Divinópolis registra seis homicidios em fins de semana consecutivos

Elian Ozéias
Divinópolis, que era conhecida pela tranquilidade no interior mineiro, enfrenta uma onda de violência que tem deixado a população amedrontada. Nos primeiros seis meses de 2025, já foram registrados 23 homicídios, sendo seis somente nos últimos fins de semana, e seguidos. Os crimes, muitas vezes brutais, têm como vítimas majoritariamente jovens entre 18 e 29 anos, levantando suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas e disputas territoriais.
Morto a tiros
O caso mais recente ocorreu na madrugada do último sábado, 14, durante a tradicional festa de Santo Antônio, em Ermida. Um homem de 28 anos foi executado com quatro tiros (três no rosto e um no ombro) ao sair do evento. Segundo a Polícia Militar, a vítima não tinha passagens criminais, o que aumenta as especulações sobre a motivação do crime.
Dinâmica do crime
Testemunhas relataram que o homem estava acompanhado de amigos e se dirigia ao seu carro, um Honda CR-V, quando dois suspeitos surgiram por trás do veículo e efetuaram os disparos. Após o primeiro tiro, a vítima caiu, e os criminosos atiraram novamente.
A Polícia Civil trabalha com duas hipóteses: acerto de contas ou crime encomendado. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.
2024 x 2025
Dados levantados pelo Jornal Agora mostram que 2025 já supera 2024 em número de homicídios, apesar de o primeiro semestre ainda não ter acabado. Confira a comparação:
| Mês | 2024 | 2025 |
|---------------|---------|---------|
| Janeiro | 0 | 3 |
| Fevereiro | 2 | 5 |
| Março | 4 | 4 |
| Abril | 1 | 2 |
| Maio | 2 | 4 | (inclui 1 feminicídio) |
| Junho | 1 | 3 |
Além dos 23 assassinatos, a cidade registrou 11 tentativas de homicídio neste ano.
"Quero justiça pelo meu filho", desabafa mãe
Entre as mortes, esta não foi registrada como homicídio, mas chama a atenção pelo drama vivido pela família. Simone Martins, mãe de Pablo, vive um luto sem respostas. O corpo do filho foi encontrado em estado avançado de decomposição, e o laudo oficial registrou apenas como "encontro de cadáver", sem esclarecer a causa da morte.
— Fizeram uma covardia com ele. O rostinho dele estava queimado — disse Simone, emocionada, em entrevista ao Agora.
— Ele tinha só 14 anos. Estava começando a viver —
A família enfrentou dificuldades para registrar o desaparecimento e, mesmo após a descoberta do corpo, as investigações não avançaram.
— Eu me mudei de Divinópolis porque não aguento mais ficar aqui. Toda vez que volto, passo mal — desabafou a mãe, que hoje faz tratamento psicológico.
A Polícia Civil (PC) afirmou que o estado do corpo de Pablo dificultou as perícias, mas que o caso não foi arquivado.
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