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Domingos Sávio Calixto

CREPÚSCULO DA LEI – Ano VI – CCLXXIII

Por Portal Agora
CREPÚSCULO DA LEI – Ano VI – CCLXXIII

DOMINGOS SÁVIO CALIXTO

Tropa de E.L.I.T.E*

(*) Especializada em Letalidade Intencional contra Todos os Excluídos. AVISO: Aqueles que defendem a ideia de que “bandido bom é bandido morto” recomenda-se a não leitura do texto abaixo e já ir procurando outras páginas deste jornal. FRASE DE ABERTURA: “Pode ir na ONU, na liga da justiça ou no raio que o parta. Eu não estou nem aí.” (Governador de São Paulo)

Em julho de 2023, a polícia paulista matou 28 pessoas (oficialmente) em uma operação em Guarujá. O nome era “operação escudo”. 

Nos dois primeiros meses de 2024, ainda em Guarujá, a polícia paulista já matou 54 pessoas (oficialmente), quase o dobro. O nome desta ação é “operação verão”.

Questionado sobre violações de Direitos Humanos, o governador de São Paulo mandou todos para o “raio que o parta” (vide frase acima).

Chama-se aos executores de “tropa de elite” (?). 

Ora, o que há de erro nas linhas acima?

Quase tudo.

Isto não pode ser chamado de polícia. Jamais. Muito menos de “elite”.  É correlato a grupo de extermínio. Da mesma forma, o sujeito tido como “governador” também está longe de sê-lo. É um desequilibrado.

Neste breve recorte de necropolítica, qual a relação da primeira ação com a segunda?

A completa ineficácia. 

De que adiantou o extermínio de 28 pessoas?

Nada.

E o extermínio de outras 54 pessoas?

Também nada.

Ou seja, resta apenas o espetáculo da hipocrisia teomiliciana que se alimenta do ódio e da violência para servir de combustível aos psicopatas que assumem cargos públicos bancados pela macrocriminalidade.

Este tipo de notícia envolvendo mortes de vulneráveis - a maioria negros e favelados - fazem o sono feliz de outros desequilibrados e ignorantes.

Uma pessoa dotada de um mínimo de humanidade, aliás, dotada de um mínimo fraternidade, deveria saber que muitos inocentes morreram nestas ações, e que tais ações são violações para além da lei e da constituição. São violações e falhas existenciais.

A questão reclamada é:

  1. Os envolvidos sequer usam câmeras tático-operacionais, sequer se identificam;
  2. Barracos são violados e pessoas são executadas;
  3. Outras pessoas são levadas ao local da ação e lá também são executadas;
  4. Ação de socorro é prejudicada;
  5. Locais de morte são violados e armas são “plantadas” junto às vítimas;

(...)

Lamenta-se que o Brasil não tenha uma fiscalização eficaz para conter tais abusos. Da mesma forma, o controle externo das policiais é uma orfandade constitucional.

Ao que parece, a classe baixa ainda vai continuar pagando com suas próprias vidas para que a vida tranquila que a corrupção fornece aos verdadeiros criminosos – invisíveis e protegidos pela mídia – continuem lucrando com o extermínio social.

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