Cinco etapas de controle de um país

Domingos Sávio Calixto
CREPÚSCULO DA LEI - ANO VIII – CCCLIX
1- MARGINALIZAR A ESCOLA, PROFESSORES E OS INTELECTUAIS, SUPRIMINDO AS FONTES DA CONSCIENCIA CRÍTICA COLETIVA – Povo é o componente educacional para se estabelecer uma democracia. Ele deveria ser preparado para ser origem e fonte do poder, e isso deve ser evitado. Portanto, é fundamental para a operacionalidade de um processo de alienação social impedir a formação de um Povo. O ataque constante e permanente à estrutura educacional evita a formação do Povo, impedindo a concretização coletiva da memória histórica, inviabilizando a consciência de classe e produzindo a fonte necessária para todo regime autoritário: a multidão ignorante.
2- DIFUNDIR UMA FÉ RELIGIOSA ORIENTADA PELO INDIVIDUALISMO E POR MECANISMOS MORAIS QUE CRIAM INIMIGOS A SEREM ELIMINADOS - Essa etapa é também conhecida por CRISTOFASCISMO. Significa que a multidão ignorante vai compreender a pobreza como preguiça, também considerada como punição pelo não acatamento total à palavra de um deus que se manifesta por intérpretes bíblicos estelionatários e interlocutores falsários do divino. Nesse sentido, os intérpretes “da palavra” serão entendidos como os operadores financeiros das portas do paraíso e toda forma de caridade aos pobres deve ser castigada.
3- ELIMINAR A CRENÇA NA IMPRENSA PARA REDUZIR AS POSSIBILIDADES DA INTERVENIÊNCIA DE MÚLTIPLAS REALIDADES FÁTICAS – Essa etapa mantém a multidão ignorante distanciada dos possíveis confrontos críticos com os fatos apresentados. É fundamental que a multidão de ignorantes esteja criticamente incapacitada a reagir a qualquer narrativa que não seja aquela que se lhe é apresentada de forma “única e verdadeira”. A multidão ignorante deve mantida longe de veículos midiáticos que possam apresentar-lhe alguma possibilidade de ruptura do véu da estupidez que a acoberta.
4- POLARIZAR O ESPAÇO SOCIAL MEDIANTE O MANIQUEÍSMO DUALISTA DE ÚNICA REALIDADE DIVIDIDA ENTRE O BEM E O MAL - Polarizar o espaço político, mediante o dualismo maniqueísta da luta entre “o bem e o mal”, é fundamental para manter a multidão ignorante focada na luta contra o inimigo a ser eliminado, pois eles representam o “mal”. É crucial que esse inimigo seja sempre retirado de sua própria condição social, de tal sorte que o pobre, o homossexual, a mulher independente, o trabalhador autodeterminado, o macumbeiro, o negro, o comunista, o esquerdista (...) sejam representativos de parte da própria multidão ignorante, devendo serem exterminados por dissidência e por serem considerados malignos e “endemoniados”.
5- LEVAR AO PODER UM CANDIDATO MEDÓCOCRE E CORRUPTO, AO MODO SERVIL E CONIVENTE COM AS DETERMINAÇÕES DAQUELES QUE O COMANDAM – Esse é o fechamento pentafásico do método. A escolha de um corrupto é necessária para esse escolhido jamais se esqueça de que ele é um títere, um fantoche nas mãos daqueles que o “escolheram”. Ele deve sempre se utilizar de recursos morais, de palavras ambíguas, vagas e confusas, mas que sempre envolvam a divindade, a família e a pátria como exclusividades suas. Esse fantoche deve estar sempre ciente de que tem o “rabo preso” com a cúpula e que, caso o sistema se veja ameaçado, ele será o primeiro a ser sacrificado.
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