Divinópolis se aproxima de mil casos de dengue e acende alerta na saúde pública

Jonny Reisle
O avanço da dengue em Divinópolis voltou a acender o sinal de alerta das autoridades de saúde. Dados mais recentes divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), no dia 8 de maio, apontam que o município já contabiliza 948 casos confirmados da doença em 2026, além de 2.518 notificações, um óbito confirmado, três mortes em investigação e 183 hospitalizações registradas desde o início do ano. O cenário preocupa principalmente pelo crescimento acelerado dos casos nas últimas semanas e pela circulação de um vírus considerado mais agressivo pelas autoridades sanitárias.
Números alavancaram
Em comparação com o boletim divulgado em 16 de abril, quando a cidade registrava 548 confirmações e 1.735 notificações, houve um aumento de 400 casos confirmados em pouco mais de três semanas — crescimento de aproximadamente 73%. As notificações também subiram significativamente, com acréscimo de 783 registros suspeitos no período. O número de hospitalizações passou de 138 para 183.
Comparativo com o ano anterior
Apesar do avanço expressivo em relação ao último levantamento, alguns números ainda permanecem abaixo dos registrados no mesmo período de 2025. Dados oficiais da Prefeitura mostram que, em maio do ano passado, por exemplo, Divinópolis havia ultrapassado a marca de 1.400 casos confirmados. Porém, à época, o municípío contabilizava um número de notificações pouco maior, com 2.589 notificações. No lado oposto da escala, há cerca de um ano atrás, a cidade registrou 169 internações, 14 abaixo do número atual.
Outro alerta se acende
A preocupação ocorre não apenas pelo aumento da dengue, mas também pelo crescimento das demais arboviroses. Os casos de chikungunya, por exemplo, tiveram aumento expressivo entre abril e maio. No boletim do dia 16 de abril, Divinópolis registrava apenas oito notificações e nenhum caso confirmado da doença. Já no levantamento divulgado em 8 de maio, o município passou para 21 notificações e três confirmações.
Outro fator que preocupa a saúde pública é o número elevado de casos ainda em investigação, além da manutenção de óbitos suspeitos relacionados à dengue. Segundo os dados municipais, as mulheres seguem representando a maior parte das notificações, com 1.387 casos, o equivalente a 55,08% dos casos registrados.
Prevenção e conscientização
Diante do avanço da doença, a Prefeitura intensificou as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti. Entre as principais estratégias adotadas estão os mutirões de limpeza realizados semanalmente em diferentes regiões da cidade. No último sábado, 9, foi promovida a 11ª edição do Mutirão de Limpeza contra a Dengue, mobilização que percorreu bairros das regiões Nordeste e Sudeste do município. A ação teve como foco a retirada de materiais que podem acumular água e servir de criadouros para o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Segundo a Prefeitura, foram recolhidos objetos como pneus, garrafas, recipientes plásticos, móveis velhos, papelão e outros resíduos sem utilidade. Nas edições anteriores do mutirão, o volume de materiais retirados chamou atenção das equipes de saúde. Em alguns bairros, foram recolhidos caminhões inteiros de recicláveis, móveis inutilizados e dezenas de pneus descartados irregularmente.
Além dos mutirões, o município também mantém ações de fumacê em áreas consideradas prioritárias, visitas domiciliares realizadas por agentes de endemias, campanhas educativas e monitoramento constante de regiões com maior incidência de notificações. A participação popular, porém, continua sendo considerada essencial pelas autoridades sanitárias, já que a maior parte dos focos do mosquito continua sendo encontrada dentro das residências.
Centro-Oeste em alerta
O cenário regional também tem preocupado municípios vizinhos. Em Cláudio, a Prefeitura decretou situação de emergência em saúde pública após o aumento dos casos de dengue na cidade. O anúncio foi feito pelo prefeito Zezinho (MDB), que classificou a situação como grave e afirmou que o município ampliará as ações de enfrentamento nos próximos dias.
Entre as medidas anunciadas pela administração municipal estão a ampliação do horário de trabalho das equipes de vigilância em saúde, que passarão a atuar das 7h às 18h, intensificação das visitas domiciliares, utilização do veículo de fumacê enviado pelo Governo de Minas e reforço nas fiscalizações de lotes sujos e descarte irregular de lixo.
Colaboração da população
Durante pronunciamento oficial, o prefeito destacou que muitos moradores ainda impedem a entrada dos agentes de saúde nas residências, dificultando o combate ao mosquito. Segundo ele, imóveis fechados ou sem fiscalização adequada podem manter focos do Aedes aegypti e contribuir diretamente para a transmissão da doença em bairros inteiros.
A Prefeitura de Cláudio também anunciou que irá endurecer as medidas contra proprietários de lotes sujos e descarte irregular de resíduos, medida que também torna-se realidade em Divinópolis, com notificações e possíveis penalizações. Paralelamente, equipes municipais seguem realizando ações de limpeza urbana e conscientização da população.
Atenção!
Enquanto isso, em Divinópolis, a preocupação é evitar que o município repita o cenário crítico registrado no ano passado, quando a cidade enfrentou forte aumento das arboviroses e alta procura por atendimentos médicos. A recomendação das autoridades de saúde segue sendo a eliminação de recipientes que acumulam água, limpeza frequente de quintais e calhas, descarte correto do lixo e abertura das residências para inspeção dos agentes de combate às endemias.
Com a chegada do período de temperaturas mais amenas, a expectativa é de redução gradual dos focos do mosquito. Ainda assim, a Semusa reforça que o combate ao Aedes aegypti deve continuar ao longo de todo o ano, já que o mosquito encontra condições favoráveis para reprodução mesmo fora dos períodos chuvosos.
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