Diabetes atinge 13,7 mil pessoas em Divinópolis
Crescimento nacional chega a 135% em quase duas décadas e Anvisa proíbe insulina e produtos irregulares

A diabetes faz parte da realidade de milhares de moradores de Divinópolis. Atualmente, 13.719 pessoas estão cadastradas como pacientes com diabetes na rede municipal de saúde, segundo dados do município. O número evidencia a dimensão da doença na cidade e a necessidade de acompanhamento contínuo, especialmente entre pacientes que dependem de medicamentos para controlar os níveis de glicose no sangue.
Medicamentos
Na rede municipal, a distribuição de insulina é realizada pela Farmácia Municipal, mediante prescrição médica. O fornecimento segue a avaliação e a indicação dos profissionais que atuam nas unidades de saúde do município. A insulina é utilizada principalmente por pacientes que precisam desse hormônio para manter a glicemia sob controle e evitar complicações associadas ao diabetes.
O acompanhamento regular é fundamental porque a doença pode permanecer silenciosa durante parte de sua evolução. Quando não controlado adequadamente, o diabetes pode provocar problemas cardiovasculares, renais, oculares e neurológicos, além de outras complicações. Por isso, o tratamento envolve não apenas medicamentos, mas também acompanhamento profissional, alimentação adequada, prática de atividade física e monitoramento da glicemia.
Crescimento no país
O cenário observado em Divinópolis ocorre em meio a um avanço expressivo do diabetes em todo o Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos que declararam ter recebido diagnóstico médico da doença aumentou 135% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9% da população adulta. Os números fazem parte do levantamento Vigitel, realizado pelo Ministério da Saúde.
Na prática, isso significa que a parcela de adultos com diagnóstico informado de diabetes mais que dobrou no período. O crescimento também foi observado entre homens e mulheres e em diferentes faixas etárias e níveis de escolaridade. Entre pessoas com 65 anos ou mais, por exemplo, a frequência passou de 18,9% em 2006 para 31,4% em 2024.
O levantamento aponta ainda que o avanço não ocorreu de forma isolada. No mesmo intervalo, a frequência de obesidade cresceu 118% e a de excesso de peso aumentou 47% no país. A hipertensão também apresentou elevação, de 31%. Os indicadores são acompanhados pelo Ministério da Saúde por meio do Vigitel, que monitora fatores de risco e proteção relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.
O aumento da prevalência do diabetes representa um desafio para o sistema de saúde, principalmente porque o controle da doença pode exigir acompanhamento por toda a vida. Com mais pessoas diagnosticadas, cresce também a necessidade de consultas, exames, medicamentos e ações de prevenção e acompanhamento na atenção primária.
Proibição
Em meio a esse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adotou nesta semana uma medida relacionada diretamente a um dos principais medicamentos utilizados no controle do diabetes. Na terça-feira, 6, a agência proibiu a venda e o uso de todos os lotes de insulina produzidos pela empresa Costa Mar Comércio Licitatório. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
Segundo a Anvisa, a empresa havia distribuído insulina glargina 3 mL/100 UI sem possuir Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) para essa atividade, em desacordo com as normas sanitárias. Uma inspeção realizada pela Vigilância Sanitária de Petrópolis (RJ), em setembro, constatou ainda que a empresa não funcionava no endereço cadastrado e não possuía licença sanitária identificada no local.
A medida não se limita à insulina. A Anvisa também proibiu a venda, fabricação, distribuição, divulgação, transporte e uso de diversos peptídeos sem registro, incluindo produtos comercializados como tirzepatida. Entre os itens proibidos estão produtos vendidos pela internet e sem registro ou notificação na agência reguladora.
A tirzepatida e a semaglutida são substâncias que imitam a ação de um hormônio relacionado à saciedade e ao controle dos níveis de açúcar no sangue. Os medicamentos ganharam popularidade nos últimos anos tanto pelo tratamento do diabetes quanto pelo uso no controle do peso.
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