Anões metidos a gigantes

CREPÚSCULO DA LEI - ANO VIII – CCCLXV
Em 1589, um cartógrafo europeu (belga) de nome Gerardus Mercator (1512 – 1594) desenvolveu o MAPA-MÚNDI que até hoje é estudado nas escolas e, a partir do qual tinha-se uma ideia de dimensão da área terrestre do planeta fazendo contraposição aos espaços de água distribuídos entre oceanos e mares.
Mesmo com a incessante ocupação de territórios, colonizações, guerras, criação de novos estados e nova nomenclatura de países dominantes, a porção terrestre do planeta se mostrou inalterada, fiel ao mapa de Mercator.
Ocorre que, neste mês de setembro, 4, a ONU – Sim, ela ainda existe! – aprovou uma resolução intitulada “CORRECT THE MAP”, estabelecendo um NOVO Mapa-Múndi com base em critérios conhecidos por “Projeção Equal Earth”, o qual trouxe uma justa corretiva cartográfica em favor da importância continental da América do Sul e, principalmente, da ÁFRICA.
Ora, depois de quase 500 anos desse domínio cartográfico eurocentrista, constatou-se que as novas dimensões de alguns países os fizeram mais reduzidos, principalmente em comparação com as super dimensões territoriais que se atribuía, até então, aos Estados Unidos e à Europa ocidental (?).
(As dimensões do Brasil se mantiveram praticamente) Nesse novo contexto, a imponência do continente africano não só se manteve, como também demonstrou que a grande mãe do planeta (“África”), em sua cartografia majestosa de 30,4 milhões de quilômetros quadrados, agora “engole” facilmente a Europa ocidental (10,4 milhões), os EUA (9,6 milhões), a China (também 9,6 milhões), e a índia (3,3 milhões) juntos, e ainda sobra espaço.
Na comparação com o domínio territorial de África, os EUA não ocupam nem o espaço do Saara. Nesta nova dimensão do Mapa-Múndi, seria necessário o somatório de EUA, Índia e Rússia para se chegar às medidas soberbas da grande África.
Sob tais análises, a primeira constatação é de vergonha. Sim, vergonha do eurocentrismo e suas práticas exploratórias, colonizadoras, exploradoras, xenofóbicas e racistas em relação à importância original do continente africano quando da elaboração do Mapa-Múndi de Mercator.
Por mais que o eurocentrismo anti-humano tenha atuado e ainda continua, no sentido de menosprezar a origem africana da humanidade, isto é um fato inquestionável, subestima-se que, desde os primeiros hominídeos (6 milhões de anos atrás), passando pelo Homo habilis (2,8 milhões de anos) até se chegar ao Homo sapiens (300 mil anos), foi a África que “amamentou” a todos.
Felizmente, a ciência comprova a pequenez de algumas ditas (pre)potências mundiais em relação à discrepante superioridade africana. Sem embargo, falta ainda, mas não tardará, ficar claramente demonstrado que o eixo colonizador do planeta – (Europa-EUA) não passa de bárbaros latrocidas, ladrões de cultura, conhecimento, terra, água e almas, mediante um rascunho grotesco de religiões da violência, filosofia da submissão e leis da opressão.
Há muita vergonha por vir.
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