(Vai-não vai) Triste poema do político indeciso

CREPÚSCULO DA LEI - ANO VIII – CCCLXI
Na praça hesitou um político de papelão,
Ora rosnou, ora pediu ao povo perdão;
Não se sabe se é tirano ou bom cristão,
Nem se candidato é, mas lágrimas lá estão —
Perdidas ao vento da grande indecisão.
Sabe-se da tua prosa que é feita de promessa,
Teu discurso, um brinquedo de criança,
Que quando o perigo balança, vai e atravessa
A porta do salão da pressa, soluçando e lançando
Toda a culpa no mundo pelo fim da festa.
Ó deuses do susto, não comam dessa covardia,
Que faz do medo sua única comida!
Se teu grande feito é nada decidir,
Entre Sim e Não, o Talvez construirá teu trono,
De dúvidas errantes que se farão perseguir.
Mesmo escondido, a noite da tolice lhe dará um bastão
E dele o povo rirá — e rirá dessa falsa majestade;
Pois quem não tem a coragem da escolha
Faz do palácio um berçário da decepção,
E dali governará não ela, mas um indeciso chorão.
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