Consumo nos supermercados mineiros cresce 2,82% no primeiro semestre de 2025

Jorge Guimarães
A demanda dos consumidores nos supermercados de Minas Gerais apresentou crescimento de 2,82% no primeiro semestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Índice de Consumo dos Lares Mineiros, referente a junho deste ano, em levantamento mensal realizado pela Associação Mineira de Supermercados (Amis).
Recuperação
O desempenho positivo reforça a importância do setor supermercadista para a economia estadual, refletindo a recuperação gradual do poder de compra das famílias, impulsionada por fatores como a estabilidade da inflação e o comportamento mais previsível dos preços dos alimentos.
Para o economista Lazaro Ribeiro, o crescimento no consumo é resultado de uma combinação de fatores.
— Observamos uma desaceleração na inflação de alimentos e uma leve recuperação do emprego, o que permite às famílias voltarem a consumir com um pouco mais de segurança. Ainda é um avanço tímido, mas significativo dentro do contexto econômico atual — analisa.
O economista destaca ainda o papel das estratégias adotadas pelos supermercados para estimular as vendas.
— As redes têm investido fortemente em ações promocionais, programas de fidelidade e diversificação de produtos, o que atrai o consumidor e ajuda a manter o setor em movimento, mesmo diante de um cenário de crédito restrito e endividamento elevado — afirma.
Expansão
A movimentação dos consumidores nos supermercados mineiros continua em trajetória de alta. Na comparação com junho de 2024, o crescimento registrado foi de 2,30%, segundo dados da mesma pesquisa. Sendo a mesma, deflacionada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para Lázaro, o resultado confirma uma tendência de recuperação gradual do consumo, impulsionada por fatores como a desaceleração da inflação e uma leve melhora no mercado de trabalho.
— Esse crescimento, mesmo que modesto, é relevante porque mostra que o consumidor está voltando às compras com mais frequência. A estabilidade nos preços de itens básicos, combinada com uma renda um pouco mais previsível, favorece esse movimento — explica.
Ainda segundo Lázaro, o índice da Amis é um importante termômetro da economia estadual.
— Por monitorar o consumo real, descontada a inflação, ele revela o comportamento das famílias de forma concreta. E o fato de esse avanço ocorrer de forma consistente, mesmo diante de desafios como o endividamento e o crédito caro, é um sinal positivo para o varejo e para a economia como um todo — analisa.
A expectativa, segundo o economista, é de que o segundo semestre mantenha esse ritmo de crescimento, com destaque para datas comemorativas e períodos de maior aquecimento no setor, como o Dia dos Pais, a Black Friday e o Natal.
— Tudo vai depender da manutenção da estabilidade econômica e da confiança do consumidor. Se esses fatores se mantiverem, os supermercados tendem a registrar um segundo semestre ainda mais aquecido — conclui.
Junho
Na comparação entre junho e maio deste ano, o resultado foi negativo, com queda de -3,86% na média geral das empresas.
— Tradicionalmente, junho apresenta esse comportamento em nossa pesquisa, exceto se houver alguma ocorrência muito atípica de diminuição do consumo em maio, que represente uma base baixa de comparação — explica o presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala.
Como não há uma sazonalidade relevante que altere significativamente a demanda nesse mês, o setor considera normal a redução observada em junho, atribuída a alguns fatores.
— Um dos motivos é o calendário: junho tem 30 dias, contra 31 em maio, o que eleva a base de comparação. Por outro lado, os produtos mais procurados em junho, os juninos, não representam um valor agregado suficiente para impactar fortemente os índices de consumo — pondera Claret.
Dentro das projeções
No entanto, Claret ressalta que o crescimento observado no semestre, em relação ao mesmo período de 2024, está de acordo com as projeções do setor para 2025, que estimam uma expansão de 3,30% para o ano.
— É uma expansão consolidada da demanda, sem grandes elevações, mas também sem indicar motivos de preocupação até o momento. O estado apresenta um ambiente econômico favorável, com uma taxa de desemprego baixa, portanto, acreditamos em um segundo semestre ainda melhor do que o primeiro — projeta o executivo da entidade.
Variação regional
Ainda, segundo a pesquisa, todas as regiões do estado registraram queda na movimentação de consumidores, no mês de junho, com destaque para o Norte/Noroeste, que apresentou a redução mais acentuada (-4,46%). Já o Centro-Oeste mineiro teve o recuo mais moderado (-3,25%).
O gerente de uma loja de rede de supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira, avalia que o movimento já era esperado.
— Junho costuma ser um mês de ajustes para muitas famílias, principalmente após gastos com festas e promoções em datas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados. Notamos que o consumidor fica mais cauteloso, focando em itens essenciais e deixando de lado produtos supérfluos — comenta.
Segundo ele, o setor aposta em ações promocionais mais agressivas e no reforço do relacionamento com o cliente para reverter o cenário.
— O desafio agora é manter o consumidor motivado a voltar às lojas. Estamos trabalhando com ofertas pontuais e um atendimento mais próximo, entendendo as necessidades reais de cada perfil de cliente — finaliza.
Setor inaugura 26 lojas
Há também de lembrar que o setor supermercadista mineiro no primeiro semestre deste ano, trouxe boas notícias para consumidores e para a economia do estado. É que segundo dados da Amis, foram inauguradas 26 novas lojas em Minas Gerais, abrangendo diferentes formatos e distribuídas por todas as regiões. Juntas, essas unidades geraram 2.915 empregos diretos, fortalecendo o setor como um dos grandes empregadores do estado.
— A abertura dessas lojas representa não apenas mais oportunidades de trabalho, mas também maior conveniência e variedade para o consumidor mineiro, que passa a contar com novas opções de produtos, serviços e experiências de compra. Além do impacto direto na economia, a expansão também favorece a concorrência e a melhoria dos serviços oferecidos, com lojas investindo em tecnologia, sustentabilidade e atendimento personalizado para se destacarem em um mercado cada vez mais competitivo — finaliza Ribeiro.
Foto/Divulgação/Amis
A movimentação dos consumidores nos supermercados mineiros continua em alta
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