Delírio?

Enquanto não se confirma uma possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSD), ao governo de Minas, com apoio do presidente Lula (PT), as especulações sobre o processo eleitoral, "nadam de braçada". A última delas é a possibilidade de uma composição unindo o senador e o deputado federal Aécio Neves (PSDB). Pacheco, nesta formação, seria cabeça de chapa, e o ex-governador ou João Leite, vice. A ideia foi classificada como “delírio” por correligionários e pessoas próximas aos dois. Na vida real, pode ser sim. No entanto, em se tratando da política feita no Brasil e de interesses, tudo é possível.
Lados opostos
O questionamento de integrantes das siglas e daqueles que defendem com "unhas e dentes" os partidos é que, do lado do PSDB, a ideia inicial é que seja defendida por boa parte da sigla ser oposição ao presidente Lula (PT), na disputa. E aí que entra o principal entrave, visto que ele é defensor e apoiador de que Pacheco entre na disputa pela principal cadeira do Executivo de Minas. Porém, entretanto toda vida, como dito acima, quando se trata de negociações e acordos, essa questão de oposição, "cai por terra". Já que a intenção é: caso a chapa saia vencedora, Pacheco seria indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no meio do mandato - seu sonho de consumo - e Aécio assumiria o comando do Estado, o que seria a terceira vez. No caso de João Leite, o ex-deputado desistiria da busca por uma vaga na Câmara Federal para disputar o cargo. Portanto, só são hipóteses. Além do mais, se esqueceram que no meio do caminho tem um obstáculo duro de vencer de nome Cleitinho Azevedo (Republicanos), o preferido dos mineiros para o Palácio Tiradentes, como afirmam pesquisas.
No PSD
Enquanto Rodrigo Pacheco deixa a legenda para possivelmente se filiar ao PSB, outra especulação vislumbra a possibilidade de Romeu Zema migrar para o PSD, o qual Mateus Simões foi o primeiro a entrar. Essa alternativa foi proposta para que o ex-governador seja vice de Flávio Bolsonaro (PL). Porém, Zema nega veementemente. Por enquanto, ele insiste que permanece no Novo e que não desistiu de disputar a Presidência da República. Na visão dos apoiadores da troca de sigla, a ida para o PSD foi a alternativa encontrada na garantia de apoio a Simões, que até agora não "saiu do lugar" nas pesquisas. Pelo andar da carruagem, nem assim, pois o problema não é só Simões, há uma grande rejeição de apoio a Zema em Minas em qualquer cargo que ele esteja engajado ou vá disputar.
Uma mulher
Se Zema ainda teima em uma pré-candidatura ao Palácio do Planalto e não decide sua vida, do lado de onde ele poderia se integrar, a coisa anda. A senadora Tereza Cristina (PP) está cada vez mais perto de ser escolhida como vice de Flávio Bolsonaro (PL). A aposta em Romeu Zema é pelo fato de ele ser de Minas Gerais, estado que costuma ser decisivo em eleições presidenciais. Como ele segue em cima do muro, a fila anda. Já Tereza Cristina, na visão da cúpula do PL, atende a dois critérios considerados fundamentais: é mulher e do agro. E o setor é uma das molas propulsoras da economia brasileira. Além disso, ela foi ministra da Agricultura do ex-presidente Bolsonaro (PL). Acrescenta a isso ainda, que o Progressistas, seu partido, deve oficializar federação com o União Brasil, sigla onde a maior parte pertence e defende a direita.
Aprovado
Ainda dentro do nome Zema, os deputados mineiros aprovaram por unanimidade nesta terça, 24, em primeiro turno, o projeto de lei que prevê recomposição salarial de 5,4% para servidores públicos do estado. Foram 60 votos favoráveis e nenhum contra. Apesar da votação expressiva, parlamentares da oposição, como vinha criticando, consideraram a recomposição insuficiente. Mas, a situação também não ficou para trás. A ação do ex-governador, uma das últimas antes de deixar o cargo, também frustrou membros da bancada do PL com ligação a servidores das forças de segurança pública. O deputado Sargento Rodrigues, por exemplo, chamou o valor de “migalha". Agora, a proposta segue para análise em segundo turno e deve tramitar de forma rápida, já que precisa ser sancionada até 4 de abril, 180 dias antes das eleições, tempo limite para aprovação de reajustes em anos eleitorais. É claro que assim será, já que o pensamento nas urnas é o que interessa neste momento.
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