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Ecos do passado

Ecos do passado

Augusto Fidelis

A que se pode comparar a vida? Bem, talvez a vida possa ser comparada a uma nave espacial, que parte da Terra numa missão de conquista do espaço sideral. Na subida frenética e alucinada, perde partes importantes da sua fuselagem. Daí, não há possibilidade de retorno, pois a reentrada na atmosfera seria o fim, numa grande explosão. Mesmo que não haja um alvo a ser perseguido, a viagem tem de continuar. Por isso, vira e mexe, vem aquela saudade do que ficou para trás, mas não se pode viver por completo o mesmo momento, já que não se pode mais juntar todos os fragmentos.

Na jornada em meio às estrelas, muitos caminhos se cruzam, e, nessas encruzilhadas, sempre aparece alguém que encontrou alguns dos cacos que a gente deixou escapar. Zélia Brandão é uma dessas pessoas, que se especializou em reunir lembranças para preencher o vazio de muitos corações, e o faz com muita competência. Por sorte, chegou aos meus ouvidos a informação de Zélia prepara mais uma edição do seu baile pré-carnavalesco “Zélia Brandão abre as cortinas do passado”, para o mês de fevereiro, no qual os saudosistas terão, mais uma vez, a oportunidade de relembrar o que de melhor passou em suas vidas.

Como ainda há muito tempo, os foliões não devem perder a oportunidade de apresentar o melhor de si, tanto no que se refere à vestimenta como à postura, a mais elegante possível. Mas não se deve dormir no ponto, pois, breve estará chegando a hora, porque o importante é ser fevereiro, época de usar aquela máscara negra e cantar a plenos pulmões que esta cidade é maravilhosa. Se ajoelhar tem que rezar, mas antes mande a tristeza embora, porque a alegria tem de ser geral.

Quando Zélia Brandão puxar as cortinas e mostrar a seus carnavalescos que o trem das onze já passou, aconselho-os a não ter aquele desejo de se disfarçar com a cabeleira do Zezé, de se sentar na praça para ver simplesmente a banda passar. Muito menos cometer o desespero de beber um barril de chope junto com a turma do funil. É preciso ficar esperto, senão alguém vai logo gritar: “Ih! Tem nego bebo aí”.

O melhor mesmo é erguer a bandeira branca, bailar com as pastorinhas, ter consciência que todo dia é dia de dar bom dia, de ser carinhoso nessa festa do interior, de pegar o ganzá e festejar a chegada do rei negro. Para isso, não há nenhuma necessidade de tomar um banho de cheiro, bastam apenas algumas gotinhas, só para dar aquele clima bom no turbilhão de amor. Quando fevereiro chegar, estou certo de que os ecos do passado soarão apenas como lenitivo para o presente, já que hoje estamos todos muito melhores. Portanto, vale a pena celebrar a vida. augustofidelis1@gmail.com

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