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Com 480 famílias saindo da pobreza em 2025, Divinópolis garante duas premiações nacionais

Com 480 famílias saindo da pobreza em 2025, Divinópolis garante duas premiações nacionais

Lucas Maciel

Em um momento marcado por melhora significativa nos indicadores sociais mineiros, Divinópolis se destacou nacionalmente pelos resultados no enfrentamento à pobreza e à fome. Segundo dados disponibilizados pela Prefeitura, 480 famílias deixaram a condição de pobreza ou de baixa renda em 2025, após ações que ampliaram o acompanhamento social e a inclusão produtiva.

O desempenho rendeu ao município dois reconhecimentos nacionais que serão entregues em Brasília neste mês, colocando a cidade entre as experiências de referência do país no combate à vulnerabilidade social.

Os avanços locais são divulgados no mesmo momento em que o IBGE revela, por meio da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2025, que Minas Gerais atingiu, em 2024, o menor patamar de pobreza desde 2012.

Situação local

Assim como os resultados estaduais, o levantamento realizado pelo Executivo considera cruzamentos de informações do Cadastro Único, registros de acompanhamento social e atualização de benefícios. Segundo o município, a redução resulta do aumento da cobertura dos serviços socioassistenciais, do monitoramento contínuo das famílias e da articulação com áreas como Saúde e Educação.

Esse desempenho levou Divinópolis a ser selecionada para duas premiações nacionais. A cidade receberá, na próxima segunda-feira, 8, durante a Conferência Nacional de Assistência Social, o Prêmio Nacional Simone Albuquerque, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Na semana seguinte, será entregue ao município o Prêmio Brasil Sem Fome, voltado a iniciativas de enfrentamento à pobreza e à insegurança alimentar. Ambos os reconhecimentos têm abrangência nacional e contemplam municípios que apresentaram resultados mensuráveis no acompanhamento e na inclusão de famílias vulneráveis.

Entre os fatores considerados nas avaliações técnicas estão o alcance das ações, a identificação de famílias não registradas em cadastros sociais e o acompanhamento periódico de grupos com maior risco de retorno à vulnerabilidade.

Minas Gerais

A redução da pobreza registrada em Divinópolis ocorre no mesmo momento em que Minas Gerais apresenta melhora consistente nos principais indicadores sociais, conforme mostra a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2025, divulgada pelo IBGE nesta terça-feira, 3.

O levantamento, que analisa condições de vida, pobreza monetária, desigualdade, mercado de trabalho e educação, aponta que o estado atingiu em 2024 o menor nível de pobreza da série iniciada em 2012, consolidando uma trajetória de recuperação após os impactos econômicos e sociais da pandemia.

A pesquisa utiliza parâmetros do Banco Mundial para mensuração da pobreza, considerando pobres os domicílios com renda per capita inferior a US$ 6,85 PPC por dia — cerca de R$ 695 mensais no cálculo adotado — e extremamente pobres aqueles com renda até US$ 2,15 PPC por dia, equivalente a aproximadamente R$ 218 mensais.

Números

No caso mineiro, a proporção de pessoas abaixo da linha de pobreza caiu de 19,9% em 2023 para 16,8% em 2024, após oscilações significativas observadas nos anos anteriores. Em termos absolutos, a redução representa aproximadamente 581 mil pessoas que passaram a viver acima do limite estabelecido pelo indicador.

Já a extrema pobreza permaneceu em 2,2%, repetindo o menor patamar da série histórica e indicando estabilização no nível mais baixo já registrado pelo estado. O movimento contrasta com o cenário crítico de 2021, quando a pobreza mineira superou 31% em meio ao período mais agudo da pandemia.

Mercado de trabalho

O IBGE destaca que o avanço observado em 2024 está diretamente relacionado ao comportamento do mercado de trabalho.

O nível de ocupação chegou a 61,7%, o mais alto da série iniciada em 2012, enquanto a taxa de desocupação recuou para 5,1%, também a menor já registrada. A taxa composta de subutilização da força de trabalho alcançou 12,6%, outro mínimo histórico, após ter chegado a 27,1% em 2020. Segundo o instituto, esses indicadores mostram que Minas consolidou sua recuperação, mantendo índices de ocupação superiores à média nacional ao longo de todo o período analisado.

O relatório, entretanto, observa que os ganhos não se distribuíram de maneira uniforme: homens seguem como maioria entre os ocupados, pessoas pretas ou pardas têm maior presença em postos informais e recebem os menores rendimentos médios, e trabalhadores com mais de 60 anos ocupam majoritariamente atividades por conta própria.

Desigualdade

A desigualdade de renda também apresentou melhora relevante. O Índice de Gini recuou para 0,447, o menor valor já registrado no estado. A queda reflete tanto o aumento do rendimento do trabalho quanto o impacto dos programas de transferência de renda.

Em simulações feitas pelo IBGE, a ausência desses programas elevaria o Gini para 0,481 em 2024, ampliando a desigualdade. Ainda assim, o relatório mostra que homens brancos seguem no topo da distribuição de renda, enquanto mulheres pretas ou pardas permanecem na base, cenário que se mantém estável desde o início da série.

A SIS também evidencia melhora entre a população jovem. A proporção de pessoas de 15 a 29 anos que não estudavam nem trabalhavam atingiu 16,7%, o menor índice já registrado. O dado contrasta com 2020, quando o grupo chegou a representar 25% da juventude mineira, e confirma tendência de retomada iniciada após a reabertura das atividades escolares e econômicas.

Educação

No campo educacional mais amplo, Minas apresentou a menor taxa de analfabetismo desde 2016, alcançando 4,3%, e atingiu 19% da população de 25 anos ou mais com ensino superior completo, maior proporção da série iniciada em 2016.

O levantamento também mostra recuperação das taxas de frequência escolar em praticamente todas as faixas etárias, após a queda ocorrida durante a pandemia, embora a frequência líquida no ensino fundamental entre crianças de 6 a 10 anos ainda esteja abaixo do nível de 2019.

Apesar dos avanços registrados, o IBGE ressalta que parte das melhorias é sensível às condições econômicas e depende da continuidade de políticas públicas que sustentem emprego, renda e acesso à educação.

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