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Saúde

Contrato de gestão do Hospital Regional de Divinópolis é assinado

Por Bruno
Contrato de gestão do Hospital Regional de Divinópolis é assinado

Da Redação

A assinatura do contrato de gestão do Hospital Regional de Divinópolis marcou um novo capítulo para a unidade de saúde que, desde 2009, se tornou símbolo de promessas, paralisações e disputas políticas no Centro-Oeste mineiro. O acordo formaliza a transferência da administração para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Governo Federal, e reacendeu o debate entre lideranças locais sobre responsabilidades, prazos e condições reais de funcionamento.

Com o contrato de gestão em vigor, inicia-se agora a fase considerada decisiva: a estruturação operacional. Esse processo inclui concursos ou contratações, aquisição de equipamentos hospitalares, habilitação de leitos junto ao SUS e definição do cronograma de abertura por etapas.

Assinatura

O anúncio foi realizado nas redes sociais da secretária nacional de Finanças do PT, Gleide Andrade, que explicou os próximos passos após a assinatura do contrato de gestão. Segundo ela, o acordo autoriza a Ebserh a iniciar a fase de estruturação interna da unidade. Na prática, a estatal passa a ser responsável por contratar profissionais, adquirir equipamentos, organizar o orçamento e preparar o hospital para abertura gradual.

— A partir de agora, a Ebserh está autorizada a fazer a gestão do hospital. Ela vai começar a contratar o pessoal, montar o hospital e organizar o orçamento. Esse é o primeiro passo — afirmou. 

A dirigente petista avaliou que a medida acelera o cronograma e disse acreditar que a abertura poderá ocorrer antes do previsto, atribuindo o avanço ao apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Repercussão política

A cerimônia que oficializou a entrega do imóvel foi realizada na terça-feira, 10,e rapidamente repercutiu no meio político. Embora a conclusão da obra física tenha sido celebrada por diferentes agentes públicos, a avaliação sobre o estágio atual do hospital e o tempo necessário para que a unidade entre em operação divide opiniões.

A deputada estadual Lohanna França (PV) reconheceu o avanço, mas fez ressalvas quanto ao funcionamento. Segundo ela, a entrega do prédio não significa que o hospital esteja pronto para atender a população. A parlamentar destacou que ainda existem etapas burocráticas pendentes e cobrou agilidade do governo estadual na formalização da escritura do terreno. Poucas horas após a manifestação, o governador Romeu Zema (Novo) assinou o documento.

As críticas mais contundentes vieram de Gleide Andrade, que questionou a entrega da estrutura sem funcionamento imediato. Em publicação nas redes sociais, ela classificou o ato como uma “inauguração fake” e afirmou que o prédio ainda carece de médicos, equipamentos e estrutura operacional.

O que diz o outro lado

O prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo) demonstrou otimismo quanto ao cronograma e estimou que o hospital comece a funcionar parcialmente até meados de 2026, inicialmente entre 30% e 40% da capacidade. A avaliação é semelhante à de aliados políticos da base municipal.

O deputado federal Eduardo Azevedo (PL) destacou o esforço conjunto de lideranças regionais para viabilizar recursos e concluir a obra. Já o deputado federal Domingos Sávio (PL) relembrou a longa trajetória do empreendimento e defendeu a garantia de orçamento federal para custeio da unidade quando ela entrar em operação.

Histórico de atrasos

Anunciado em 2009 como equipamento estratégico para desafogar a rede hospitalar do Centro-Oeste mineiro, o Hospital Regional de Divinópolis enfrentou sucessivas interrupções ao longo dos anos. Problemas contratuais, falta de recursos e mudanças de gestão provocaram paralisações prolongadas, transformando a obra em tema recorrente do debate político local.

A retomada mais recente ocorreu após articulação entre diferentes esferas de governo para viabilizar a conclusão física do prédio e definir um modelo de gestão. A escolha pela Ebserh, que administra hospitais universitários federais, vinculou o futuro da unidade à Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), que utilizará o hospital também como campo de formação acadêmica.

Próximos passos

Apesar do embate político, há consenso entre as lideranças de que o hospital é fundamental para ampliar a capacidade assistencial da região. A expectativa oficial é que os primeiros atendimentos ocorram de forma gradual até o fim do primeiro semestre de 2026. A UFSJ fará uma reunião com a Ebserh, para alinhamento do planejamento rumo ao início dos atendimentos. 

Enquanto a população aguarda a abertura efetiva, o Hospital Regional permanece no centro de uma disputa narrativa que mistura cobrança por resultados, capital político e a esperança de que, após mais de uma década de espera, a unidade finalmente entre em funcionamento.

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