Sindicato e consórcio continuam com impasse em relação ao reajuste salarial dos motoristas

Lucas Maciel
A novela envolvendo o reajuste salarial dos motoristas do transporte coletivo de Divinópolis continua sem acordo. Após impasses iniciais nas tratativas e preocupações, por parte da categoria, sobre as condições de trabalho e a defasagem salarial, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Divinópolis (Sinttrodiv), o Consórcio TransOeste e a representantes da Prefeitura de Divinópolis tiveram um novo encontro na manhã desta segunda-feira, 17.
Apesar das tentativas de diálogo, as partes ainda não chegaram a um consenso sobre o reajuste, e a possibilidade de uma greve está descartada apenas até a próxima semana, quando está agendado um novo encontro. O sindicato reforçou a urgência da questão, principalmente pelo fato da data-base se aproximar, enquanto o consórcio destacou as dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor.
O Agora acompanhou o encontro e traz os detalhes do que foi tratado entre as partes.
Reunião
A reunião aconteceu na sede do sindicato. O tema central das negociações continua sendo o reajuste salarial da categoria, que tem como data-base o dia 1º de março.
Estiveram presentes no encontro representantes da categoria profissional, do Consórcio TransOeste, trabalhadores do setor, além de representantes da Prefeitura e da Câmara de Divinópolis.
Discussões
O presidente do Sinttrodiv, Erivaldo Adami da Silva, foi o responsável por iniciar a reunião. A questão central levantada foi a valorização da profissão de motorista, uma área que, segundo ele, enfrenta uma grave escassez de mão-de-obra no mercado. Ele explicou que a falta de profissionais qualificados no setor é uma das razões pelas quais os motoristas estão exigindo um reajuste digno nos salários e melhorias nos benefícios.
De acordo com ele, os motoristas desempenham uma função essencial para a cidade, mas enfrentam condições de trabalho que não condizem com a importância das atividades. O presidente deixou claro que as negociações precisam avançar de forma significativa, caso contrário, a categoria não hesitará em buscar alternativas mais drásticas para garantir seus direitos.
— Se não houver avanço nas negociações, não vemos outra alternativa a não ser recorrer a um dissídio coletivo e, se necessário, à paralisação das atividades— enfatizou.
Dificuldades
O Consórcio TransOeste não apresentou nenhuma proposta para o reajuste durante o encontro. Em resposta, Glauco Ribeiro, representante jurídico do consórcio, se manifestou, ressaltando as dificuldades enfrentadas pelas empresas de transporte coletivo. Ele deixou claro que, diante da atual situação financeira do consórcio, as reivindicações da categoria profissional não poderiam ser atendidas integralmente no momento.
— Não conseguimos suportar as reivindicações sem uma readequação do subsídio ou aumento na tarifa de transporte. A situação está insustentável — explicou.
Ainda segundo o representante, mesmo com as dificuldades, o consórcio tem se esforçado para manter as obrigações em dia, incluindo o pagamento regular dos salários dos motoristas. No entanto, o aumento nos custos operacionais, especialmente o impacto da alta dos combustíveis, tem colocado as empresas em uma situação delicada.
Ao longo dos últimos anos, o preço dos combustíveis subiu cerca de 80%, um aumento expressivo que, somado à ausência de reajuste tarifário há alguns anos em Divinópolis, tem agravado ainda mais as finanças do consórcio. Mesmo com os subsídios oferecidos pela Prefeitura, que são fundamentais para o funcionamento do sistema, o valor atualmente repassado não é suficiente para cobrir o déficit operacional do consórcio, conforme Glauco Ribeiro.
— Sem uma contrapartida do Poder Público, não conseguimos apresentar qualquer proposta viável para a categoria — afirmou.
Executivo
A Prefeitura reconhece a importância das reivindicações dos profissionais e a necessidade de um reajuste salarial para a categoria. O assessor especial de Governo, Fernando Henrique, reafirmou que a administração municipal compreende a dificuldade enfrentada pelos trabalhadores do transporte coletivo e o valor da profissão. No entanto, ele também destacou que o Executivo continua fazendo sua parte, oferecendo subsídios financeiros para o setor.
Porém, ele reconheceu que os aumentos nos custos operacionais, como o preço dos combustíveis, impactaram significativamente a capacidade do consórcio e reforçou a posição da Prefeitura, que precisa que as partes envolvidas, no caso o sindicato e o consórcio, busquem uma solução negociada para o impasse.
— Entendemos que o momento é difícil para todos, mas acreditamos que a melhor solução será aquela alcançada por meio do diálogo e da negociação entre os envolvidos — comentou.
Ainda de acordo com o assessor especial, o prefeito assegurou um aporte de R$ 620 mil, em parcela única no mês de março, justamente para viabilizar o reajuste salarial dos motoristas e demais colaboradores da concessionária, conforme o índice previsto.
Sem definição
Após as discussões entre a categoria econômica e o Executivo, o representante do TransOeste se comprometeu a levar as informações à diretoria e trabalhar para apresentar uma proposta. Embora reconheça as dificuldades financeiras do setor, o consórcio se mostrou disposto a continuar as negociações em busca de uma solução.
Ficou definido que, até sexta-feira, 21, representantes do Consórcio e da Prefeitura se reunirão para tentar alinhar os pontos pendentes, incluindo os subsídios já fornecidos e outros pontos solicitados pelo grupo.
Com isso, uma nova reunião foi agendada para a próxima segunda-feira, 24, quando as partes terão mais uma oportunidade de avançar nas negociações. Caso não haja acordo, o impasse poderá ser levado à Justiça, e uma paralisação pode acontecer.
— A greve não é o que queremos, mas se a situação continuar sem solução, não nos restará outra opção — destacou Erivaldo Adami.
O presidente do sindicato, no entanto, garantiu ao Agora que até o próximo encontro, nenhuma greve acontecerá.
— A palavra dada por mim é que antes do dia 24 não haverá greve. A partir dali, sim, caso não cheguemos a um acordo, comunicaremos o estado de greve e mobilizaremos os trabalhadores para fazer a paralisação — finalizou o presidente.
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