Domingos Sávio propõe comissão para apurar prisões em Brasília: inaceitável

Bruno Bueno
Políticos divinopolitanos de base bolsonarista, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado federal Domingos Sávio (PL) demonstraram preocupação e anunciaram ações nas últimas horas contra a prisão de pessoas sem envolvimento no ataque aos Três Poderes no dia 8 de janeiro.
Cleitinho gravou um vídeo com o deputado Nikolas Ferreira (PL) denunciando relatos de supostas prisões falsas e outras irregularidades. Domingos, por sua vez, propôs ontem a instalação de uma comissão para apurar o caso.
“Inaceitável”
Domingos abordou a situação durante seu pronunciamento na Câmara dos Deputados, na tarde de ontem.
— Demonstro minha preocupação com as mais de mil pessoas em consequência dos atos do dia 8 de janeiro. Eu sempre declarei de forma muito clara que jamais iria compactuar com qualquer ato de natureza criminosa. E aquele que cometer o crime tem que pagar pelo erro — afirma.
O político define a situação como inaceitável e descreveu irregularidades que supostamente acontecem nos presídios da capital.
— É inaceitável que centenas de pessoas tenham a sua liberdade cerceada por estarem perto da cena do crime ou se manifestarem livremente. Eles não estão tendo o direito à defesa do que estão sendo acusados. Os advogados não têm acesso aos inquéritos — acrescenta.
Por fim, o parlamentar defende a instalação de uma comissão para apurar o caso.
— Acho fundamental que seja instalada uma comissão especial externa para que, de forma imparcial e serena, os direitos de defesa sejam respeitados. Ninguém quer, neste momento, fazer apologia ao crime ou defender o que é errado. (...) Mas não podemos aceitar que inocentes sejam punidos pelos pecadores — concluiu.
Nikolas e Cleitinho
Em Brasília, deputados articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de apurar as prisões. Documento com este fim, elaborado por Soraya Thronicke (União) já conta com um número suficiente de assinaturas, mas o governo de Lula (PT) articula para barrá-la.
Nikolas e Cleitinho foram, nesta semana, a um presídio feminino na capital federal e descreveram a situação do local. O jovem deputado cobrou que os colegas assinem o documento.
— Temos recebido diversas denúncias. Pessoas que vão no gabinete e falam sobre quem está detido por conta dos atos do dia 8. Eu faço aqui uma convocação para o deputado e senador que não assinou a CPI. Assine. Nós temos que esclarecer de fato o que aconteceu naquele dia — solicita.
O ex-vereador de Belo Horizonte acrescenta que não é contra as prisões dos infratores, mas pede que o sistema seja feito de acordo com a legislação.
— Nem eu, nem Cleitinho, estamos aqui para “passar pano” em quem cometeu crime. Se fez, tem que pagar e cumprir. Isso é muito claro e quem conhece nosso caráter sabe do que estamos falando. A gente está aqui para ver se não houve nenhum tipo de ilegalidade no processo — ressalta.
Prisões injustas?
Cleitinho afirma que existem pessoas que não participaram dos atos e, mesmo assim, foram detidas.
— O que chega para gente é que tem pessoas que estavam no QG, foram pegas e encaminhadas ao presídio. Elas não estavam nos atos. Quem fez tem que pagar, mas queremos trazer transparência para vocês. A CPI é justamente para isso — reitera o senador divinopolitano.
Os políticos entraram no local, mas disseram que não poderiam realizar filmagens devido a sigilo judicial.
Relatos
Após a visita, Nikolas compartilhou alguns dos relatos que ouviu.
— Tem pessoas mais velhas, com comorbidades, que descobriram câncer aqui dentro, que estão meses sem falar com a família. (...) Tem pessoas que nos relataram que são inocentes, que inclusive nem estavam no lugar e simplesmente descobriram que estavam sendo presas — relata.
Cleitinho disse que é necessário “separar o joio do trigo”. Também lamentou o fato de não poder filmar.
— Tem situação de uma moça que nos contou que chegou à noite, depois de tudo. Eles tinham vindo para o dia 9, segunda, em outra manifestação. A gente vai oficializar à juíza um pedido para autorizar as filmagens dos depoimentos — disse.
Cleitinho e Moraes
O senador divinopolitano também comunicou que irá solicitar uma reunião com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes para apurar os relatos. Nikolas, por sua vez, disse que a intenção dos políticos não é retirar os infratores, mas os possíveis inocentes.
— É muito engraçado que não teve nenhum esquerdista assinando a CPI dos atos do dia 8 de janeiro. Por que não querem esclarecer os fatos? Tem pessoas que não tiveram o rito processual legal respeitado — afirma o deputado.
Os políticos terminam o relato solicitando a autorização de uma juíza para realizar filmagens dentro do presídio.
— Queremos mostrar a verdade que a mídia está escondendo — disse o deputado.
Divinópolis
O Agora trouxe com exclusividade, nesta semana a informação, de que alguns divinopolitanos presos em Brasília podem ser transferidos nos próximos dias. De acordo com o advogado Matheus Castro, responsável pela defesa de duas mulheres residentes na cidade, outros também podem receber liberdade provisória.
— Desde semana passada, o procurador-geral da República já manifestou em relação a essas liberdades provisórias para uma boa parte dessas pessoas. (...) A gente aguarda, mas a expectativa é que a situação se resolva nesta semana ou na próxima — comenta o advogado.
Ao menos 17 residentes em Divinópolis foram presos na capital do país. Deste total, pelo menos quatro tiveram a liberdade provisória decretada. Porém, não se sabe, ao certo, quantos ainda permanecem detidos.
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Olho: “Acho fundamental que seja instalada uma comissão especial externa para que, de forma imparcial e serena, os direitos de defesa sejam respeitados”.
Domingos Sávio (PL)
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Legenda: Deputado divinopolitano cobrou ações para os presos em Brasília
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