Com temporais, Minas intensifica buscase adianta verbas a municípios atingidos

Lucas Maciel
O Governo de Minas Gerais detalhou, nesta semana, o conjunto de ações emergenciais adotadas para enfrentar os impactos das fortes chuvas que atingem a Zona da Mata. A região vive um dos episódios mais graves dos últimos anos, com dezenas de mortes confirmadas, desaparecidos, milhares de desalojados e bairros inteiros afetados por deslizamentos de terra e alagamentos.
Em coletiva realizada na sede da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), em Juiz de Fora, o governador Romeu Zema (Novo) e o vice-governador Mateus Simões (PSD) apresentaram o panorama atualizado das ocorrências e as medidas adotadas nas cidades mais atingidas: Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa.
Vítimas
O número de vítimas fatais na região já ultrapassa cinco dezenas, concentrando-se principalmente em Juiz de Fora. Também há registros de desaparecidos, e as equipes seguem em buscas nos pontos mais críticos. Desde o início das ocorrências, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais realizou dezenas de resgates com vida, retirando moradores de áreas soterradas ou isoladas pela água.
As operações, no entanto, enfrentam dificuldades. Durante a madrugada, as buscas chegaram a ser temporariamente suspensas devido ao grande volume de chuva e ao risco iminente de novos deslizamentos. O solo permanece encharcado, o que eleva o risco geológico e exige monitoramento contínuo de encostas.
A Polícia Civil de Minas Gerais mantém uma força-tarefa de médicos-legistas para agilizar a identificação das vítimas, enquanto a Polícia Militar de Minas Gerais atua no isolamento de áreas de risco, controle de tráfego e apoio às evacuações.
Ao todo, mais de 550 agentes das forças estaduais estão mobilizados na região, incluindo também equipes da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.
Cenário de calamidade
Segundo o governo estadual, em poucas horas choveu, em Juiz de Fora, praticamente o equivalente ao volume previsto para um mês inteiro. A intensidade da precipitação provocou deslizamentos de terra em áreas de encosta, transbordamento de córregos e alagamentos em diversos bairros.
Vias foram interditadas, pontes ficaram comprometidas e o transporte coletivo passou a operar em regime especial, com alterações de rotas conforme as condições das ruas. Autoridades pedem que a população evite deslocamentos não essenciais, a fim de permitir que as equipes de resgate e limpeza atuem com maior agilidade.
Diante da gravidade do cenário, Romeu Zema decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais. O governador manifestou solidariedade às famílias atingidas e afirmou que o foco do Estado é salvar vidas e garantir suporte imediato aos municípios.
Antecipação de recursos
Além da mobilização operacional, o Governo de Minas anunciou a antecipação de repasses financeiros às prefeituras. Segundo o Executivo, todas as administrações municipais têm valores a receber do Estado, e a decisão foi adiantar o equivalente a um ano dessas verbas.
Juiz de Fora deverá receber cerca de R$ 38 milhões, enquanto Ubá terá mais de R$ 8 milhões liberados de forma antecipada. Os recursos poderão ser utilizados em ações emergenciais, assistência social, reconstrução de infraestrutura urbana, limpeza pública e apoio direto às famílias desalojadas.
O vice-governador Mateus Simões reforçou o alerta para que moradores deixem áreas de encosta enquanto persistirem as chuvas. Ele destacou que o terreno excessivamente úmido amplia o risco de novos deslizamentos, mesmo em locais onde não houve ocorrências iniciais.
Abrigos e assistência social
Milhares de pessoas ficaram desabrigadas ou desalojadas desde o início da semana. Em Juiz de Fora, escolas da rede municipal foram adaptadas para funcionar como abrigos temporários, oferecendo alimentação, colchões e apoio psicossocial às famílias.
As doações estão sendo centralizadas por meio da campanha SOS Águas, coordenada pelo Servas. Caminhões com kits de higiene, limpeza e itens básicos já foram enviados de Belo Horizonte para a Zona da Mata.
Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais aponta que Juiz de Fora está entre as cidades brasileiras com maior número de moradores em áreas de risco para deslizamentos e enchentes, com cerca de 23% da população vivendo em regiões vulneráveis, fator que agrava os impactos de eventos climáticos extremos.
São Paulo
Enquanto Minas Gerais concentra esforços na Zona da Mata, o estado de São Paulo também registra impactos significativos das chuvas. De acordo com a Defesa Civil paulista, 457 pessoas estavam desabrigadas até a manhã desta quinta-feira, 26.
O município mais afetado é Peruíbe, no litoral, que concentra 380 desabrigados. Em apenas sete dias, o volume acumulado de chuva na cidade chegou a 487 milímetros, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), representando cerca de 65% da média anual.
Outras cidades do litoral e do interior também registraram ocorrências, como Guarujá, Mongaguá, Ilhabela e Bertioga. Houve transbordamento de rios, alagamentos em áreas centrais e quedas de árvores, com moradores temporariamente isolados.
No interior paulista, municípios como Bragança Paulista, Atibaia e Monte Mor enfrentaram deslizamentos de terra, enxurradas e danos estruturais. Em alguns casos, famílias foram encaminhadas para casas de parentes até que a situação seja normalizada.
O Governo de São Paulo mantém a Operação SP Sempre Alerta e ampliou o envio de ajuda humanitária às regiões atingidas. Uma reunião estratégica com órgãos municipais e estaduais foi convocada para reforçar ações preventivas diante da previsão de continuidade das chuvas, principalmente no litoral.
Alerta contínuo
Com previsões meteorológicas indicando manutenção das instabilidades atmosféricas, Minas Gerais e São Paulo seguem em estado de atenção. A prioridade das autoridades é preservar vidas, garantir abrigo às famílias afetadas e avançar na reconstrução das áreas atingidas assim que as condições climáticas permitirem.
Enquanto isso, as equipes permanecem mobilizadas 24 horas por dia, em um esforço conjunto para reduzir danos e oferecer suporte às populações impactadas por mais um episódio extremo de chuva no Sudeste brasileiro.
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