Com ônibus mais caros, reajustes do rotativo e táxi seguem sem definição em Divinópolis

Lucas Maciel
Enquanto os usuários do transporte coletivo de Divinópolis já convivem com o novo valor das passagens desde o início de maio, outros reajustes ligados à mobilidade urbana seguem sem definição no município. Propostas de aumento para o estacionamento rotativo e para as tarifas de táxi, discutidas e aprovadas pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (Comutran) ainda em dezembro de 2025, continuam paradas quase cinco meses depois.
A informação foi confirmada pela Prefeitura ao Agora. Segundo a administração municipal, os processos permanecem em análise e, até o momento, não houve publicação oficial nem alteração nos valores atualmente praticados.
As discussões constam na ata da reunião ordinária do Comutran realizada em 23 de dezembro de 2025, nas dependências da Secretaria Municipal de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans). O encontro reuniu conselheiros e representantes ligados ao sistema de trânsito e transporte da cidade.
Na ocasião, foram debatidos reajustes relacionados ao estacionamento rotativo, ao serviço de táxi e também à tarifa técnica do transporte coletivo urbano.
Rotativo teve proposta aprovada
Um dos primeiros temas discutidos na reunião foi a atualização da tarifa do estacionamento rotativo. Segundo a ata, o diretor de Trânsito e Mobilidade Urbana, Victor Rodrigo de Sousa Moreira, apresentou estudo técnico propondo reajuste do valor de R$ 2,60 para R$ 2,70.
Durante a apresentação, foram detalhados os fundamentos legais e os critérios utilizados pela equipe técnica para justificar a correção da tarifa. Após a exposição, o assunto foi colocado em votação. Conforme registrado no documento, a proposta recebeu oito votos favoráveis e um contrário.
Apesar da aprovação no conselho, o reajuste não entrou em vigor. Questionada pela reportagem, a Prefeitura informou que o tema ainda segue em análise interna. Atualmente, portanto, permanece valendo a tarifa praticada antes da discussão realizada pelo Comutran.
Táxis também aguardam decisão
Além do estacionamento rotativo, a reunião do conselho também discutiu reajustes para o serviço de táxi em Divinópolis.
A proposta apresentada previa manutenção da bandeirada em R$ 5,40, sem alteração. Já os demais valores sofreriam reajuste de 8,07%. Pela planilha apresentada no encontro, a Bandeira I passaria de R$ 4,86 para R$ 5,25. Já a Bandeira II subiria de R$ 5,95 para R$ 6,43. A chamada “hora parada” também teria reajuste, passando de R$ 31,83 para R$ 34,40.
Durante a discussão, o representante da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Raul José da Costa, questionou quando havia ocorrido o último reajuste tarifário do serviço. Segundo o presidente do Comutran, Lucas Lopes Estevam, a última atualização das tarifas dos táxis havia ocorrido em março de 2024.
Após os debates, a proposta foi colocada em votação e aprovada por unanimidade entre os conselheiros presentes. Mesmo assim, o reajuste segue sem definição até hoje.
Tarifa técnica dos ônibus
Outro ponto debatido durante a reunião foi a tarifa técnica do transporte coletivo urbano, assunto que meses depois se tornaria um dos principais temas de discussão na cidade durante a crise envolvendo a greve dos motoristas.
Na ocasião, o presidente do Comutran apresentou planilha de reajuste técnico apontando valor de R$ 6,5873 por passageiro.
A chamada tarifa técnica representa o custo real do sistema de transporte coletivo por usuário transportado, levando em consideração despesas operacionais, combustível, manutenção, folha salarial e demais custos do serviço.
O valor apresentado na reunião de dezembro praticamente coincide com os números posteriormente utilizados pela Prefeitura durante as negociações envolvendo o transporte coletivo.
Greve
O tema ganhou força principalmente após a greve dos motoristas do transporte coletivo, iniciada em abril deste ano.
Durante dois dias, Divinópolis enfrentou paralisação total dos ônibus, afetando milhares de trabalhadores, estudantes e usuários que dependem diariamente do sistema. O movimento envolveu cerca de 280 profissionais e foi motivado por reivindicações salariais e condições de trabalho.
Após negociações mediadas pela Prefeitura entre o Consórcio TransOeste e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sinttrodiv), foi firmado acordo que encerrou a paralisação.
Entre os pontos acordados estavam reajuste salarial para os trabalhadores, manutenção do plano de saúde e aumento no ticket alimentação. Poucos dias depois, a Prefeitura oficializou o reajuste das tarifas do transporte coletivo por meio do Decreto Municipal nº 17.325/26.
Preço da passaginha
Com a mudança, que entrou em vigor em 1º de maio, a tarifa paga em dinheiro passou de R$ 4,15 para R$ 6,00. Já para os usuários do cartão DivPass, o valor subiu de R$ 3,65 para R$ 5,50. No caso do serviço noturno, conhecido como “Corujão”, os valores passaram para R$ 8,25 no cartão e R$ 9,00 em dinheiro.
O reajuste representou aumento superior a 50% em algumas modalidades e encerrou um período de cinco anos sem atualização nas passagens do transporte coletivo em Divinópolis. Segundo a administração municipal, a medida foi necessária diante da situação financeira do sistema.
Déficit milionário
Durante as discussões sobre o reajuste, a Prefeitura informou que o transporte coletivo acumulava déficit superior a R$ 10,2 milhões apenas nos primeiros meses de 2026.
Entre os fatores apontados para o desequilíbrio financeiro estavam o aumento no preço do óleo diesel, custos operacionais, despesas trabalhistas e a defasagem tarifária acumulada ao longo dos últimos anos.
A administração municipal também decidiu encerrar o subsídio que vinha sendo utilizado para manter a tarifa artificialmente mais baixa.
Até então, recursos públicos eram usados para complementar parte do custo das passagens. Com o novo modelo, cerca de R$ 8 milhões previstos para subsídios em 2026 deverão ser redirecionados para investimentos na educação.
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