Cesta Básica em Divinópolis fica mais barata em junho e alivia orçamento das Famílias

Jorge Guimarães
O custo médio da cesta básica de alimentos em Divinópolis apresentou queda significativa em junho de 2025. De acordo com pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis, o valor médio registrado foi de R$ 660,81. O montante representa uma redução de 4,71% em relação ao mês de maio, quando a cesta custava R$ 693,51.
Acompanhamento
A pesquisa reforça a importância do acompanhamento mensal dos preços dos itens essenciais para o consumo das famílias, principalmente em um cenário econômico ainda marcado por oscilações no poder de compra. A redução observada alivia, ainda que de forma pontual, o orçamento dos consumidores, especialmente das famílias de menor renda que sentem mais diretamente o impacto das variações no custo dos alimentos.
— A pesquisa destaca que fatores sazonais, dinâmica da oferta e procura, além de condições climáticas, influenciam diretamente na formação dos preços. Por isso, o monitoramento contínuo é fundamental para compreender o comportamento do mercado local e orientar tanto consumidores quanto comerciantes sobre as tendências nos preços dos produtos que compõem a cesta básica — avalia o economista Leandro Maia.
Baixas
De acordo com o organizador da pesquisa e professor da Faculdade Una Divinópolis, Wagner Almeida, a batata inglesa teve uma expressiva redução de 16,69%, favorecida pelo aumento da oferta no varejo, graças à intensificação das colheitas de inverno.
— O café em pó também apresentou queda de preço (-12,10%), reflexo do avanço da colheita da safra brasileira 2025/2026. Outras reduções registradas no período foram nos preços da manteiga (-9,91%), da banana prata (-5,52%) e do açúcar (-3,09%) — detalha o professor.
O economista Leandro Maia destaca que essas quedas pontuais refletem uma combinação de fatores produtivos e sazonais, mas alerta que o consumidor deve manter a atenção.
— Esses produtos sofrem forte influência da safra e do clima. A queda atual traz um alívio imediato, porém, é importante lembrar que a cadeia produtiva pode enfrentar desafios nos próximos meses, o que pode reverter essa tendência. Por isso, o consumidor deve aproveitar o momento para economizar ou diversificar a alimentação com os itens em baixa — orienta Maia.
Carne bovina
O preço da carne bovina também teve papel decisivo na redução do custo da cesta básica em Divinópolis no mês de junho. De acordo com a pesquisa o quilo da carne bovina de primeira apresentou uma queda expressiva de 11,61% em relação a maio.
Considerando que a carne bovina representa o maior peso na composição da cesta básica de alimentos, cerca de 39,3% do valor total, a redução contribuiu de forma significativa para o alívio no orçamento das famílias. O levantamento levou em conta os preços médios dos cortes tradicionalmente mais consumidos, como a chã de dentro e chã de fora.
Para o professor Wagner Almeida, organizador da pesquisa, essa retração está relacionada ao cenário de oferta ampliada no mercado interno e à diminuição da demanda em algumas regiões, fatores que acabam impactando diretamente nos preços ao consumidor.
Além disso, o economista reforça que o comportamento do preço da carne tem grande influência no custo geral da alimentação.
— Quando a carne bovina apresenta queda, o impacto no total da cesta é imediato, justamente pelo peso que ela carrega na composição. Esse movimento atual reflete uma combinação entre maior oferta no campo, estoques controlados e um consumo que ainda não voltou plenamente ao ritmo de antes — avalia Maia.
Para os consumidores, o momento foi visto com satisfação. A dona de casa Ana Lúcia Mendes contou que conseguiu comprar mais carne no último mês.
— Fazia tempo que eu não via a carne baixar tanto. Aproveitei para variar os pratos em casa e ainda economizar um pouco — afirmou.
Alivio
Os consumidores de Divinópolis sentiram um alívio no bolso com a queda no preço da cesta básica registrada em junho. A auxiliar de serviços gerais Maria das Graças Oliveira, que costuma fazer compras toda semana, comemorou.
— A batata e a banana ficaram bem mais em conta. Antes eu comprava só o básico, agora dá para levar um pouco mais sem pesar tanto no orçamento — disse.
O aposentado João Carlos Ferreira também percebeu a diferença.
— O café, que estava caro demais, abaixou um pouco. Eu não abro mão de um cafezinho todo dia, então qualquer redução já ajuda muito — ressaltou.
Altas
Em contrapartida às reduções registradas em produtos como a carne bovina, batata e café, a pesquisa apontou aumentos expressivos em alguns itens essenciais da cesta básica entre maio e junho de 2025.
O pão francês liderou as altas, com um aumento de 12,58%. Produto de consumo diário em muitos lares, o pão segue sendo um dos itens mais sensíveis às variações de custo da cadeia do trigo e da energia, fatores que influenciam diretamente o preço final nas padarias.
A dona de casa Rosa Maria Carvalho sente no bolso.
— O pãozinho do café da manhã ficou mais caro de novo. Toda semana noto uma diferença no valor da dúzia — detalha a dona de casa.
O tomate também registrou um acréscimo de 8,75% no período. A variação é explicada por fatores sazonais e climáticos, que afetam a produção e, consequentemente, o abastecimento do mercado. Já o feijão, alimento fundamental na mesa dos brasileiros, subiu 4,73%, pressionando o orçamento das famílias.
O economista Leandro Maia destaca que esses aumentos refletem o comportamento instável de produtos agrícolas e de panificação.
— Apesar das quedas em produtos como a carne e o café, itens como pão, tomate e feijão continuam sujeitos a fatores externos como clima, logística e custo de produção. Por isso, o consumidor precisa estar atento, diversificar o cardápio e buscar alternativas quando o preço de um produto sobe demais — orienta.
Pesquisa
A mais recente edição da pesquisa sobre o custo da cesta básica de alimentos em Divinópolis foi realizada entre os dias 23 e 27 de junho de 2025. O levantamento, conduzido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (NEPES), da Faculdade Una Divinópolis, coletou preços em sete supermercados da cidade que possuem, em sua estrutura, açougue, padaria e hortifruti.
A Cesta Básica de Alimentos analisada é composta por 13 produtos essenciais que atendem às necessidades nutricionais mínimas de um trabalhador adulto ao longo de um mês. Os itens são selecionados de forma a garantir uma alimentação equilibrada, que forneça as quantidades adequadas de proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais para a manutenção da saúde e do bem-estar.
De acordo com o Nepes, a pesquisa contínua permite acompanhar as oscilações de preços e o impacto dessas variações no custo de vida da população. Além de servir como referência para consumidores e formadores de políticas públicas, o estudo também orienta o planejamento de gastos das famílias, especialmente em tempos de instabilidade econômica.
Salário
Em junho de 2025, o trabalhador que recebe um salário mínimo líquido, já com o desconto de 7,5% referente à contribuição para a Previdência Social, comprometeu, em média, 47,1% da sua renda para adquirir a cesta básica em Divinópolis.
O percentual representa uma leve melhora em relação a maio, quando o comprometimento da renda com a cesta básica era de 49,4%. Essa redução no peso da cesta sobre o orçamento está diretamente relacionada à queda no preço médio dos alimentos essenciais no período.
Apesar da diminuição, o economista Leandro Maia alerta que o custo da alimentação ainda consome uma parcela significativa do salário mínimo.
— Quase metade da renda mensal de quem recebe o piso nacional ainda é destinada apenas para suprir as necessidades alimentares básicas. Isso limita o poder de compra do trabalhador e restringe o consumo de outros bens e serviços importantes para a qualidade de vida — finaliza.
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