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Preto no Branco

Coincidência?

Por Gisele Souto · Redação· 3 min de leitura
Coincidência?

Os superintendentes regionais de Educação de Divinópolis e Patos de Minas, foram pegos de surpresa nesta terça-feira, 18, ao verem seus nomes publicados no Diário Oficial do Estado, como exonerados. Luiza Amélia Coimbra, que estava à frente do órgão em Divinópolis, desde o início do governo de Romeu Zema (Novo) estava em Juiz de Fora participando de um evento de educação, quando ficou sabendo da informação. O de Patos, Carlos Coimbra, também atuava há um bom tempo no cargo. E não parou por aí. A superintendente de Saúde da cidade do Alto Paranaíba, foi outra que sofreu a rasteira. Coincidência? Está mais para perseguição, por se tratar das cidades de Cleitinho Azevedo e Eduardo Falcão. São chefias que comandam departamentos e muitas pessoas, o que, na visão de alguns, pode gerar influência na hora de votar. Cargo de confiança, o gestor faz o que bem entender, mas neste período? É no mínimo, duvidoso.

‘Solução caseira’

A campanha de Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas começa a ganhar contornos próprios — e, curiosamente, sem recorrer à fórmula tradicional das grandes campanhas eleitorais. O senador decidiu apostar em uma espécie de “solução caseira”: seu vice, Luís Eduardo Falcão, assumirá a coordenação da campanha, enquanto o próprio Cleitinho pretende liderar boa parte da comunicação, sem a contratação de um marqueteiro tradicional. A escolha tem coerência com a trajetória política do senador. Cleitinho construiu sua carreira justamente a partir de uma comunicação direta, marcada por vídeos gravados pelo próprio parlamentar, linguagem popular e forte presença nas redes sociais. Foi esse modelo que o levou da Câmara Municipal de Divinópolis à Assembleia Legislativa e depois ao Senado Federal. Agora, a aposta é transformar essa mesma autenticidade em estratégia eleitoral para uma disputa muito maior. E Falcão terá papel importante nesse desenho. Como candidato a vice, caberá a ele ajudar a organizar agendas, articulações e conversas políticas, enquanto Cleitinho mantém o protagonismo na comunicação. A estratégia é arriscada, mas também representa uma tentativa de não descaracterizar aquilo que, até aqui, foi a principal marca eleitoral do senador: falar diretamente com o eleitor, sem muitos intermediários.

Minas em protagonismo

Minas Gerais voltou a ocupar posição central no tabuleiro nacional. O Estado é o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores, correspondendo a cerca de 10,3% do eleitorado brasileiro. Além disso, possui um histórico singular: desde a redemocratização de 1945, Minas acompanhou o vencedor da eleição presidencial em 12 das 13 disputas realizadas até 2022. A exceção foi justamente 1950, quando Getúlio Vargas venceu nacionalmente sem ter sido o mais votado entre os mineiros. Não é por acaso, portanto, que os dois principais nomes da disputa presidencial concentrem atenção no Estado logo no início da campanha. Flávio Bolsonaro iniciou sua agenda eleitoral em Minas, participando do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe ao governo e, no dia seguinte, voltou às ruas de Belo Horizonte. A campanha do senador já sinalizou que pretende ampliar sua presença no território mineiro ao longo da corrida eleitoral. Aposta que já era esperada e promete ser acirrada.

Centro da política

Do outro lado, Lula também colocou Minas no roteiro de suas primeiras agendas, desembarcando no estado na próxima sexta-feira, 21. A movimentação dos dois principais polos da disputa nacional transforma o Estado em algo maior do que simplesmente mais uma eleição estadual: Minas passa a ser também um dos principais palcos da batalha presidencial. No fim, Minas pode ser novamente o centro da política brasileira. E, quando o centro do tabuleiro muda, nenhuma candidatura consegue jogar olhando apenas para dentro de casa.


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