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Economia

Cesta básica aumenta quase 8% 

Cesta básica aumenta quase 8% 

Jorge Guimarães

A elevação no preço da cesta básica gera neste mês preocupação entre os consumidores de Divinópolis, impactando diretamente o orçamento familiar. O cenário é agravado pelas condições climáticas atípicas deste ano, que afetam a produção e o abastecimento de diversos itens essenciais. E em meio a essa oscilação do mercado, em outubro, o custo médio da cesta na cidade atingiu R$ 602,98, representando um aumento expressivo de 7,98% em relação ao mês anterior, quando o valor era de R$ 558,44.

Números

Pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis, também indicou uma elevação anual de 11,4% no custo da cesta básica, ao comparar outubro de 2023 com outubro de 2024. Quando analisado o acumulado dos últimos 12 meses, de novembro de 2023 a outubro de 2024, o aumento foi de 8,4%, sinalizando uma pressão contínua sobre os preços de alimentos.

— Esses números revelam desafios para os consumidores locais, que veem uma parte significativa de seu poder de compra comprometido com a alta nos alimentos. A pesquisa do Nepes é uma ferramenta importante para monitorar esses indicadores, proporcionando ao público uma visão ampla das variações econômicas que afetam a região e auxiliando na formulação de estratégias para lidar com os aumentos — avalia o economista, Leandro Maia. 

Altas

Em outubro de 2024, o preço médio do quilo da carne bovina de primeira sofreu uma elevação de 15,38% em comparação a setembro. O aumento expressivo no valor reflete os desafios enfrentados pela pecuária brasileira, especialmente devido às condições climáticas adversas.

— As estiagens e as queimadas prejudicaram o pasto. Os bois em confinamento não foram suficientes para manter o nível de oferta, e os preços no varejo aumentaram — explicou o professor e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais, Wagner Almeida. 

A seca prolongada e os focos de incêndio reduziram a disponibilidade de pastagem. Como alternativa, muitos produtores recorreram ao confinamento dos animais, o que, no entanto, não foi suficiente para estabilizar a oferta.

— Esse cenário impacta especialmente o orçamento das famílias que consomem carne regularmente, levando muitos a buscar alternativas de proteínas ou reduzir o consumo de carne bovina. A elevação no preço da carne é um reflexo das variações climáticas e da vulnerabilidade da produção agrícola e pecuária ao meio ambiente, um fator que desperta a discussão sobre a necessidade de estratégias de mitigação — pontua Maia. 

O tomate foi outro item que registrou um aumento significativo de 48,82%, conforme revelou a pesquisa. Esse aumento no valor do produto se deu em grande parte pela menor oferta no mercado, após um período de abundância.

— O calor dos meses anteriores acelerou a maturação do tomate, e assim, o mercado esteve abastecido e com valores menores. Em outubro, o término da safra de inverno resultou em aumento do preço no varejo — explicou Wagner Almeida. 

Outros itens

A cesta básica apresentou no mês passado, variações marcantes em alguns itens. Entre as maiores altas, destacam-se o preço da banana, que subiu 17,35%, e o óleo de soja, que registrou aumento de 16,56%.  Por outro lado, a pesquisa revelou boas notícias em relação a outros produtos. O preço da manteiga também apresentou uma queda significativa de 17,95%, seguido pela batata, que ficou 16,24% mais barato, e pelo feijão, com redução de 7,0%.

— Essas variações refletem a complexidade do mercado de alimentos no país, que é influenciada tanto por fatores externos, como as exportações e a demanda global, quanto por condições internacionais, como a produção agrícola e as sazonalidades. Para os consumidores, a oscilação nos preços é um incentivo para reavaliar suas escolhas de compra e buscar alternativas — frisa Maia. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 30, com o levantamento de preços em sete supermercados, que possuem açougue, padaria e hortifruti.

Salário mínimo

Em outubro, o trabalhador que recebe salário mínimo, destinou, em média, 46,2% de seu rendimento líquido para adquirir os itens da cesta básica. Esse valor considera o desconto de 7,5% referente à contribuição à Previdência Social e representa um aumento expressivo na proporção da renda comprometida com a alimentação em comparação ao mês anterior.

— Essa piora no índice reflete o aumento nos preços dos alimentos essenciais, que têm pressão sobre o orçamento familiar, especialmente para trabalhadores de baixa renda. Destinar quase metade do salário líquido para a cesta básica impacta o poder de compra, reduzindo a capacidade de investir em outras necessidades, como moradia, transporte e educação, além de limitar uma possível reserva de dinheiro — pontua Leandro. 

Alternativas

A alta dos preços levou os consumidores a mudarem seus hábitos de compra de forma significativa. Itens que antes faziam parte do consumo diário, como cortes de carne de melhor qualidade, agora são vistos como luxo e muitas vezes substituídos por opções mais baratas, como as processadas, ovos ou até alternativas vegetarianas. Mudança não é apenas uma questão de escolha, mas uma necessidade para grande parte das famílias, especialmente as de baixa e média renda.

— O que a gente nota é que há uma mudança de hábito entre os consumidores.  Itens frescos, como frutas e vegetais, muitas vezes são substituídos por alimentos industrializados e com longa validade. Outros produtos, como de higiene, limpeza e outros, de marcas conhecidas, são trocados por alternativas de marcas mais econômicas — observa  o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira. 

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