Divinópolis pode ter reflexos negativos em exportações na siderurgia para os EUA

Jorge Guimarães
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou no último dia 10 um decreto que impõe uma tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio no país. A medida faz parte de sua política de proteção à indústria siderúrgica americana e pode trazer impactos diretamente para a produção e exportação desses produtos em Minas Gerais, maior produtor do Brasil, com um número que chegou a 9,346 milhões de toneladas de aço bruto em 2024.
Foco
Com a decisão do governo americano, as siderúrgicas mineiras, que têm os EUA como um dos seus maiores mercados, vão sentir os reflexos da tributação, o que pode levar à redução das exportações e impactar a economia do setor. Neste sentido, o Brasil estuda medidas diplomáticas para negociar isenções ou minimizar os impactos da decisão.
— Com o novo cenário, as empresas do setor podem buscar alternativas para diversificar seus mercados, principalmente China, e reduzir a dependência dos Estados Unidos. Além disso, o governo brasileiro já avalia estratégias para contestar a tributação ou adotar medidas de retaliação comercial — analisa o economista Leandro Maia.
Desafio
O aumento da tributação afeta diretamente as empresas brasileiras, do setor siderúrgico, que exportam para o mercado norte-americano. Segundo o economista, a elevação da tarifa representa um desafio significativo.
— Uma vez que há esse aumento, isso incide diretamente sobre o custo e, consequentemente, no preço final dos produtos exportados para os EUA. Entre os itens afetados, os produtos relacionados ao aço e ao alumínio certamente sentirão mais alto o impacto — argumenta Maia
Com a nova tributação, as empresas brasileiras podem perder competitividade em relação a fornecedores de outros países que não enfrentam essa mesma barreira tarifária.
— O setor metalúrgico, que já lida com oscilações cambiais e custos logísticos elevados, precisará buscar alternativas para minimizar os impactos e possíveis prejuízos— destaca o economista.
Empregos
O aço é o principal item da pauta de exportação do município, mas enfrenta uma ameaça à sua competitividade no mercado externo, o que pode comprometer os empregos no setor.
— E Divinópolis também vai ser afetada, uma vez que o principal item na pauta de exportação é o aço, e isso é realmente uma ameaça à competitividade do preço do aço dentro do mercado internacional, o que faz com que possa afetar o desempenho das exportações e, como consequência, podemos enfrentar uma possível ameaça aos empregos internamente — lembra Maia.
A possível queda na demanda internacional pelo produto pode refletir diretamente na economia local, impactando empresas do setor e trabalhadores que dependem dessas operações.
— O alerta reforça a necessidade de medidas estratégicas para minimizar os efeitos desse cenário e garantir a sustentabilidade do setor siderúrgico na região — pontua Maia.
Balança comercial
A balança comercial de Divinópolis apresentou movimentação significativa nos últimos meses do ano, evidenciando um perfil econômico diversificado. Em dezembro, o município registrou exportações no valor de US$ 6,4 milhões e importações de US$ 3,6 milhões, refletindo um saldo comercial positivo. O que não pode se repetir caso a média de Trump vá para frente.
Ferro
O setor de ferro fundido, ferro e aço se destacou como o principal segmento exportador da cidade. Os insumos industriais produzidos localmente são amplamente reconhecidos no mercado internacional, com destino a diversos países. Em dezembro, os principais compradores foram: Estados Unidos com R$ 264.279,50 seguido pelo Paraguai que fechou em R$ 238.748,00 e República Dominicana com R$ 159.585,90.
Fundição
A reportagem conversou com o Sindicato da Indústria da Fundição no Estado de Minas Gerais (Sifung), por meio de seu presidente, Afonso Gonzaga, para comentar os impactos das novas normas comerciais. Segundo Gonzaga, as mudanças impostas pelo governo norte-americano representam desafios para o setor de peças mineiro, especialmente no que se refere à exportação de produtos metálicos.
Ele destacou que as restrições comerciais e as tarifas aplicadas sobre determinados insumos podem aumentar os custos para as indústrias brasileiras, tornando a competitividade mais desafiadora no mercado internacional. No entanto, ressaltou que o sindicato está acompanhando de perto as movimentações do cenário global e buscando alternativas para minimizar os impactos.
— Na verdade, estamos extremamente preocupados. Já sabíamos que, após a posse de Donald Trump, ocorreriam algumas mudanças, especialmente na área econômica. E estamos realmente atentos a tudo que acontece — completou Gonzaga.
Com relação a taxação do aço e do alumínio, Afonso Gonzaga relata que o setor de fundição está preocupado, mas sem nenhum impacto por enquanto.
— Essa questão comercial dos Estados Unidos sempre é preocupante porque realmente temos um volume alto em termos de negociações, mas, por enquanto, estamos aguardando o desenrolar dos acontecimentos — frisa.
Reuniões
Foi realizada em Belo Horizonte na quarta-feira passada, uma reunião com o objetivo de discutir possíveis medidas a serem impostas diante do cenário atual.
— O encontro foi precedido por uma reunião de terça-feira, 4, na qual foram levantados subsídios e informações relevantes para embasar decisões futuras. No momento, a orientação é manter a prudência e acompanhar de perto os desdobramentos das conversas entre os dois governos— finalizou Gonzaga.
Cautela
O empresariado divinopolitano do setor, recebeu com surpresa a decisão do governo dos Estados Unidos, de estabelecer alíquota de importação do aço, independentemente da origem, derrubando, no caso do Brasil, acordo firmado no primeiro mandato do próprio Trump, em 2018, para importação do aço brasileiro.
O diretor industrial Ronan Eustáquio da Silva Junior, disse que no primeiro mandato dele, aconteceu a mesma coisa, mas depois em negociações com o governo brasileiro, tudo mudou. Na ocasião, segundo ele, os governos negociaram o estabelecimento de cotas de exportação para o mercado norte-americano de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados/placas e 687 mil toneladas de laminados.
— Tal medida flexibilizou decisão anterior de Trump que havia estabelecido alíquota de importação de aço para 25%. E no momento, o melhor a fazer é torcer para que ambos entrem em uma nova negociação, como a anterior, o que eu acho bastante provável – opinou.
O empresário, que é o presidente do Sindicato das Indústrias Siderúrgicas do Oeste Minas (Sindigusa), revelou que, no momento, tudo está dentro da normalidade no setor.
— Primeiramente é que, metade da produção do gusa dos Estados do Unidos, somos nós que fornecemos. Quanto ao aço e alumínio, vamos aguardar as negociações vindouras — finalizou.
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