Divinópolis terá calor de até 34°C pelos próximos dias
Mudança no tempo deve reduzir novamente as temperaturas a partir de terça-feira, mas sem repetir a onda de frio registrada em julho

Jonny Reisle
Depois de enfrentar uma das mais intensas incursões de ar polar do inverno, registrada no fim de julho, Divinópolis voltou a experimentar um padrão climático típico da estação seca em Minas Gerais: manhãs amenas, tardes quentes, baixa umidade do ar e pouca ou nenhuma chuva.
A previsão para os próximos dias indica que esse cenário deve persistir, com temperaturas máximas em elevação até o início da próxima semana, antes da chegada de uma nova frente fria, que deve provocar apenas uma redução moderada das temperaturas, sem repetir o frio intenso observado nas últimas semanas.
Improbabilidade de chuva
De acordo com as previsões meteorológicas, as máximas devem variar entre 30°C e 34°C até segunda-feira, 10, enquanto as mínimas permanecem entre 16°C e 20°C. A sexta-feira, 7, terá máxima de 31°C; no sábado, 8, os termômetros podem atingir 32°C; no domingo, 9, a previsão é de 33°C, mesma temperatura esperada para segunda-feira, quando o calor deverá alcançar seu pico. O céu deve permanecer com poucas nuvens na maior parte do período, favorecendo forte aquecimento durante a tarde e grande amplitude térmica, característica comum do inverno no Centro-Oeste mineiro.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também prevê índices mínimos de umidade relativa do ar próximos de 20% durante as tardes, patamar considerado de atenção. A combinação entre calor, tempo seco e ventos fracos favorece o aumento do desconforto respiratório, da desidratação e da incidência de queimadas, exigindo cuidados redobrados da população, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Seca predominante
Além do calor acima da média para esta época do ano, outro fator que chama a atenção é a permanência da estiagem. Agosto integra o período mais seco do calendário climático em Minas Gerais e, até o momento, os modelos meteorológicos não apontam a formação de sistemas capazes de provocar chuvas significativas sobre o Centro-Oeste do estado. Dessa forma, a tendência é que os próximos dias continuem sendo marcados por céu com poucas nuvens, umidade baixa durante as tardes e grande amplitude térmica, com diferenças superiores a 15°C entre as temperaturas mínimas e máximas registradas no mesmo dia.
Esse cenário é consequência da atuação de um sistema de alta pressão atmosférica sobre o Brasil Central. Esse bloqueio dificulta a formação de nuvens carregadas e impede o avanço de frentes frias mais intensas para o interior do Sudeste. Assim, mesmo quando uma frente fria consegue atingir Minas Gerais, como está previsto para a próxima semana, seus efeitos costumam ser limitados à redução das temperaturas e ao aumento da nebulosidade, sem provocar volumes expressivos de chuva.
Próxima semana mais amena
A partir de terça-feira, 11, uma frente fria deve avançar pelo Sudeste do país, provocando queda nas temperaturas em Minas Gerais. Em Divinópolis, entretanto, o resfriamento tende a ser discreto. As máximas devem recuar para cerca de 30°C na terça-feira e ficar entre 26°C e 27°C entre quarta-feira, 12, e sexta-feira, 14, enquanto as mínimas variam entre 16°C e 19°C. Apesar da mudança no padrão das temperaturas, não há previsão de chuva significativa para a região, nem expectativa de uma nova massa de ar polar com intensidade semelhante à registrada em julho. O predomínio continua sendo de tempo seco, influenciado pelo sistema de alta pressão que mantém a estabilidade atmosférica sobre grande parte do Sudeste.
Mesmo com essa redução temporária nas temperaturas, os meteorologistas destacam que não há indicativos de uma nova onda de frio intensa. A massa de ar frio associada à frente que avança pelo Sudeste apresenta menor intensidade e deverá atuar por um curto período. A expectativa é que, após a passagem do sistema, as temperaturas voltem a subir gradativamente, mantendo o padrão de tardes quentes e manhãs amenas característico do inverno mineiro.
Ciclone não impactará Divinópolis
Enquanto isso, o Sul do Brasil enfrenta um cenário bastante diferente. Um ciclone extratropical formado sobre o oceano, associado à passagem de uma frente fria, provoca ventos intensos, ressaca marítima e queda acentuada das temperaturas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em algumas localidades, as rajadas de vento podem superar 80 km/h, levando os órgãos meteorológicos a emitirem alertas para dezenas de municípios e aumentando o risco de transtornos, principalmente nas áreas costeiras.
Apesar da intensidade do fenômeno, os especialistas explicam que seus efeitos diretos não devem atingir o Centro-Oeste de Minas Gerais. O ciclone permanece sobre o Oceano Atlântico, afastado do continente, e sua influência sobre Minas ocorre de maneira indireta. O sistema atua impulsionando uma frente fria em direção ao Sudeste, o que favorece apenas uma queda moderada das temperaturas e um discreto aumento da velocidade dos ventos em cidades como Divinópolis. Não há previsão de temporais, vendavais ou fenômenos severos semelhantes aos observados na Região Sul.
Esse comportamento atmosférico é comum durante o inverno. Os ciclones extratropicais se formam frequentemente na costa sul da América do Sul devido ao encontro entre massas de ar quente e frio. Esses sistemas desempenham papel importante na dinâmica climática do continente, pois ajudam a transportar o ar frio para o interior do Brasil. No entanto, à medida que avançam para latitudes mais baixas, sua influência tende a perder força, especialmente quando encontram uma massa de ar seco e estável predominando sobre o Brasil Central, como ocorre neste momento.
Cuide-se neste clima seco
Outro reflexo das condições climáticas é o aumento do risco de queimadas. A vegetação ressecada, aliada às altas temperaturas e à baixa umidade, cria um ambiente favorável para a propagação do fogo em áreas rurais, margens de rodovias e lotes vagos. Além dos prejuízos ambientais, os incêndios comprometem a qualidade do ar e agravam problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
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