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Economia

Preço do leite tem queda nas gôndolas

Preço do leite tem queda nas gôndolas

Jorge Guimarães

O preço do leite em Minas Gerais voltou a recuar pelo segundo mês consecutivo, gerando reflexos positivos para o consumidor final. A redução, que começa ainda no campo, já pode ser percebida nas prateleiras dos supermercados e impacta diretamente o custo de produtos derivados e preparações cotidianas, como o tradicional café com leite e bebidas achocolatadas.
O leite, considerado um item básico da cesta de consumo das famílias brasileiras, tem forte peso no orçamento doméstico. A queda no preço, mesmo que pequeno, chega em boa hora, especialmente em um cenário de recuperação econômica gradual.

Expectativa

A tendência de queda no preço do leite deve se manter nos próximos meses, desde que haja equilíbrio entre a oferta e a demanda. A análise é do economista Lázaro Ribeiro, que destaca que o cenário atual favorece o consumidor, mas impõe desafios importantes aos produtores rurais.
— A expectativa é de que o cenário continue favorável em relação aos preços, com possível manutenção ou até novas quedas moderadas, especialmente se as condições climáticas colaborarem com a produção e o consumo seguir em ritmo controlado — explica Ribeiro.
No entanto, ele alerta que, para quem está na ponta da produção, a situação exige atenção redobrada.
—Mesmo com maior disponibilidade de leite, os produtores precisam enfrentar a retração nos preços pagos pelas indústrias e laticínios. Isso pressiona a margem de lucro e exige uma gestão muito eficiente dos custos —analisa o economista.
A sustentabilidade financeira do setor leiteiro, segundo Ribeiro, passa por ações estratégicas dentro da propriedade rural.
— É fundamental investir em produtividade, qualidade do leite e controle de despesas, para que o produtor não seja pego de surpresa com a instabilidade do mercado —analisa.

Divinópolis

Os consumidores de Divinópolis já estão sentindo no bolso a queda no preço do leite UHT, popularmente conhecido como leite de caixinha. Em uma das principais redes de supermercados da cidade, o litro do produto, que chegou a custar até R$ 6,20 nos últimos meses, sofreu redução de 15% a 20%, conforme a marca e o tipo.
De acordo o gerente de uma unidade, Walter Wagner, a diminuição é reflexo da retração no consumo registrada nas prateleiras.
— Percebemos uma resistência do consumidor em pagar os preços mais altos, o que levou a uma queda na demanda. Isso fez com que o setor se ajustasse e os fornecedores repassassem valores mais baixos, o que agora está sendo repassado ao cliente — explicou.
A redução tem sido bem recebida por quem precisa incluir o produto no carrinho com frequência. A dona de casa Maria das Graças Almeida conta que ficou surpresa com a mudança.
— Semana passada paguei R$ 5,29 na mesma marca que estava quase R$ 6. Dá um alívio para gente, porque aqui em casa são três filhos e o leite é diário — disse.
O autônomo Paulo Henrique também comemorou a queda.
— Eu consumo muito leite com café e achocolatado. Quando passou de R$ 6, tive que diminuir. Agora, com o preço caindo, já voltei a levar mais caixas para casa — afirmou.
Segundo Walter, a expectativa é de que o preço se mantenha em patamar mais acessível enquanto houver equilíbrio entre oferta e demanda.
— Estamos monitorando o comportamento do mercado. Se o consumo voltar a subir com os novos valores, é possível que tenhamos um período de estabilidade nos preços — concluiu.

Pesquisa

Mesmo com a recente queda no preço do produto no estado, especialistas alertam que o consumidor deve continuar atento na hora de fazer suas compras. Assim, o economista Lazaro Ribeiro reforça a importância da pesquisa de preços e destaca que o valor final pode variar bastante conforme o tipo de leite, a marca escolhida e o local de compra.
— Apesar da redução observada nos últimos dois meses, é fundamental comparar antes de levar o produto. A diferença entre marcas e estabelecimentos pode ser significativa — afirma Lazaro.
Segundo ele, as redes de supermercados ainda são a melhor opção para quem busca economia.
— Supermercados maiores têm mais poder de negociação com os fornecedores, compram em grande escala e, por isso, conseguem repassar preços mais baixos ao consumidor final. Já nos comércios menores, como mercearias e padarias, os preços tendem a ser um pouco mais altos por conta do volume de compra reduzido e da margem menor de negociação — completa.
Consumidores confirmam essa diferença no dia a dia. A aposentada Neuza Martins conta que aprendeu a não comprar leite no primeiro lugar que vê.

— Teve semana que fui em três mercados diferentes antes de comprar. Consegui pagar R$ 4,89 em um, enquanto no outro estava R$ 5,59. Para quem consome sempre, isso faz muita diferença — relatou.
O estudante Rafael Souza também compartilha a estratégia que adotou com a família.
— A gente já tem o costume de olhar as promoções pelo aplicativo do mercado. E quando está mais barato, aproveitamos para levar logo mais caixas, porque depois pode subir — disse.
Já a diarista Luciana Andrade destacou que, mesmo em comércios menores, às vezes vale a pena perguntar.
— Tem uma mercearia perto de casa que não é tão barata, mas quando compro outras coisas junto, eles fazem um preço melhor no leite. Tem que conversar — afirmou.

Mercado

A recente queda no preço do leite, tem origem no campo. Entre os meses de maio e junho, produtores rurais de Minas Gerais receberam, em média, 4% a menos por litro de leite vendido às cooperativas e laticínios. O impacto na ponta da cadeia começou com uma necessidade urgente de escoar a produção diante de um mercado mais abastecido e preços em queda.
Para o produtor rural José Augusto Silva, de Divinópolis, o momento é desafiador.
— A gente sente o baque. O custo para manter o rebanho continua alto, principalmente agora, na época da seca, quando temos que reforçar a alimentação dos animais com ração e silagem. Mesmo assim, o preço pago pelo leite caiu. Tivemos que aceitar, senão corre o risco de perder o produto — disse.
Segundo também o produtor Anael Rodrigues, o aumento da oferta contribuiu para essa redução nos preços.
— Nesta época do ano a produção costuma subir porque tratamos mais do gado, compensando a falta de pasto. Mas como todo mundo produz mais, o mercado fica cheio de leite e os laticínios começam a baixar o preço — explicou.
Lazaro Ribeiro analisa que o movimento é típico do período, mas que merece atenção.
— Com a produção aquecida e o consumo ainda em ritmo lento, o mercado fica pressionado. Laticínios e cooperativas, diante de uma oferta elevada, adotam políticas de redução de preços para evitar acúmulo e prejuízo. E esse efeito em cascata chega até o varejo — pontua.
Lazaro destaca ainda que o desafio agora é encontrar um ponto de equilíbrio.
— Se por um lado a queda de preços beneficia o consumidor, por outro, o produtor sente o impacto direto na renda. É preciso políticas de apoio e planejamento para que essa variação não comprometa a sustentabilidade da cadeia produtiva do leite. Enquanto isso, os produtores seguem atentos ao clima, à oscilação do mercado e às estratégias para manter a produção viável mesmo em tempos de incerteza — pontua.

Momento atípico

Mesmo em período de entressafra, quando tradicionalmente se espera uma alta nos preços do leite, o valor médio pago ao produtor em Minas Gerais registrou queda pelo segundo mês consecutivo, segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Motivo o qual, os analistas de mercado, atribuem essa retração a um desequilíbrio entre oferta e consumo.
—Essa queda é atribuída ao aumento da oferta de leite e a um consumo enfraquecido, que não acompanha o ritmo da produção. Mesmo em plena entressafra, que normalmente encarece o produto, estamos observando uma pressão para baixo nos preços, o que mostra um comportamento atípico do mercado — conclui Ribeiro.

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