Da violação de embaixada

CREPÚSCULO DA LEI – Ano VI – CCLXXVII
Domingos Sávio Calixto
A violação de uma embaixada é uma das mais graves ações contra o direito internacional. É um ato de barbárie, repudiado veementemente pela diplomacia moderna.
Ocorre que o governo equatoriano praticou tal incivilidade (5 de abril, sexta-feira), bem confirmando as práticas da extrema direita quando toma o poder. Sim, a extrema direita não respeita direito algum e o que ela necessita para qualquer abuso é a oportunidade de estar no poder.
Caso comparativo, no Brasil há o caso de um ex-presidente, líder de uma organização criminosa teomiliciana perigosíssima, especializada em vasta prática de crimes, desde corrupção, desvio, propina, genocídio, crimes contra o meio ambiente e até furto de joias. No entanto, esta figura desprezível ainda não foi presa – para a decepção de muitos – posto que no Brasil ainda há uma prevalência constitucional a ser obedecida.
Entretanto, no caso equatoriano as forças militares fascistas no poder invadiram a embaixada mexicana em Quito e prenderam violentamente a vítima, um político de esquerda chamado Jorge Glas.
Trata-se de um líder político progressista que chegou a ser vice-presidente naquele país, e foi responsável pela grande onda da “Revolução Cidadã” equatoriana.
Tal projeto de vanguarda buscava o fortalecimento dos movimentos de base mediante extensão máxima aos mais vulneráveis. Foram práticas em um período em que foi possível resguardar na Constituição do país grandes conquistas sociais e respaldos, não só para a soberania nacional, mas também para cultura dos povos originários, inclusive direitos fundamentais para a população indígena.
Além disso, o Equador conseguiu romper com a macrocriminalidade escravagista do Fundo Monetário Internacional (FMI) – possibilitando ao país renegociar contratos de petróleo e se fazendo protagonista na União de Nações Sul-Americanas (Unasul) .
Enfim, Jorge Glas contrariou profundamente o mercado exploratório neoliberal.
Como consequência, foi perseguido mediante Lawfare – nos moldes torturantes da Lava Jato – e foi “condenado” em 2017 e 2020 (prática repetida no Brasil conforme manuais de perseguição e guerra híbrida da CIA e FBI).
Jorge Glas permaneceu preso por 4 anos e havia conseguido recentemente o benefício da prisão domiciliar. Entretanto, com a vitória do fascista Daniel Noboa em 2023, passou a correr perigo em face das forças antidemocráticas que passaram a atuar no país.
Juridicamente, buscou asilo junto à embaixada do México, mas, conforme foi dito, fascistas de extrema direita desconhecem a lei quando tomam o poder, e a violação da Embaixada seguida da vergonhosa prisão da vítima aconteceu absurdamente.
O governo mexicano rompeu relações com o Equador e mandou recolher seu pessoal diplomático.
Ora, a extrema direita é estruturalmente criminosa quando está no poder, em qualquer lugar do mundo, conforme casos recentes de El Salvador e Argentina.
Não respeitam constituição alguma, leis ou garantias individuais. Os casos golpistas na América Latina sempre relatando esta atitude covarde e violenta contra as forças populares que conseguem a vitória eleitoral.
Neste sentido, percebe-se que o alvo atual dessa classe abominável de opulentos golpistas é o estado democrático de direito.
A extrema direita burguesa criou o estado moderno e a ONU para servi-la, mas agora vê a democracia como empecilho para suas pretensões ultracolonialistas.
A ONU já para mais nada serve.
Resta, pois, minar e partir para a destruição dos próprios estados modernos, fazendo internamente deles (estado ) meros hospedeiros de suas aviltantes pretensões parasitárias. Com êxito.
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