Editorial: Assassinos do volante
Da Redação
Mais um feriado prolongado se aproxima, e infelizmente, sempre há o temor de aumento dos acidentes nas rodovias do Brasil. É triste falar sobre isso, mas essa é a realidade nua e crua. Mas, é isso que se vê a cada balanço divulgado pelas forças de segurança nos pós-feriados. Não existe campanha de conscientização, ações preventivas e operações capazes de mudar este terrível cenário. ‘Um belo dia’, um motorista simplesmente decide que vai beber durante todo o dia e voltar para casa à noite, ou vice-versa e colocar a sua vida e a de outras pessoas em risco. Ele simplesmente decide que está bem o suficiente para dirigir, mesmo tendo feito uso de álcool, e mesmo sabendo das consequências que aquela atitude pode trazer. E é a partir de uma decisão que destinos são traçados, que famílias são arrasadas, e que os amores da vida de alguém simplesmente viram estatística. Tudo começa com uma escolha errada. Ou melhor, tudo começa com a certeza da impunidade, com o jeitinho brasileiro, com o “não vai dar nada”.
Além do uso excessivo de bebidas alcoólicas, o “não vai dar nada” pode ser atrelado também à direção perigosa, em outras palavras, os motoristas irresponsáveis, aqueles que mesmo sóbrios assumem o risco de matar quando decidem que uma manobra arriscada aqui, outra ali, não terão consequências. Mas, nessas situações é justamente o que rege o Brasil desde que o mundo é mundo, e o Brasil é Brasil. A impunidade. Por aqui, para muitos, o crime compensa. Ou, tirar uma vida, ferir uma pessoa gravemente, deixar uma pessoa com sequelas graves não é absolutamente nada. As mesmas leis que prendem são as que soltam. A Justiça não faz justiça. É bonita apenas no papel, e o povo segue apenas contando com a sorte, de não cruzar em seu caminho um dono do “não vai dar nada”. Beber e dirigir, beber e matar, dirigir e assumir os riscos da direção perigosa, matar famílias, vale uma fiança, vale talvez um “responder em liberdade”, um regime semi-aberto, e por aí vai. Sim! Essa é a dura e difícil realidade do Brasil, onde a justiça não é para todos.
Mais um vem aí. Com ele, pode vir negligência, irresponsabilidades e mortes. E a impunidade também. São os chamados assassinos do volante. Tem o preço que a Justiça coloca. Uma vida tem preço. A qualquer momento o seu amor pode virar uma estatística, mas o povo está ocupado demais para cobrar leis mais severas, uma Justiça que faça justiça. Com coisas irrelevantes, e se esquecendo, que a bagunça daqui começa justamente com essa distração, que tudo aceita, que se contenta com pouco. Famílias mortas nas estradas, pessoas arrasadas, um protesto aqui, outro ali, uma manifestação acolá, e a vida segue o seu curso no dia seguinte, na perfeita injustiça e impunidade. Que Deus proteja as pessoas que vão pegar a estrada dos assassinos do volante.
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