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Saúde

Divinópolis pode garantir sensores de glicose a crianças com diabetes tipo 1 pelo SUS

Divinópolis pode garantir sensores de glicose a crianças com diabetes tipo 1 pelo SUS

Lucas Maciel

Um novo projeto de lei que prevê a distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças com diabetes tipo 1 deve ser votado já na próxima semana na Câmara de Divinópolis. A proposta, de autoria do vereador Josafá Anderson (Cidadania), pretende garantir o acesso a essa tecnologia para pacientes atendidos pelo sistema público de saúde, com o objetivo de melhorar o acompanhamento da glicemia e reduzir complicações associadas à doença.

O projeto já passou pelas comissões da Casa e, se aprovado, permitirá ao município adotar uma política semelhante à implementada em Lagoa da Prata, cidade referência na região. Lá, o programa fornece sensores de glicose gratuitamente para crianças com diabetes tipo 1, permitindo monitoramento contínuo da glicemia, redução da necessidade de múltiplas picadas diárias e acompanhamento remoto pelos responsáveis e profissionais de saúde.

Na cidade vizinha, o programa foi implementado após demanda de famílias e apoio da Câmara Municipal, permitindo que os pequenos com diabetes tipo 1 tenham acesso contínuo à tecnologia, com impactos positivos no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes e familiares.

Entenda

O sensor de monitoramento contínuo de glicose, previsto no projeto, é um dispositivo pequeno, fixado na parte posterior do braço da criança, que realiza medições constantes da glicose no organismo sem a necessidade das picadas repetidas nos dedos. O equipamento registra variações glicêmicas ao longo do dia, permitindo que pais, responsáveis e equipes médicas identifiquem rapidamente situações de hipoglicemia ou hiperglicemia e tomem medidas imediatas.

O projeto estabelece que o fornecimento do sensor e de todos os insumos necessários para seu funcionamento será gratuito para crianças de até 12 anos diagnosticadas com diabetes tipo 1 ou tipo 2, atendidas pelo sistema público municipal. Segundo a proposta, os critérios específicos de concessão serão definidos pelo Executivo, de acordo com protocolos clínicos nacionais e estaduais.

Benefícios

Além do conforto proporcionado às crianças, o monitoramento contínuo da glicemia traz benefícios diretos para a adesão ao tratamento, ajudando a reduzir complicações de longo prazo, como problemas cardiovasculares, renais, visuais e risco de amputações. 

O projeto também destaca a economia para o sistema público de saúde, já que o uso do sensor diminui a necessidade de internações relacionadas às complicações do diabetes.

Projeto

A proposta foi oficialmente protocolada na última quinta-feira, 2, e, se aprovada, entrará em vigor em até 90 dias após sua publicação, permitindo que os primeiros sensores sejam distribuídos rapidamente às famílias. 

O projeto de lei ainda prevê que a gestão do programa seja acompanhada por protocolos do Ministério da Saúde e do Estado de Minas Gerais, garantindo que a aplicação esteja de acordo com diretrizes técnicas e médicas reconhecidas.

Em Divinópolis, a proposta contou com a colaboração da professora da UFSJ, Maira de Castro, que auxiliou na estruturação do projeto e contribuiu com informações técnicas sobre o funcionamento do sensor de glicose, ajudando a adequar a iniciativa à realidade do município.

Modelo 

A iniciativa segue experiências bem-sucedidas em outros municípios mineiros, como Lagoa da Prata, Nova Serrana e Paracatu. O modelo tem mostrado resultados positivos, facilitando o acompanhamento da glicemia, reduzindo a necessidade de múltiplas picadas diárias e permitindo intervenções rápidas em situações de hipoglicemia ou hiperglicemia.

Recentemente, o vereador Josafá Anderson visitou Lagoa da Prata para conhecer de perto o projeto e analisar seu funcionamento na prática. Durante a visita, ele observou o uso dos sensores e a organização do programa, que inclui acompanhamento médico e orientação às famílias, e se encontrou com os vereadores Tuty e Carla Andrade, autores da iniciativa na cidade.

— Esse é um exemplo de política pública que nasce da escuta das famílias e da empatia com a realidade de quem enfrenta o desafio diário de controlar a glicemia de seus filhos —  destacou o parlamentar. 

Inspiração

A experiência de Lagoa da Prata também foi marcada pela atuação da professora Letícia Santos, mãe de uma criança com diabetes tipo 1. Foi ela quem apresentou o projeto à Câmara Municipal da cidade, utilizando a tribuna popular para defender a iniciativa.

Letícia contou ao Agora que, nos primeiros anos após o diagnóstico da filha, as medições de glicose precisavam ser feitas diversas vezes ao dia por meio de picadas nos dedos, chegando a 12 vezes em dias de rotina alterada, como doenças ou febres. Esse processo intenso e doloroso dificultava o controle da glicemia e tornava a rotina da família mais desgastante.

Quando a filha completou quatro anos, Letícia conseguiu acesso ao sensor de monitoramento contínuo de glicose, conhecido como Libre, que registrava a glicemia de forma constante e enviava alertas em casos de hipoglicemia ou hiperglicemia. Segundo ela, o dispositivo reduziu a necessidade de picadas de 7 ou 8 vezes ao dia para apenas 2 ou 3, proporcionando mais segurança e tranquilidade para a família.

— Você consegue monitorar a medição a cada minuto. O aparelho traz alarmes em casos de hipoglicemia, que é a glicose baixa, ou de hiperglicemia, quando as glicose estão acima da meta proposta pelo médico endócrino que acompanha a minha filha. E isso trouxe uma qualidade de vida muito grande aqui tanto para minha filha quanto para minha família.— explicou.

Além dos benefícios imediatos, Letícia destacou que o acompanhamento contínuo ajuda a prevenir complicações graves da doença, como problemas renais, cardiovasculares e visuais, e melhora a adesão ao tratamento diário.

— Com todos esses benefícios que a minha filha teve, eu vi que isso não podia ficar só pra mim. Eu precisava de ajudar outras pessoas, outras famílias a ter uma qualidade de vida maior — afirmou.  

Ela mobilizou outras mães e buscou apoio de vereadores para apresentar o projeto, até que ele fosse aprovado e sancionado na cidade. 

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