Editorial: o que leva?
Um grande beco que está cada vez mais escuro. Assim pode-se definir o mundo atualmente. Os valores estão perdidos, assim como o bom senso, o respeito e o amor ao próximo. Tudo hoje é baseado na hipocrisia. Os que fazem textos enormes em redes sociais, que “arrotam” santidade, são os mesmos que por baixo de seus tapetes têm uma sujeira sem igual. Os anos passam, e o que se vê é apenas retrocesso. Não há evolução. A vida perdeu o valor. É o outro que define quanto você vale diante o que ele sente por você. As últimas semanas foram tomadas por notícias que estarrecem qualquer um. E, se você leu e não se comoveu, então você faz parte desse time que precisa de ajuda urgente. Na semana da mulher, um adolescente deu uma esponja de aço como “presente de aniversário” para uma professora negra; neste fim de semana, uma briga generalizada envolvendo adolescentes foi registrada na Praça do Santuário, em Divinópolis; na manhã de ontem, 26, um adolescente de 13 anos invadiu uma escola, em São Paulo, e esfaqueou um aluno e quatro professores.
O mundo tem se tornado um beco cada vez mais escuro, em especial, para aqueles que estão desprotegidos. Já não é mais possível acreditar no próximo, em um mundo melhor. As cenas dos crimes chocam. E aí vem a pergunta: como acreditar que haverá mudança, com jovens praticando atos assim? Racismo, violência, intolerância, o caminho oposto do que acredita-se que leva à evolução. Mas, no fim, a sensação é do “o que leva”? O que leva uma pessoa a cometer tais atos? O que leva um adolescente dar uma esponja de aço para uma professora negra? O que leva jovens e adolescentes a uma briga generalizada como a registrada neste domingo exatamente em uma praça que tem uma igreja gigante? O que leva um aluno a promover o terror em uma escola, matar uma professora, ferir outros três, e um aluno? Não há resposta para essas perguntas. Simplesmente não há. Fala-se tanto em combater crimes de racismo, a violência, mas tudo está vindo de dentro dos lares para o mundo. Tudo está partindo do seio familiar e se tonando o mundo esse beco que está cada vez mais escuro.
Dizem que o exemplo arrasta, e sim, diante situações como essas, não há como não imaginar de onde tem vindo tanto ódio, tanta intolerância, tanto desamor. Afinal, o que mais se tem visto são pessoas praticando aquele velho ditado “faça o que eu falo, mas não fala o que eu faço”. O ódio está impregnado na sociedade, que segue adoecida. E, assim, o mundo tem se tornado um beco cada vez mais escuro, onde tudo começa nos lares que estão carregados de ódio, de falta de amor. Em um mundo onde a hipocrisia reina, uma foto postada, um vídeo gravado, um texto bonito compartilhado, basta. Não é mais preciso ação, apenas palavras bonitas. E, assim, a sociedade segue, movida a raiva, e se pautando pela hipocrisia. Assim, o mundo segue, se tornando cada vez mais escuro, e sem respostas para a pergunta: o que leva? Ou: quanto vale uma vida? Qual é o tamanho do ódio do outro? Afinal, os valores seguem também, cada vez mais perdidos, junto com a humanidade.
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