Temporais elevam em 21% o número de descargas atmosféricas em Minas

Da Redação
O avanço dos eventos climáticos extremos em Minas Gerais tem imposto novos e complexos desafios à operação do sistema elétrico em todo o estado. Nos últimos anos, o território mineiro vem registrando um aumento significativo tanto na frequência quanto na intensidade de tempestades severas, acompanhadas por chuvas concentradas, rajadas de vento e elevado número de descargas atmosféricas, fatores que impactam diretamente a rede de distribuição de energia.
Esse novo cenário climático tem exigido das concessionárias um nível maior de planejamento, monitoramento constante e respostas mais rápidas diante de situações críticas. Em Minas Gerais, a Cemig tem ampliado o uso de dados meteorológicos como ferramenta estratégica para antecipar ocorrências e reduzir os efeitos das intempéries no fornecimento de energia.
Crescimento dos alertas
Segundo dados consolidados do monitoramento climático da Cemig, somente em 2025 foram emitidos 15,6 mil alertas meteorológicos em todo o estado. As notificações têm como objetivo orientar as equipes de operação e manutenção, permitindo a adoção de medidas preventivas antes da chegada de eventos climáticos severos.
No mesmo ano, a meteorologia da companhia identificou a ocorrência de aproximadamente 1,9 milhão de descargas atmosféricas em Minas Gerais, representando um crescimento de cerca de 21% em relação ao ano anterior. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o volume ultrapassou 200 mil registros, sendo aproximadamente 1,9 mil apenas na capital mineira.
Rede elétrica
O aumento das descargas atmosféricas reflete diretamente no número de ocorrências registradas na rede elétrica. Ainda em 2025, a Cemig contabilizou cerca de 56,3 mil ocorrências provocadas por raios em todo o estado. Na RMBH, foram aproximadamente 2,8 mil registros, dos quais cerca de 350 ocorreram em Belo Horizonte.
Esses eventos podem causar desde interrupções pontuais no fornecimento até danos mais complexos à infraestrutura elétrica, exigindo atuação rápida das equipes técnicas para restabelecer o serviço e garantir a segurança da população.
Investimentos
Diante desse cenário de maior instabilidade climática, a Cemig acelerou e ampliou de forma significativa os investimentos na área de distribuição de energia. No ciclo atual, que vai de 2023 a 2027, a companhia investe R$ 21,9 bilhões no segmento, valor três vezes superior ao aplicado no ciclo anterior, entre 2018 e 2022, quando os investimentos somaram R$ 7,2 bilhões.
Somente os valores já executados em 2023 e 2024 superam todo o montante investido ao longo do ciclo anterior, evidenciando uma mudança de patamar na estratégia da empresa frente aos desafios impostos pelo clima.
— O clima mudou de patamar, e a operação da rede precisou acompanhar essa transformação. Estamos lidando com eventos mais intensos, mais frequentes e menos previsíveis — afirmou o superintendente de Planejamento e Engenharia da Cemig, Alisson Chagas.
Recursos
Segundo ele, os recursos estão sendo direcionados para frentes estratégicas como a modernização da infraestrutura, automação da rede, ampliação da manutenção preventiva e uso intensivo de tecnologia para monitoramento e resposta rápida a eventos extremos.
A companhia também conta com centro meteorológico próprio, radar e acompanhamento em tempo real das condições climáticas, o que permite antecipar cenários críticos e posicionar equipes de forma preventiva.
— Não se trata apenas de investir mais, mas de investir de forma inteligente. Nosso foco é reduzir o impacto desses eventos para a população, garantindo segurança, rapidez no atendimento e qualidade no fornecimento de energia, mesmo diante de um cenário climático cada vez mais desafiador — finalizou o superintendente.
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