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De caos em caos 

As enchentes chegaram junto com o período chuvoso. Bastam alguns poucos minutos de chuva caírem e vários pontos da cidade são alagados. São vários os fatores ligados diretamente às inundações. Para citar alguns, basta falar da falta de planejamento, seja urbano e territorial ou do processo adequado de uso e ocupação do solo. Outro ponto crítico é da criação de políticas habitacionais, da preservação das matas ciliares e da destinação correta de resíduos sólidos. O brasileiro tem vivido exatamente assim. De caos em caos. De enchente a enchente. Mas, existe algo que vai além das inundações de verão. A dengue! Que muita gente não se atenta.  Sim! Se tem chuva, então sem sombra de dúvidas tem água parada. Com o sol quente da estação, o ambiente perfeito para a proliferação do mosquito aedes aegypti está formado. Se por um lado não há planejamento urbano por parte dos governantes para que os impactos da chuva sejam minimizados, do outro a responsabilidade do povo quadruplica. Afinal, a situação se repete todos os anos graças ao povo, que aprendeu a conviver com o caos, e ao fato de não haver cobrança para esta mudança de cenário. Está confortável. 

Porém, além dos estragos materiais e psicológicos causados pelas chuvas e até mesmo vida são ceifadas por causa deste cenário, muita gente ainda não se atentou é que a junção ‘medonha’. Pois é, a falta de planejamento urbano e políticas públicas e a falta de responsabilidade do povo quadruplicam os estragos das chuvas. Assim como dois e dois são quatro, todos podem sentar e esperar, que em meados de março e abril os hospitais começam a lotar por causa das doenças transmitidas pelo mosquito aedes aegypti. É assim, de caos em caos e de problema em problema, que a população sobrevive não só ao Brasil, mas a si mesma. Afinal, é impossível isentar o povo de sua responsabilidade em ambas situações, tanto na cobrança, quanto no próprio papel de ter simples atos, como limpar o quintal. Dengue de um lado, hospitais lotados daqui a três meses, governantes e população confortáveis. Cada um com seu papel. Enchentes agora, pessoas espalhadas pelos corredores das unidades de saúde, falta de insumos e profissionais, criação de comitês de enfrentamento, instalação de ambulatórios e por aí vai. Definitivamente, não é tarefa fácil sobreviver ao Brasil e à população, que se acostumou a viver de caos em caos. 

Não há planejamento, prevenção, e nem atuação eficiente. O que existe é apenas o ‘jeitinho brasileiro’ cobrindo um santo e descobrindo outro. Se tem chuva e sol, daqui três meses tem dengue. Este cenário de caos ao qual o brasileiro já se sente confortável o suficiente para enfrentar todos os anos se repete. E, mais uma vez, não é tão difícil constatar que por aqui não há muitas esperanças de evolução, o povo acostumou a viver de caos em caos.

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