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Divinópolis encerra 2025 com superávit comercial histórico

Divinópolis encerra 2025 com superávit comercial histórico

Jorge Guimarães

Em um cenário marcado por incertezas na economia mundial, fortemente impactada pelos tarifaços adotados pelo presidente norte-americano Donald Trump, o momento é de reavaliar caminhos e direcionar novas metas e estratégias para os próximos anos. 

Com esse objetivo, especialmente no contexto local, o Instituto Vitaltec, sob a coordenação do economista Leandro Maia, elaborou um relatório técnico que apresenta uma análise detalhada da Balança Comercial de Divinópolis, contemplando o período de 2023 a 2025. O estudo busca oferecer uma visão clara sobre o comportamento das exportações e importações do município, apontando tendências, desafios e oportunidades para fortalecer a economia local.

O levantamento, junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), órgão do governo federal brasileiro responsável por formular e implementar políticas para o desenvolvimento da indústria, comércio, serviços, comércio exterior e economia verde, serve como ferramenta estratégica para orientar decisões, apoiar políticas públicas e auxiliar o setor produtivo na construção de um planejamento mais sólido, alinhado às novas dinâmicas do comércio internacional. 

Exportações

Segundo dados levantados, as exportações de Divinópolis registraram um desempenho expressivo no período recente. Entre 2023 e 2024, o crescimento foi robusto, com avanço de 12,13%, passando de US$ 108,99 milhões para US$ 122,22 milhões, refletindo a força do setor exportador local e a ampliação das vendas externas.

Já em 2025, houve uma leve retração de 0,24%, com as exportações totalizando US$ 121,92 milhões. Apesar da pequena queda, o resultado indica a manutenção de um patamar elevado, sinalizando estabilidade nas operações comerciais internacionais do município.

O saldo da Balança Comercial alcançou seu melhor resultado em 2025, atingindo US$ 64,2 milhões, impulsionado pela combinação entre a sustentação das exportações e a redução das importações. Esse desempenho positivo, no entanto, contrasta com a forte volatilidade mensal registrada ao longo do ano.

Tarifas

As políticas tarifárias adotadas por Donald Trump em 2025 em relação ao Brasil foram marcadas por duas fases decisivas, que impactaram diretamente o comércio exterior, mas com efeitos distintos para a realidade de Divinópolis.

A primeira ocorreu em junho de 2025, quando o governo norte-americano elevou as tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiros de 25% para 50%. A medida, à primeira vista, gerou apreensão entre exportadores e analistas, diante do risco de perda de competitividade no mercado internacional. No entanto, para Divinópolis, os reflexos práticos foram limitados, sem impacto significativo sobre o desempenho das exportações.

A segunda fase, entre julho e agosto de 2025, foi ainda mais ampla, com a imposição de uma tarifa geral de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros. Apesar do rigor da medida, houve uma isenção estratégica para o ferro-gusa e outras formas de ferro utilizadas como insumos siderúrgicos, ponto crucial para o município, já que o ferro-gusa representa o principal produto da pauta exportadora local.

Os dados confirmam esse efeito mitigador. Mesmo com a tarifa elevada sobre o aço já em vigor desde junho, as exportações de Divinópolis não sofreram retração relevante. Pelo contrário, a partir de setembro, observou-se um movimento claro de recuperação, com picos de exportação em outubro e dezembro. Esse comportamento evidencia que a isenção do ferro-gusa, vigente a partir de agosto, foi determinante para neutralizar os impactos negativos das tarifas mais amplas, garantindo a manutenção da demanda e a retomada do ritmo das vendas externas.

Avaliação

Na avaliação do economista Leandro Maia, as tarifas trouxeram um ambiente inicial de preocupação e instabilidade para as exportações da cidade, refletindo diretamente em uma queda significativa no mês de fevereiro. O anúncio das medidas gerou incertezas no mercado e levou empresas a adotarem uma postura mais cautelosa, especialmente no início do ano.

No entanto, o impacto acabou sendo menor do que o inicialmente esperado, uma vez que o ferro-gusa, principal produto da pauta exportadora do município, ficou fora da tarifa de 50%. Essa exclusão foi decisiva para manter a competitividade do produto no mercado internacional e assegurar a continuidade da demanda, especialmente por parte dos Estados Unidos, principal destino das exportações.

— O resultado desse movimento foi expressivo: Divinópolis encerrou 2025 com um superávit comercial histórico, consolidando a resiliência do setor exportador e demonstrando a capacidade do município de superar choques externos e manter um papel relevante no comércio internacional — explicou Maia.

Principais itens

A pauta de exportação de Divinópolis é fortemente concentrada em ferro fundido, ferro e aço, num total de 90,8%, com destaque para o ferro-gusa, que ocupa papel central nas vendas externas do município. Embora seja um produto de menor valor agregado, o ferro-gusa é um insumo estratégico e indispensável para a indústria siderúrgica dos Estados Unidos.

Esse perfil da pauta exportadora foi decisivo para o desempenho positivo de Divinópolis. A isenção concedida ao ferro-gusa brasileiro permitiu que o principal produto exportado pela cidade, seguido pelos produtos farmacêuticos com 7,7%, permanecesse competitivo, mesmo diante do aumento das tarifas sobre outros itens do setor metalúrgico.

Destinos

Os dados mais recentes revelam que as exportações de Divinópolis permanecem fortemente concentradas nos Estados Unidos, que se consolidam como o principal destino dos produtos locais, com um volume de US$ 61,2 milhões. Na sequência aparecem o Peru, com US$ 27,2 milhões, e a Colômbia, com US$ 5,8 milhões, configurando um padrão que reforça a força da indústria metalúrgica do município e a importância estratégica tanto do mercado norte-americano quanto dos países latino-americanos.

Ao mesmo tempo, o recorte geográfico das exportações mostra uma dependência significativa de poucos mercados, o que amplia a exposição a oscilações externas. Em contrapartida, chama atenção a presença de China e Reino Unido como destinos de exportações, com valores de US$ 5,1 milhões e US$ 3,9 milhões, respectivamente, principalmente ligados a produtos farmacêuticos. 

Esse movimento, ainda tímido, aponta para oportunidades de expansão em novos mercados e para a possibilidade de reduzir, no longo prazo, a dependência do setor metalúrgico, fortalecendo uma base exportadora mais equilibrada e resiliente frente às mudanças do cenário internacional.

Saldo comercial

As importações de Divinópolis mantiveram um comportamento relativamente estável entre 2023 e 2024, sem grandes oscilações que comprometessem o equilíbrio da balança comercial do município. Esse período foi marcado por um fluxo constante de compras externas, alinhado às necessidades do setor produtivo local.

Em 2025, no entanto, os dados indicam uma queda expressiva nas importações, movimento que teve impacto direto no resultado do comércio exterior. A redução do volume importado, combinada com a manutenção das exportações em patamar elevado, foi determinante para que Divinópolis alcançasse o maior superávit comercial de todo o período analisado.

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