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Economia

Cesta Básica tem aumento em março

Cesta Básica tem aumento em março

Jorge Guimarães 

A alta nos preços da cesta básica tem gerado preocupação entre os consumidores de Divinópolis. Itens essenciais do dia a dia, como carne, café e batata inglesa, registraram aumentos expressivos, impactando diretamente o orçamento familiar e dificultando o planejamento financeiro, especialmente das famílias de baixa renda.

Divinópolis 

Assim, o custo médio da cesta básica de alimentos em Divinópolis alcançou R$ 690,77 em março de 2025, representando uma elevação de 2,09% em relação ao mês anterior, quando o valor era de R$ 676,61. Os dados são da pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis.

Anual

Na comparação anual, entre março de 2024 e o mesmo mês de 2025, a cesta apresentou uma alta de 10,6%. Já o acumulado dos últimos 12 meses, considerando o período de abril de 2024 a março de 2025, mostra um aumento ainda mais expressivo: 13,2%.

Altas 

A pesquisa identificou importantes variações nos preços dos itens que compõem a cesta básica entre fevereiro e março de 2025.

Entre os produtos que apresentaram aumento, o destaque foi o café em pó, com alta de 11,77%. A batata inglesa também registrou variação expressiva de 11,20%. Outros itens que ficaram mais caros foram o feijão (4,30%) e o tomate (4,08%), pressionando o custo total.

Quedas

Por outro lado, alguns alimentos tiveram queda nos preços, aliviando parcialmente o impacto no bolso dos consumidores. A banana apresentou a maior redução, com recuo de 21,70%. A manteiga ficou 7,63% mais barata, e o arroz teve queda de 2,92%.

— Essas oscilações refletem fatores como a sazonalidade da produção, o clima e as dinâmicas do mercado, que influenciam diretamente a oferta e a demanda dos alimentos — avalia o economista Lazaro Ribeiro.

Carne bovina 

A carne bovina continua sendo o item de maior peso na composição da cesta básica de alimentos em Divinópolis, representando 40,9% do total. Segundo o professor Wagner Almeida, organizador da pesquisa realizada pelo Nepes da Faculdade Una Divinópolis, foram analisados os preços dos cortes chã de dentro e chã de fora para compor o levantamento.

— No mês de março de 2025 foi observada uma alta de 6,86% no preço médio do quilo da carne bovina de primeira em relação a fevereiro — destaca o docente.

A elevação contribuiu de forma significativa para o aumento geral do conjunto de alimentos no período. 

— Como produto de maior impacto no orçamento alimentar, qualquer variação no preço da carne reflete diretamente nas finanças das famílias, especialmente as de menor renda — pontua o economista. 

Pesquisa

A mais recente edição da pesquisa sobre o custo da cesta básica de alimentos em Divinópolis foi realizada entre os dias 24 e 28 de março. O levantamento abrangeu sete supermercados do município que possuem, em sua estrutura, açougue, padaria e hortifruti.

A cesta analisada, denominada Cesta Básica de Alimentos, é composta por 13 produtos alimentícios essenciais, considerados suficientes para garantir o sustento e o bem-estar de um trabalhador adulto ao longo de um mês. 

Salário mínimo 

Em março de 2025, o trabalhador remunerado com um salário mínimo comprometeu, em média, 49,2% de sua renda líquida com a compra da cesta básica de alimentos em Divinópolis. O cálculo considera o desconto de 7,5% referente à contribuição para a Previdência Social.

No mês anterior, fevereiro, o comprometimento era de 48,2%, o que revela uma deterioração na relação entre o custo dos alimentos essenciais e o poder de compra do trabalhador. 

Desafios 

A população sente no bolso as consequências desses reajustes, que tornam cada vez mais desafiadora a tarefa de manter uma alimentação básica e equilibrada. Muitos consumidores relatam que estão precisando reduzir as quantidades compradas ou até mesmo substituir produtos, em busca de alternativas mais acessíveis.

— Diante desse cenário, cresce a preocupação com o custo de vida e a necessidade de medidas que aliviem os efeitos da inflação sobre os alimentos, garantindo o mínimo necessário para a dignidade das famílias — finaliza o economista.

Alternativas

A alta dos preços levou os consumidores a mudarem seus hábitos de compra de forma significativa. Itens que antes faziam parte do consumo diário, como cortes de carne de melhor qualidade, agora são vistos como luxo e muitas vezes substituídos por opções mais baratas, como as processadas, ovos ou até alternativas vegetarianas. Mudança não é apenas uma questão de escolha, mas uma necessidade para grande parte das famílias, especialmente as de baixa e média renda.

— O que a gente nota é que há uma mudança de hábito entre os consumidores.  Itens frescos, como frutas e vegetais, muitas vezes são substituídos por alimentos industrializados e com longa validade. Outros produtos, como de higiene, limpeza e outros, de marcas conhecidas, são trocados por alternativas de marcas mais econômicas — observa  o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira.

Brasil

O cenário, embora preocupante no âmbito local, reflete uma tendência observada também em outras cidades brasileiras. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o custo da cesta básica subiu em grande parte das capitais brasileiras nos primeiros meses de 2025, pressionado por aumentos nos preços de alimentos como carne bovina, café, feijão e hortaliças.

O Dieese aponta ainda que, em algumas capitais, o valor da cesta já ultrapassa R$ 800, exigindo mais de 50% do salário mínimo líquido para sua aquisição. A situação evidencia a dificuldade enfrentada por milhões de brasileiros que, com uma renda limitada, precisam equilibrar os gastos com alimentação, moradia, transporte, saúde e educação.

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