele, os cuidados paliativos não significam morte iminente, mas sim o cuidado com a vida diante de uma doença grave.
— A morte é uma das etapas da vida, mas o cuidado paliativo fala de vida, de qualidade de vida, inclusive quando a morte acontece — explica Alexandre.
O doutor relata que o grande embaraço que gerou críticas foi a aparência saudável de Isabel.
— As pessoas ficavam indignadas por ela, com um diagnóstico tão grave, estar vivendo tão bem. Isso ocorre porque muitos acham que doença grave tem que ter "cara" de sofrimento e murmuração — afirma.
Tratamentos
Os cuidados paliativos podem caminhar junto ao tratamento curativo. O professor destaca que não se trata de desistir, mas de somar esforços para aliviar dores físicas, emocionais, sociais e espirituais.
— É como atravessar um deserto: o cuidado paliativo oferece os recursos necessários para suportar a travessia — compara.
Alexandre ressalta que qualquer doença que ameace a vida pode indicar cuidados paliativos.
— Quem define a necessidade é o médico junto à equipe. A iniciativa visa o controle de sintomas para que a pessoa consiga viver com dignidade — concluiu.
No caso de Isabel, o especialista destaca que ela escolheu viver com qualidade, casar e ter filhos.
— Isso reforça o verdadeiro propósito desse cuidado: dar palco à vida, e não à doença.
O doutor Alexandre Silva deixa ainda um recado às famílias.
— Que a gente possa acrescentar vida aos dias, e não apenas dias à vida. O cuidado paliativo busca exatamente isso — finaliza.
Diagnóstico e escolhas
Isabel recebeu o diagnóstico de câncer aos 15 anos, quando iniciou o tratamento com imunoterapia. Em entrevistas, ela contou que a abordagem inicial levou à remissão da doença; porém, mais tarde, exames identificaram o surgimento de novos tumores.
Ela relatou ainda que, após receber o novo diagnóstico, chegou a retomar a terapia, mas o tratamento foi interrompido após apenas uma aplicação. Segundo a jovem, os efeitos colaterais foram intensos, com dores severas de origem neuropática, o que a levou a optar pela suspensão do tratamento convencional.
— Eu disse aos meus pais que não iria fazer outro tratamento, mas acabei fazendo, porém só uma aplicação. Quando fiz essa aplicação, parei de caminhar e senti muita dor. Me deram morfina, mas a dor não passava — contou durante participação no podcast Inteligência LTDA, ao lado do marido, Lucas Borbas.
Segundo Lucas, o tratamento chegou a reduzir de forma significativa o tamanho do tumor, mas uma reação adversa grave levou Isabel a decidir pela interrupção das aplicações. A jovem afirmou ter buscado a opinião de outros médicos, que indicaram chances reduzidas de cura para o seu caso.
Prognóstico
Aos 17 anos, Isabel passou a receber cuidados paliativos e relatou que, sem novas intervenções medicamentosas, a expectativa de vida estimada seria de cerca de seis meses. O prognóstico, no entanto, era apenas aproximado, uma vez que, como a própria influenciadora destacava, esse tipo de previsão não pode ser definido com exatidão médica.
De acordo com informações divulgadas, ela foi hospitalizada pela última vez após apresentar excesso de magnésio no sangue. Durante a internação, os médicos identificaram um sangramento no pulmão e uma pneumonia. O quadro clínico se agravou com uma hemorragia intestinal. A jovem chegou a passar por uma traqueostomia e, apesar das intervenções e do acompanhamento intensivo, o estado de saúde permaneceu crítico até o falecimento.
Mobilização
A morte da influenciadora foi comunicada pelo marido por meio de uma publicação emocionada. Isabel Veloso reunia uma legião de admiradores; até o fechamento desta matéria, ela contabilizava 4 milhões de seguidores no Instagram. Ela deixou um filho, Arthur, de um ano.
— Nossa história foi real, foi bonita, foi verdadeira. Construímos uma família, um amor que não depende do tempo nem da presença física para existir. Ela vive em mim, vive no nosso filho, vive em cada pessoa que foi tocada pela força dela — disse Lucas Borbas.
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