Divinópolis encerra junho com alta nos casos de dengue e quarto óbito registrado

Jonny Reisle
Os indicadores da dengue em Divinópolis continuaram avançando ao longo do mês de junho e encerraram o período com um novo óbito confirmado, aumento expressivo de casos e a confirmação da circulação simultânea de três sorotipos do vírus no município. Os dados, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), mostram que, apesar da redução da procura por atendimento nas unidades de saúde nas últimas semanas, a doença permanece como um dos principais desafios para a saúde pública da cidade.
Comparativo
O boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira, 29, com dados extraídos até a última sexta, 26, confirmou a quarta morte por dengue em 2026. No levantamento anterior, publicado no dia 3, o município registrava três óbitos provocados pela doença. Além da nova morte confirmada, um óbito continua em investigação pela Vigilância Epidemiológica.
O crescimento dos casos ao longo do mês também chama atenção. Em pouco mais de três semanas, o número de notificações aumentou de 3.582 para 4.062, representando 480 novos registros suspeitos da doença. No mesmo período, os casos confirmados passaram de 1.368 para 1.830, um acréscimo de 462 confirmações.
Complexidade dos casos
O avanço também foi observado nas internações hospitalares. No início de junho, 236 pacientes haviam precisado de hospitalização em decorrência da dengue. No boletim mais recente, esse total chegou a 260 internações. Os casos considerados mais graves também apresentaram crescimento. Os registros de dengue com sinais de alarme passaram de 29 para 30, enquanto os casos classificados como dengue grave aumentaram de dois para três.
Outra perspectiva
Embora os indicadores epidemiológicos continuem em alta, houve uma mudança no comportamento da demanda pelos serviços de saúde. Segundo a Semusa, os atendimentos de pacientes com sintomas da doença apresentaram queda nas últimas semanas. Na Atenção Primária, a redução foi de 37,5% em relação à semana anterior. Se durante o pico da epidemia o município chegou a registrar 98 atendimentos em uma única semana, o número caiu para apenas dez na última semana analisada.
Situação semelhante foi registrada no Ambulatório de Arboviroses. Em maio, o serviço chegou a atender 79 pacientes com sintomas compatíveis com dengue em um único dia. No início de junho, esse volume já havia diminuído para cerca de 60 atendimentos diários, indicando uma desaceleração da pressão sobre a rede municipal de saúde.
Alerta sempre ligado
Apesar da melhora observada na assistência, os especialistas alertam que a redução dos atendimentos não significa o fim da circulação do vírus. Pelo contrário. Os dados mostram que muitos casos ainda continuam sendo confirmados e que as consequências mais graves da doença continuam ocorrendo, como demonstrado pela confirmação do quarto óbito.
A distribuição por faixa etária revela que a maior concentração de casos permanece entre adultos economicamente ativos. A faixa de 20 a 29 anos continua liderando as confirmações, passando de 678 para 773 casos durante junho. Em seguida aparecem os adultos entre 30 e 39 anos, que passaram de 640 para 716 registros, e a população com 60 anos ou mais, que teve crescimento de 501 para 579 casos. Todas as demais faixas etárias também apresentaram aumento nas confirmações ao longo do mês.
Distribuição regional
Os bairros mais afetados pela dengue também registraram crescimento nas notificações. O Centro permanece liderando o número de casos, passando de 225 para 273 registros. O bairro São José aumentou de 177 para 185 notificações, enquanto o Catalão foi de 128 para 143. Planalto, Belvedere, São Roque, Tietê, Campina Verde, Afonso Pena, Niterói, Santa Lúcia e Bom Pastor também apresentaram elevação no número de ocorrências.
Outras doenças transmitidas
Além da dengue, outra arbovirose que apresentou crescimento foi a chikungunya. O número de notificações passou de 25 para 34 durante o mês de junho. Já os casos confirmados dobraram, passando de três para seis. Apesar do aumento, o município continua sem registrar mortes pela doença. O zika vírus, por sua vez, segue sem notificações ou confirmações em Divinópolis em 2026.
Sorotipos
Outro fator que elevou o nível de preocupação da Vigilância Epidemiológica foi a confirmação da circulação simultânea de três sorotipos diferentes do vírus da dengue no município. A identificação ocorreu após exames laboratoriais detectarem um caso de coinfecção pelos sorotipos DENV-3 e DENV-4 em uma paciente de 27 anos, sem comorbidades. A confirmação representa o primeiro registro laboratorial do sorotipo 4 em Divinópolis neste ano.
Com isso, o município passa a conviver simultaneamente com os sorotipos DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A circulação de diferentes variantes aumenta a preocupação das autoridades sanitárias porque uma pessoa infectada anteriormente por um dos sorotipos pode voltar a contrair dengue ao entrar em contato com outro tipo do vírus. Nesses casos, existe maior possibilidade de evolução para formas mais graves da doença, especialmente quando há uma segunda infecção por um sorotipo diferente.
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