Cesta básica tem nova alta em abril

Jorge Guimarães
A escalada nos preços da cesta básica tem gerado crescente preocupação entre os consumidores de Divinópolis. Pelo quarto mês consecutivo, itens essenciais do dia a dia registraram aumentos expressivos, pressionando o orçamento das famílias, especialmente das que possuem menor poder aquisitivo.
Produtos
Produtos como carne, café e batata inglesa apresentaram as maiores altas no período recente. Esses alimentos, indispensáveis à mesa dos brasileiros, tornaram-se vilões do orçamento doméstico, comprometendo o planejamento financeiro e exigindo sacrifícios na hora de fazer as compras.
O cenário acende um alerta entre especialistas e entidades ligadas à economia doméstica, que destacam o impacto direto dessas elevações sobre a qualidade de vida da população.
— Em muitos lares, já se observa a substituição de produtos por alternativas mais baratas ou até mesmo a redução da variedade e quantidade dos alimentos consumidos — alerta o economista Lazaro Ribeiro.
Números
Em Divinópolis em abril de 2025, o custo médio da cesta básica de alimentos chegou a R$ 696,39, representando uma elevação de 0,81% em relação ao mês anterior, quando o valor foi de R$ 690,77. Os dados levantados pela pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis.
— A cesta básica, composta por itens essenciais para a alimentação, tem pressionado cada vez mais o orçamento familiar. A variação de preços é reflexo de diversos fatores, como custos de produção, transporte, sazonalidade e dinâmica do mercado interno, no que se refere a lei da oferta e procura — avalia Ribeiro.
Altas
Entre os principais responsáveis pela nova elevação no custo da cesta, destacam-se a batata inglesa, com aumento expressivo de 14,83%, o café em pó, que subiu 7,78%, e a manteiga, com alta de 6,29%.
De acordo com o organizador da pesquisa e professor da UNA, Wagner Almeida, a disparada no preço da batata está relacionada à redução na oferta do produto, resultado da desaceleração da colheita da safra das águas.
— Além disso, a produtividade e a disponibilidade de batatas de boa qualidade foram menores em função das temperaturas muito elevadas — explicou o docente.
Já o café em pó, que vem acumulando altas nos últimos meses, também preocupa. Segundo Almeida, não há perspectiva de queda nos preços no curto prazo.
— Existe uma menor oferta global explicada por questões climáticas, o que está contribuindo para elevar o preço — observou.
A manteiga também segue a tendência de alta, influenciada pelo aumento nos custos de produção e pela instabilidade nos preços dos laticínios.
— Esses reajustes, especialmente em produtos de consumo diário, têm impactado diretamente o orçamento das famílias divinopolitanas, reforçando a preocupação com a inflação dos alimentos e a dificuldade de manter uma alimentação básica acessível e equilibrada — analisou Wagner.
Carne bovina
Mesmo com um aumento aparentemente discreto de 0,02% em abril, o preço da carne bovina, especificamente os cortes de chã de fora e chã de dentro, continua sendo um dos grandes influenciadores no custo do conjunto de alimentos.
Apesar da variação mínima, o impacto no valor total da cesta é expressivo, já que a carne bovina representa 40,6% do peso na composição da cesta. Ou seja, mesmo pequenas oscilações nos preços da carne afetam significativamente o bolso do consumidor.
— Esse dado reforça a importância do item na alimentação da população e evidencia como ele exerce forte influência sobre o orçamento familiar. Para muitas famílias, especialmente as de baixa renda, o consumo de carne já tem sido reduzido ou substituído por outras fontes de proteína mais acessíveis, há muito tempo — pontua o economista.
Baixas
Apesar das altas em itens essenciais, a cesta abril também apresentou algumas reduções que trouxeram certo alívio para o bolso do consumidor. De acordo com a pesquisa, o tomate teve queda de 6,48%, a farinha de trigo recuou 4,84% e a banana ficou 2,89% mais barata.
Essas reduções, embora pontuais, ajudam a equilibrar parcialmente o custo total da cesta, que sofreu elevação de 0,81% no mês. O tomate, por exemplo, costuma ter grande oscilação de preço ao longo do ano, e sua queda recente pode estar relacionada à maior oferta nos mercados.
A farinha de trigo, base de diversos alimentos consumidos diariamente, também registrou queda, o que impacta positivamente o preço de produtos derivados, como pães e massas. Já a banana, fruta popular e presente em muitas refeições, apresentou recuo que favorece o acesso a uma alimentação mais saudável.
— Mesmo com esses recuos, o cenário ainda é de preocupação para os consumidores, já que os aumentos em itens como batata, café, manteiga e carne continuam pressionando o orçamento familiar. Ainda assim, a queda em alguns preços sinaliza a importância do monitoramento constante do mercado e da busca por alternativas na hora de comprar — avalia o economista.
Pesquisa
A mais recente edição da pesquisa sobre o custo da cesta básica na cidade traz importantes informações sobre a metodologia utilizada e a composição dos itens avaliados. O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 28 de abril, com a coleta de preços em sete supermercados do município que contam com estrutura completa, incluindo açougue, padaria e hortifruti.
A chamada Cesta Básica de Alimentos analisada na pesquisa é composta por 13 produtos alimentícios essenciais, definidos com base em critérios nutricionais e de consumo médio. Essa cesta foi elaborada para suprir, de forma equilibrada, as necessidades nutricionais de um trabalhador adulto durante um mês, garantindo o sustento e o bem-estar por meio de uma alimentação com quantidades adequadas de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais.
Salário mínimo
O peso da alimentação no orçamento das famílias brasileiras segue elevado. Em Divinópolis, a pesquisa mostrou que, em abril, um trabalhador remunerado com o salário mínimo nacional precisou comprometer, em média, 49,6% de sua renda líquida apenas para adquirir os produtos da cesta básica. Em março, esse percentual já era alto, atingindo 49,2%.
O cálculo considera o salário mínimo líquido, ou seja, o valor restante após o desconto de 7,5% referente à contribuição para a Previdência Social.
— O dado evidencia como os custos com a alimentação essencial consomem uma fatia significativa da renda dos trabalhadores. O que dificulta muitas famílias arcar com outras despesas igualmente importantes, como moradia, transporte, saúde e educação — ressalta o economista.
Brasil
Com base na cesta mais cara, que, em abril, foi a de São Paulo, R$ 909,25, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da família dele, com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em abril de 2025, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.638,62 ou 5,03 vezes o mínimo reajustado em R$ 1.518,00.
Leia também
Receita Federal impõe medidas para contribuintes que não efetuarem pagamento do Imposto de Renda
Comércio tem horário especial no Dia das Mães
Comércio varejista adota horário especial na véspera de Dia das Mães
Trabalhadores do varejo têm aumento de até 7,5% no salário
Comércio aposta nas redes sociais para aumentar vendas no Dia dos Namorados
Petrobras reduz preço da gasolina
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em maio de 2025
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…








