Lohanna critica atraso na federalização do Hospital Regional de Divinópolis: ‘tem cheiro de politicagem’

Lucas Maciel
A situação do Hospital Regional de Divinópolis segue dando o que falar na cidade e em toda a região Centro-Oeste de Minas. Com obras retomadas em 2023, após quase uma década paralisadas, a unidade está em fase final de construção, com conclusão prevista para o fim de 2025. Quando pronta, a unidade funcionará como hospital universitário em parceria com a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Apesar do avanço das obras, a federalização do hospital ainda não foi formalizada, pois o projeto que transferiria sua gestão para a esfera federal ainda não foi enviado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A deputada Lohanna (PV) criticou o atraso e afirmou que o impasse “tem cheiro de politicagem”, destacando que manter um hospital praticamente pronto sem funcionamento prejudica diretamente a população da região.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou no mês passado, que todas as etapas da obra seguem dentro do cronograma previsto, sem intercorrências, e que a conclusão do hospital está programada para este ano.
Cobrança
O impasse voltou a ser destaque nesta semana, após a manifestação de Lohanna, que aproveitou a proximidade da conclusão das obras para criticar o governo estadual.
Segundo a deputada, apesar de a unidade estar praticamente pronta para funcionar, a falta de envio do projeto que transferiria a gestão para a UFSJ e a Ebserh impede que a população tenha acesso aos serviços de média e alta complexidade que a região necessita.
Durante visita às instalações do hospital nesta segunda-feira, 6, a parlamentar ressaltou que o entrave é mais de ordem política do que técnica.
— Não faz sentido manter um hospital praticamente pronto sem funcionar. A transferência para a UFSJ e a Ebserh já está acordada e assinada no termo de cooperação, mas o governo de Minas insiste em atrasar o envio do projeto à Assembleia. Isso parece muito mais uma questão política do que técnica, tem cheiro de politicagem — afirmou.
Hospital universitário
A deputada detalhou, ainda, que a federalização do hospital é fundamental não apenas para oferecer atendimento de alta complexidade, mas também para consolidar a unidade como hospital universitário, em parceria com a UFSJ e a Ebserh.
— A população não pode continuar esperando. É hora de o governo priorizar a saúde pública — completou.
Segundo Lohanna, o presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), já se comprometeu com o reitor da universidade, Marcelo Pereira, a tramitar o projeto com celeridade assim que ele for protocolado, reconhecendo a importância da unidade para toda a região.
A parlamentar enfatizou ainda que o Hospital Regional de Divinópolis terá um papel central na saúde da macrorregião, atendendo dezenas de municípios e oferecendo serviços que hoje obrigam os pacientes a se deslocarem para cidades vizinhas.
Obras
A Secretaria de Estado de Saúde informou ao Agora, no mês passado, setembro, por meio de nota, que as obras estão dentro do planejamento previsto.
— A obra do Hospital Regional de Divinópolis está prevista para ser concluída no segundo semestre deste ano, conforme divulgado anteriormente. O cronograma contratual segue dentro do prazo estabelecido, sem intercorrências — revelou a pasta.
A secretaria detalhou também que os trabalhos atuais estavam no estágio de instalações elétricas, sistemas de proteção e combate a incêndio, aquecimento de água, gases medicinais, pintura, marcenaria e execução de obras civis.
Inauguração
Apesar da previsão de conclusão para o fim deste ano, a operação do deve começar apenas em 2026, inicialmente de forma parcial. A informação foi dada pela Ebserh, em agosto último.
De acordo com a empresa, foram feitas solicitações de adequações na obra, mas o Estado aceitou apenas ajustes na central de materiais, que dependem de aditivo contratual com a construtora. Mesmo diante dessas divergências, a empresa confirmou que a inauguração parcial é viável, garantindo que parte dos serviços hospitalares já possa ser disponibilizada à população.
Durante visita realizada no início de maio, o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, ressaltou que o governo federal tem discutido com o estadual a necessidade de readequações no programa assistencial, o que exige mudanças estruturais na unidade.
— Isso exige que sejam feitas obras de adaptação, não são de grande volume, mas são necessárias. Isso, naturalmente, tende a exigir algum tempo de adaptação — reforçou.
Segundo Chioro, ajustes eram necessários antes do funcionamento completo do hospital.
Cidades
O HR terá um papel central na saúde da macrorregião, servindo como referência para atendimento a dezenas de municípios, como:
Aguanil, Araújos, Arcos, Bambuí, Bom Despacho, Camacho, Campo Belo, Cana Verde, Candeias, Carmo da Mata, Carmo do Cajuru, Córrego Danta, Córrego Fundo, Cristais, Divinópolis, Dores do Indaiá, Estrela do Indaiá, Formiga, Igaratinga, Itapecerica, Itatiaiuçu, Itaúna, Japaraíba, Lagoa da Prata, Leandro Ferreira, Oliveira, Onça de Pitangui, Pains, Pará de Minas, Passa Tempo, Pedra do Indaiá, Perdigão, Pimenta, Santo Antônio do Amparo, Santo Antônio do Monte, São Gonçalo do Pará, São José da Varginha, São Sebastião do Oeste, Serra da Saudade e Tapiraí.
Perfil assistencial
A unidade contará com infraestrutura completa para atendimento de média e alta complexidade. O hospital terá bloco cirúrgico com oito salas, maternidade equipada com três quartos de pré-parto, parto e pós-parto, quatro salas de parto cirúrgico e ambulatório com oito consultórios.
Além disso, oferecerá serviços auxiliares de diagnóstico e terapia, incluindo tomografia, ressonância magnética, hemodinâmica, mamografia, raio-x, ultrassom e densitometria.
Entre as especialidades, a população terá acesso a obstetrícia clínica e cirúrgica, centro de parto normal tipo II, gestação de alto risco tipo II, clínicas cirúrgicas em diversas áreas (geral, otorrinolaringologia, pediatria, cardiologia, neurologia, ortopedia, traumatologia, plástica, vascular, endovascular e urologia), além de clínica médica, pediatria, oftalmologia e serviços de saúde mental integrados à rede de atenção psicossocial.
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