Divinópolis ultrapassa 6 mil casos confirmados de dengue
Da Redação
Quase 400 mil casos de dengue já foram registrados neste ano em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES). O número também é alarmante em Divinópolis, onde, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), já são 6.208 confirmações da doença. Ainda como mostra o boletim, são 9.907 casos notificados. Os dados são referentes ao período de 1º de janeiro até 23 de junho.
Por que números tão altos?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou no primeiro semestre deste ano, que o aumento da dengue é mundial, com foco principal no continente americano.
O biólogo Igor Diniz destaca que, além da falta de cuidados diários e comuns de combate ao mosquito, a ausência de saneamento básico e de esforços de lideranças políticas, hoje, o principal culpado para o aumento significativo da doença é o aquecimento global.
—De fato, pois são as altas temperaturas que permitem a sobrevida do mosquito, e, portanto, o aumento de sua população, por onde quer que vamos. Por isso a batalha para eliminar focos onde eles se reproduzem deve ser algo levado muito a sério— disse.
Na casa da dona Maria da Glória Barros, a atenção é no quintal. Por ser grande e com muitas plantas o monitoramento é constante.
—Já tive dengue, meu marido já teve e não desejo essa doença para ninguém. Dói do último fio de cabelo até o dedão do pé. Esses cuidados são muito importantes e eu vejo muita gente que passa por cima e não fiscaliza a própria casa. Com esse mosquito não se brinca— contou.
Situação em Divinópolis
Ainda conforme o boletim, são 269 hospitalizações em decorrência da dengue. Oito mortes estão em investigação. Veja a lista de bairros com casos confirmados:
Santa Rosa: 311
Centro: 310
São José: 213
Belvedere: 256
Interlagos: 167
Sagrada Família: 139
Planalto: 180
Paraíso: 118
Porto Velho: 139
Catalão: 133
Danilo Passos I: 112
Padre Eustáquio: 108
Afonso Pena: 106
Bom Pastor : 96
Tietê: 106
Combate ao mosquito
As campanhas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, ainda são as principais armas de combate. Essas ações sempre estão acompanhadas de orientações básicas, como evitar a água parada, tampar caixas d’água e colocar areia nos pratos de vasos de planta. Todas essas informações precisam ser intensificadas cada vez mais, para evitar surtos, conforme infectologistas
Testagem
Estão disponíveis uma série de testes capazes de identificar qual vírus está infectando a pessoa e de uma forma mais rápida. Dois principais exames conseguem garantir confirmação do diagnóstico de dengue: o antígeno, indicado para quem está entre o primeiro e quinto dia de sintomas e o sorológico IGG e IGM, feitos em quem está entre o sexto e décimo quarto dia de sintomas.
Por que só a fêmea pica?
A fêmea precisa de sangue para a produção de ovos. Tanto o macho quanto a fêmea se alimentam de substâncias que contêm açúcar (néctar, seiva, entre outros), mas como o macho não produz ovos, não necessita de sangue. Embora possam ocasionalmente se alimentar com sangue antes da cópula, as fêmeas intensificam a voracidade pela hematofagia após a fecundação, quando precisam ingerir sangue para realizar o desenvolvimento completo dos ovos e maturação nos ovários. Normalmente, três dias após a ingestão de sangue as fêmeas já estão aptas para a postura, passando então a procurar local para desovar.
Erradicado e depois reintroduzido no Brasil?
No início do século 20, a identificação do Aedes aegypti como transmissor da febre amarela urbana impulsionou a execução de rígidas medidas de controle que levaram, em 1955, à erradicação do mosquito no país. Em 1958, o país foi considerado livre do vetor pela Organização Mundial de Saúde (OMS). No entanto, a erradicação não recobriu a totalidade do continente americano e o vetor permaneceu em áreas como Venezuela, sul dos Estados Unidos, Guianas e Suriname, além de toda a extensão insular que engloba Caribe e Cuba.
A hipótese mais provável para explicar a re-introdução do mosquito no Brasil é a chamada dispersão passiva dos vetores, através de deslocamentos humanos marítimos ou terrestres – dinâmica facilitada pela grande resistência do ovo do vetor ao ressecamento. No Brasil, o relaxamento das medidas de controle após a erradicação do A. aegypti permitiu sua reintrodução no país no final da década de 1960. Hoje o mosquito é encontrado em todos os Estados brasileiros.
Outros países
Não. Há registro da doença em diversos países das Américas, bem como na África, Ásia, Austrália e Polinésia Pacífica.
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