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Consumo dos Lares Mineiros tem expansão de 2% no trimestre

Consumo dos Lares Mineiros tem expansão de 2% no trimestre

Jorge Guimarães

O consumo nos supermercados de Minas Gerais apresentou um desempenho positivo no primeiro trimestre de 2025. Segundo o Índice de Consumo dos Lares Mineiros, pesquisa mensal realizada pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), houve um crescimento de 2,01% nas vendas entre janeiro e março, em comparação com o mesmo período de 2024.

Março

O levantamento, que abrange empresas supermercadistas de todo o estado, também apontou uma alta de 2,11% no consumo em março deste ano, em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados indicam uma tendência de recuperação gradual no setor, impulsionada pela estabilidade nos preços de alimentos e pela retomada do poder de compra das famílias mineiras. Economistas destacam que esse crescimento está relacionado a fatores como a desaceleração da inflação de alimentos, o reajuste do salário mínimo no início do ano e a liberação de benefícios sociais, que injetaram recursos extras no orçamento familiar. Além disso, o crédito mais acessível e a melhora dos índices de emprego também contribuíram para esse avanço.

“O bom desempenho reforça a importância do setor supermercadista como termômetro do consumo das famílias e destaca a resiliência do comércio alimentar, mesmo em um cenário econômico ainda desafiador. Mantido esse ritmo, o setor pode encerrar o primeiro semestre com resultados ainda mais expressivos, caso a política de juros favoreça o consumo e o cenário inflacionário continue sob controle”, avalia o economista Lázaro Ribeiro.

Expansão

O Índice de Consumo dos Lares Mineiros é deflacionado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostrou que, em relação a fevereiro, houve uma expansão na demanda de 9,36%.

“Este é um desempenho eminentemente influenciado pelo calendário. Foram três dias a mais de vendas em março, além disso, tivemos cinco finais de semana em março, contra quatro em fevereiro”, explica o presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala.

Sábado

Tradicionalmente, o final de semana, especialmente o sábado, continua sendo o período de maior demanda no setor supermercadista. A preferência dos consumidores por realizar as compras nesse dia reflete a rotina das famílias, que aproveitam o tempo livre fora do expediente para abastecer a despensa e fazer compras mais completas. Itens de maior giro, como hortifrúti, carnes e produtos de mercearia, são os mais procurados nesse período.

Além da conveniência do tempo disponível, o sábado também costuma reunir promoções específicas, que os supermercados utilizam para fidelizar o público e estimular o consumo. Já o domingo, apesar de registrar menor movimento, também tem ganhado espaço, especialmente com o funcionamento de lojas em formato reduzido e a busca por compras de última hora.

“A concentração do consumo no fim de semana reforça a importância do planejamento estratégico dos varejistas, tanto na logística quanto no atendimento ao cliente, visando proporcionar uma experiência de compra eficiente e agradável, mesmo nos horários de pico”, pontua Ribeiro.

Crescimento

O presidente executivo da Amis avalia que o crescimento em relação ao primeiro trimestre do ano passado está alinhado com a projeção do setor para o ano, que é de avanço de 3,30% no consumo.

“É um desempenho que sinaliza que estamos alinhados com a projeção anual, porém, o primeiro trimestre é bastante atípico, porque inclui o período de férias e o carnaval, o que, para algumas regiões, é positivo, mas para outras significa a perda de consumidores”, pondera Claret. “De agora em diante, o consumidor estará mais livre das despesas de início de ano. Esperamos também um endividamento menor das famílias, o que pode nos dar mais previsibilidade quanto à demanda em nossas lojas”, explica.

Variação Regional

A análise regional do Índice de Consumo dos Lares Mineiros, divulgada pela Associação Mineira de Supermercados (Amis), revela diferenças no ritmo de consumo entre as diversas regiões do estado no primeiro trimestre de 2025. O maior crescimento foi registrado no Triângulo e Alto Paranaíba, com variação positiva acumulada de 2,52% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em contrapartida, a menor alta foi observada na região Norte/Noroeste, com um avanço de 1,34% no consumo. Já o Centro-Oeste, que inclui cidades com forte presença no setor de comércio e serviços, apresentou crescimento de 1,49% no acumulado. Cidades como Divinópolis, polo econômico da região Centro-Oeste, contribuem de forma significativa para o desempenho do setor supermercadista local.

“Com um comércio ativo e diversificado, a cidade vem apresentando sinais de recuperação no consumo, impulsionada por eventos sazonais, aumento da oferta de vagas no varejo e ações promocionais estratégicas adotadas pelos estabelecimentos”, detalha Lázaro.

Perfil dos Consumidores

Os dados reforçam que, embora o consumo tenha avançado em todo o estado, o desempenho varia de acordo com fatores regionais, como renda média da população, geração de empregos, perfil dos consumidores e oferta de serviços. No Triângulo e Alto Paranaíba, por exemplo, a forte atividade agroindustrial e a estabilidade econômica local contribuem para um maior dinamismo no varejo alimentar.

“A expectativa é de que, ao longo do ano, outras regiões também apresentem recuperação mais expressiva, especialmente se o cenário macroeconômico seguir favorável, com controle da inflação e estímulo ao consumo das famílias”, finaliza Claret.

Geração de Empregos

O crescimento do consumo nos lares mineiros tem se mostrado um importante termômetro da recuperação econômica e um fator direto para o fortalecimento do mercado de trabalho. Com o aumento da demanda por produtos e serviços, especialmente nos setores de comércio e serviços, há uma necessidade natural de expansão das equipes e contratação de novos profissionais.

Segundo dados recentes, a elevação no volume de compras em supermercados e outros segmentos tem estimulado empresas a reforçarem seus quadros para atender melhor ao consumidor. Isso é particularmente relevante em Minas Gerais, onde o setor terciário representa uma parcela significativa da geração de empregos formais.

Especialistas apontam que esse ciclo virtuoso, iniciado com a confiança do consumidor e a melhora do poder de compra, pode ser sustentado com políticas que incentivem o crédito, a formalização de empregos e o fortalecimento do comércio regional.

“Assim, o aumento do consumo nos lares mineiros não apenas aquece a economia, como também representa um passo importante na recuperação e expansão do emprego em Minas Gerais”, finaliza o economista.

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