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Denúncias sobre ocupação da Praça do Santuário levam a nova ação de abordagem

Denúncias sobre ocupação da Praça do Santuário levam a nova ação de abordagem

Da Redação

A presença de pessoas em situação de rua na concha acústica da Praça Benedito Valadares, conhecida como Praça do Santuário, voltou a mobilizar debates em Divinópolis. Após denúncias e manifestações de moradores nas redes sociais sobre a ocupação do espaço público, a Prefeitura realizou nesta quarta-feira, 11, mais uma ação de abordagem social no local, com o objetivo de oferecer acolhimento, orientação e encaminhamento a serviços da rede socioassistencial do município.

Ação preventiva

A iniciativa foi conduzida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Divinópolis (Semds) e teve caráter preventivo e orientativo. De acordo com o comunicado oficial da administração municipal, as equipes realizaram escuta qualificada com as pessoas presentes na praça, além de orientações sobre acesso a serviços públicos e possíveis encaminhamentos para unidades de acolhimento institucional, atendimento em saúde e centros de referência especializados.

A abordagem ocorreu de forma tranquila, segundo a Prefeitura. Também houve orientação sobre o excesso de materiais acumulados na área da concha acústica, sendo realizado o descarte de parte desses itens com a anuência das próprias pessoas que ocupavam o espaço. Como resultado da intervenção, dois usuários foram encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) para avaliação e acompanhamento, enquanto outras três pessoas aceitaram acolhimento na Casa de Passagem São Francisco.

Um conjunto de esforços

Segundo o gerente de Políticas Setoriais da Semds, João Carlos Cândido, a iniciativa integra uma série de intervenções planejadas para fortalecer a rede de proteção social do município. De acordo com ele, o objetivo é ampliar o acesso da população em situação de rua a serviços públicos e oportunidades que contribuam para a superação dessa condição.

— Atuamos com respeito à dignidade humana e ao princípio da equidade para garantir que essas pessoas tenham acesso aos serviços e às oportunidades que contribuam para a superação da situação de rua. A presença das equipes em campo fortalece o vínculo e amplia as possibilidades de acolhimento e reintegração social — afirmou.

Denúncias 

A intervenção ocorre em meio a um crescente número de manifestações de moradores e frequentadores da praça nas redes sociais. Em comentários feitos em uma reportagem publicada pelo Agora, internautas relataram incômodo com a ocupação do espaço público.

— Já tem algum tempo que estão aí. Tem duas semanas que passo todos os dias e os vejo — comentou uma cidadã. 

Outro internauta afirmou que a situação se agravou nas últimas semanas. Também há quem relate que parte das pessoas em situação de rua não seria originalmente do município. 

— Eles estão para todo lado, infelizmente. Às vezes nem são daqui da cidade, são de fora — disse outro comentário.

Debates sociais

Este é mais um caso que se encaixa no debate sobre o cuidado e intervenção com pessoas em situação de rua, assim “Caso Maria”, que mobilizou a rede de assistência social e a comunidade local. A mulher, que vivia em situação de rua e era conhecida por frequentar diferentes pontos do centro da cidade, tornou-se símbolo do debate sobre saúde mental, assistência social e políticas públicas voltadas à população vulnerável.

Após meses de tentativas de abordagem por equipes de assistência e saúde, Maria acabou sendo encaminhada para internação psiquiátrica com acompanhamento da rede de atendimento, em um desfecho que reacendeu a discussão sobre os limites e os desafios das políticas públicas para esse público.

Macroproblema

Especialistas e profissionais da área social destacam que a situação vivenciada em Divinópolis reflete um cenário mais amplo observado em diversas cidades de médio porte do interior brasileiro. Fatores como vulnerabilidade econômica, dependência química, transtornos mentais, rompimento de vínculos familiares e migração entre municípios estão entre os principais elementos associados ao aumento da população em situação de rua.

Nesse contexto, a atuação das equipes de abordagem social tem como principal ferramenta o diálogo e a construção de vínculo com os usuários, estratégia considerada fundamental para que as pessoas aceitem encaminhamentos para serviços de acolhimento, tratamento de saúde ou reinserção social.

Enquanto isso, a situação da concha acústica da Praça do Santuário permanece no centro do debate público em Divinópolis, refletindo um desafio social complexo que envolve assistência, saúde, segurança e políticas públicas de longo prazo.

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