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Domingos Sávio Calixto

Um tartufo no governo

Um tartufo no governo

CREPÚSCULO DA LEI – Ano VI – CCLXXXI

Um tartufo no governo

Provavelmente a personagem mais cínica, dissimulada, vil, desprezível, hipócrita e manipuladora da literatura mundial é TARTUFO, da obra de Molière (1622 – 1673) que leva o mesmo nome.

O governo atual é ocupado por um Tartufo. Feito vindo da ficção, o Tartufo governador é cínico, dissimulado, vil, desprezível, hipócrita e manipulador.

Isto é o mínimo que se poderia dizer da história de um sujeito que chega à chefia de um governo prometendo austeridade e mente, aumentando seu próprio salário em mais de 300%, sem o menor constrangimento.

Esse Tartufo governador é um “ex- zé ninguém político” que chegou ao poder bancado, principalmente, por empresários da locação de veículos e da mineração. 

Assim eleito, tratou logo de conceder vantagens financeiras a eles, projetadas efusivamente no perdão de débitos e desmanche do sistema de fiscalização dos crimes contra o meio ambiente.

Usando seu notório cinismo, o Tartufo governador fez mudanças constantes nas chefias dos órgãos ambientais, conseguindo a proeza relevante de um desmatamento de quase 200 mil hectares nas florestas naturais do estado onde governa.

Como exemplo, o principal monumento natural da capital onde o Tartufo governador desgoverna, verdadeiro símbolo e cartão postal, é uma Serra que foi danificada na ordem superior dos R$ 50 milhões, em face da mineração irregular com anuência do Tartufo governador.

Como Tartufo legítimo, o governador não é adepto das satisfações muito claras. O tribunal de contas do estado do Tartufo governador suspendeu uma licitação irregular de mais de meio bilhão de reais para serviços de “reparos preventivos” na estrutura predial onde ele alega que “trabalha”.

Segue-se também que Tartufo governador foi denunciado na assembleia do seu estado por desvios em quase 90 milhões do Fundo de Erradicação da Miséria (FEM) devendo ser investigado por improbidade administrativa e crime de responsabilidade fiscal. Muito menos, bem menos que isso fez uma ex-Presidenta.

O Tartufo governador – que aumentou seu salário, mas não dos funcionários – é também caloteiro. Não paga a dívida do estado onde desgoverna desde quando assumiu o poder. A dívida era de 114 bilhões, mas o Tartufo governador já conseguiu fazer com que ela ultrapassasse o valor dos 160 bilhões. A meta do Tartufo é não pagar e fazer com ela passe dos 200 bilhões, tornando trágica a próxima administração, para seu deleite e delírio.

Corolário, o estado onde o Tartufo governador desgoverna é líder na lista negra do trabalho escravo, com mais de 40% dos casos registrados no país. Além disso, o estado do Tartufo governador também ocupa o segundo lugar nos casos de flagrantes envolvendo trabalho infantil, ou seja, um verdadeiro facilitador de atentados contra o direito menorista.

Recentemente o Tartufo governador apareceu em vídeo ladeado de outros. Diziam eles que as crianças do seu estado não eram obrigadas a se vacinar, algo medonho que oscila entre demagogia e necropolítica.

Há que se deixar claro que no estado onde o Tartufo desgoverna há sobras de recursos – parados – do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), mas o Tartufo prefere adotar práticas forçosas de municipalização das escolas estaduais

Obrigado, Molière, mas não pelo plágio.

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