Dois meses depois, mãe ainda busca respostas sobre a morte do filho

Da Redação
Há dois meses, a vida da dona de casa Simone Martins se transformou em um pesadelo sem respostas. Seu filho, Pablo Almeida, de apenas 14 anos, desapareceu no dia 28 de fevereiro após sair de casa sem avisar o destino. Quatro dias depois, no domingo, 2 de março, o corpo do adolescente foi encontrado em estado avançado de decomposição no bairro Ferrador, próximo a Carmo do Cajuru. Desde então, a família enfrenta uma dolorosa espera por informações sobre as circunstâncias e a causa da morte.
O desaparecimento e a busca
Na manhã em que Pablo saiu de casa, ninguém imaginaria que seria a última vez que o veriam com vida. Preocupada, a família tentou registrar um boletim de ocorrência na Polícia Militar (PM), mas foi orientada a fazê-lo online. No entanto, segundo relatos, enfrentaram dificuldades no sistema, o que atrasou o registro formal do desaparecimento.
Enquanto isso, amigos e parentes se mobilizaram nas redes sociais, compartilhando fotos e pedindo informações sobre o paradeiro do adolescente. A esperança de encontrá-lo com vida, porém, foi interrompida no domingo, 2, quando uma denúncia anônima levou a polícia até o local onde o corpo foi encontrado.
Falta de respostas
Em entrevista ao Agora, a mãe de Pablo desabafou sobre a falta de informações.
Ao ser questionada sobre a causa da morte, ela respondeu.
— Ainda não, porque eu perguntei à Polícia Civil no mês passado, e eles não falaram nada. Nenhuma polícia passou nada para a gente. Disseram que não está pronto — revelou.
A família, desesperada, contratou duas advogadas para tentar acelerar o processo, mas até agora não obtiveram respostas claras.
— Então a perícia não foi feita? — questionamos novamente.
— Também acho que não, o pai dos meus filhos que contratou as advogadas, mas elas nem me respondem. Agora eu mesma vou lá pegar o laudo. Eles têm que me dar — frisou.
A incerteza sobre o que realmente aconteceu com Pablo tem agravado o sofrimento da família.
— Além dessa dor ser enorme, tenho pesadelos. Estou fazendo tratamento com psicóloga e psiquiatra. Minha filha chora toda hora — desabafa.
A mãe de Pablo planeja ir pessoalmente à delegacia nesta sexta-feira.
— Não estou ficando em Divinópolis, então eu mesma vou lá conversar com o delegado. Se a perícia é feita em um mês, tem que estar pronta. Estou com o laudo ‘indeterminado’. É muito estranho — ponderou.
O que diz a Polícia Civil?
Questionada pelo Agora, a Polícia Civil informou que o caso "está em apuração" e que a demanda "aguarda análise do delegado". Disse ainda que não houve esclarecimentos sobre o prazo para conclusão do laudo pericial ou detalhes sobre as investigações.
Opinião
A morte de Pablo Almeida Martins não é apenas mais um número nas estatísticas. É a história de um adolescente que tinha sonhos, uma família que o amava e uma comunidade que se mobilizou para encontrá-lo. Enquanto as autoridades não fornecerem respostas, a dor da perda se mistura com a desconfiança e a sensação de abandono.
A família exige justiça e clareza. Afinal, duas coisas não podem ser negadas a uma mãe em luto: a verdade sobre o que aconteceu com seu filho e o direito de enterrá-lo em paz.
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